Iêmen teve mais de 23 mil casos de cólera e 242 mortes em três semanas
Velocidade da propagação é sem precedentes, diz a OMS. Segundo a ONU, fome atinge dois terços da população do Iêmen.
A epidemia de cólera, que castiga o Iêmen desde o final de abril, já
provocou 242 mortes e 23.425 casos suspeitos neste país em guerra,
indicou nesta sexta-feira (19) a Organização Mundial da Saúde (OMS), que
teme que a doença possa atingir 250 mil pessoas nos próximos seis
meses.
Na quinta-feira, foram registrados 3.460 novos possíveis casos e outras
20 mortes por cólera, em um país onde cerca de dois terços da população
passa fome, segundo a ONU.
"A velocidade de propagação da epidemia de cólera é sem precedentes",
declarou por telefone à imprensa em Genebra o representante da OMS no
Iêmen, Nevio Zagaria.
O que é a cólera?
A cólera é uma infecção intestinal aguda, provocada pela ingestão de água ou alimentos contaminados pelo bacilo Vibrio cholerae.
Quando alguém apresenta sintomas, são na maioria dos casos de leves a
moderados. No entanto, uma minoria desenvolve diarreia aquosa aguda,
acompanhada de desidratação grave. Sem medicação e tratamento, este
quadro pode ser fatal, de acordo com a OMS.
A epidemia se espalha por todo o país, onde as instalações hospitalares
e condições de higiene se deterioraram pela guerra entre rebeldes
xiitas huthis e as forças leais ao governo, apoiadas desde março de 2015
por uma coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita.
A guerra causou uma grave crise humanitária no Iêmen. Cerca de 19
milhões de pessoas, ou seja, em torno de dois terços da população,
precisam urgentemente de ajuda humanitária.
Estado de emergência
Na segunda-feira os rebeldes xiitas declararam estado de emergência
pela epidemia de cólera e pediram ajuda à comunidade internacional para
enfrentar o problema na capital Sanaa.
Os casos de cólera registrados recentemente superam a "média habitual" e
o sistema de saúde da capital é "incapaz de conter esta catástrofe",
afirmou o Departamento de Saúde da administração instaurada pelos
rebeldes xiitas huthis na capital do país.
De acordo com a OMS, os combates deixaram mais de 8 mil mortos e mais de 44,5 mil feridos desde março de 2015.
Zagaria explicou que as agências da ONU estão se preparando para lançar
"um plano de emergência contra a cólera" no Iêmen nas próximas 48
horas, com a intenção de aumentar o número de centros de tratamento e
reidratação.
Ele lamentou a falta de fundos recebidos para ajudar as autoridades
iemenitas a reparar as infraestruturas destruídas pelos combates e
ataques aéreos da coalizão árabe.
"A velocidade (de propagação) da doença é muito alta e se faz
necessária uma ajuda substancial para reparar a rede de encanamento e
esgoto" e tentar purificar o sistema sanitário, disse ele.
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