Gripe A
Ministério da Saúde dobra pedido e estoca antiviral para tratar até 2,5 milhões de pessoas contra o H1N1
A encomenda de 2016 é a segunda maior em sete anos, inferior apenas ao volume pedido em 2010

Foto:
Diego Redel / Agencia RBS
Com
o surto antecipado de gripe H1N1 no país, o Ministério da Saúde dobrou o
pedido de antiviral feito ao laboratório responsável pela produção do
medicamento e se prepara para tratar até 2,5 milhões de pessoas
infectadas pelo vírus até o fim do ano. Se a demanda chegar ao ápice,
será o maior número de pessoas tratadas no país desde a pandemia da
doença, em 2009. O recorde de tratamentos oferecidos foi em 2013, com 2
milhões de caixas com dez cápsulas cada do medicamento
oseltamivir (Tamiflu) distribuídas pela rede pública.
No início
deste ano, o ministério encomendou ao laboratório público Farmanguinhos,
da Fiocruz, quantidade de oseltamivir suficiente para tratar 1,5 milhão
de pessoas, o dobro do solicitado em 2015, quando 769 mil tratamentos
foram pedidos. Além da nova remessa, o ministério conta ainda com 1
milhão de tratamentos em estoque.
A encomenda de 2016 é a segunda maior em sete anos, inferior apenas
ao volume pedido em 2010, quando ainda acontecia a pandemia e o
ministério comprou da Farmanguinhos 1,7 milhão de tratamentos, conforme
dados do próprio laboratório. Com o fim do surto no mesmo ano, o estoque
de medicamentos comprado do laboratório público foi suficiente ainda
para abastecer o país nos anos de 2011, 2012 e 2013.
A estimativa
do número de pessoas que serão tratadas neste ano pode crescer ainda
mais se forem incluídos os lotes do medicamento nas dosagens infantis.
Como a Farmanguinhos produz apenas as unidades de 75 miligramas, para
adultos, a versão do oseltamivir para crianças é comprada do laboratório
Roche. A empresa não informou quantas unidades foram pedidas neste ano,
mas afirmou que, no ano passado, foram vendidas ao governo federal 558
mil caixas do Tamiflu nas dosagens de 30 e 45 miligramas.
O
ministério informou que a compra de medicamentos no Sistema Único de
Saúde (SUS) segue o cronograma e a compra de oseltamivir é uma medida
preventiva para evitar o desabastecimento em Estados e municípios. De
acordo com o órgão, a distribuição do remédio está regular em todo o
país e é feita conforme demanda estadual.
Para a infectologista
Nancy Bellei, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e
integrante da Sociedade Internacional de Influenza e Doenças
Respiratórias, o volume de antiviral encomendado pelo ministério reflete
preocupação com o impacto da epidemia neste ano.
— Com o que
está acontecendo em São Paulo, com casos precoces e óbitos, o ministério
talvez esteja com uma preocupação de que esse surto possa ser igual aos
de 2009 e 2013 — diz ela.
No ano da pandemia, 2.060 pessoas
morreram no país por complicações do H1N1. Em 2013, segundo pior surto,
foram 768 óbitos. Em 2016, já são 71 vítimas, mas o período de pico de
casos costuma ocorrer no inverno.
Sem pânico
A médica
diz que, embora a expectativa seja de crescimento de casos, não há
razão para pânico na população, pois cerca de 90% dos pacientes
infectados evoluem bem espontaneamente.
— O medicamento é indicado prioritariamente para pessoas com fatores de risco, para evitar possíveis complicações — diz.
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