Gripe A
Instituto do Câncer de São Paulo tem surto de H1N1
Um paciente morreu em decorrência do vírus e há 171 casos suspeitos

Foto:
Felipe Nyland / Agencia RBS
Principal
hospital público oncológico da capital paulista, o Instituto do Câncer
do Estado de São Paulo (Icesp) vive um surto interno de H1N1, com 171
casos suspeitos da gripe, dos quais 62 já foram confirmados, segundo a
direção do hospital especializado. Um paciente morreu por complicações
da gripe e vários funcionários estão afastados do trabalho por suspeita
da doença. Para tentar barrar a disseminação do vírus, o hospital
adotou, há cerca de um mês, medidas mais rígidas de higiene e de
controle de entrada de visitantes.
– É um aumento expressivo de
casos, mas a maioria dos pacientes já chega com a infecção. Tem alguns
que até pegaram lá dentro, mas não sabemos se foi de outro paciente, de
visitante ou de um funcionário – diz Edson Abdala, coordenador do
serviço de controle de infecção hospitalar do Icesp.
Ele relata que, do total de casos registrados no instituto, 22
pacientes precisaram ser internados, 3 deles na Unidade de Terapia
Intensiva (UTI).
– Essa alta de casos no Icesp é um reflexo do
aumento de H1N1 na cidade. O que acontece é que isso se torna mais
importante nos pacientes com câncer, porque eles têm risco maior de
evoluir para quadros graves de doença – diz Abdala.
A partir da
identificação do crescimento de infecções, o hospital determinou o
isolamento dos pacientes com suspeita da doença e adotou medidas de
contenção do vírus, como a distribuição de máscaras, recomendação de
higienização constante das mãos e orientação para que pessoas com
sintomas da gripe evitem fazer visitas na instituição.
Segundo
Abdala, as ações de contenção do vírus no hospital atingem pacientes,
visitantes e funcionários com foco na identificação precoce dos casos
suspeitos. Destacam-se ainda campanhas educativas.
– Também
identificamos profissionais com sintomas respiratórios. Nessas
situações, o mais importante é afastar o colaborador. A gente começou as
ações no dia 9 de março e, com as medidas, notamos uma diminuição
importante de casos – diz o coordenador do serviço de controle de
infecção.
Ele afirma que os dados referentes a funcionários ainda
não estão disponíveis para divulgação, mas que a vacinação dos
servidores está sendo feita com agilidade.
– Uma medida muito
importante foi antecipar a campanha de vacinação, que começou na
segunda-feira. Em dois dias, vacinamos quase 2.500 funcionários, mais da
metade do total.
Diagnosticada com câncer de mama em fevereiro, a
dona de casa Ivone Gonçalves Simões, de 69 anos, passa por consultas e
exames pré-operatórios no Icesp, mas teve de procurar o pronto-socorro
da unidade no sábado por outro problema.
– Sentia muita fraqueza,
tosse, dor no corpo e no peito. Vim aqui e me disseram que pode ser
H1N1, mas o exame só sai em seis dias. Aí me liberaram no domingo porque
disseram que podia ser mais perigoso ficar no hospital – contou ela,
que recebeu o medicamento oseltamivir para finalizar o tratamento em
casa.
Terça-feira, 5, no entanto, a paciente procurou novamente a unidade porque continuava com o mal-estar.
–
Não sei o que é isso, mas sinto que não melhoro – disse ela, que usava
uma máscara cirúrgica para evitar a disseminação do vírus e se proteger
de novas infecções.
O uso do item foi recomendado pelos médicos a diversos pacientes e acompanhantes.
–
Desde sábado, ninguém pode subir para a UTI sem a máscara – diz a
psicóloga Luana Santos, de 25 anos, que foi visitar a mãe, internada no
hospital com câncer de mama.
A dona de casa Fátima Rosa dos
Santos, de 49 anos, que faz quimioterapia no hospital contra tumores no
cérebro e na mama, também foi surpreendida pela gripe.
– Não sei se foi aqui dentro ou fora, mas no pronto-socorro tem vários casos. Já comecei a tomar o Tamiflu – conta ela.
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