Uma em cada seis mortes no mundo em 2015 esteve ligada à poluição, diz relatório
Documento organizado por comissão do periódico 'The Lancet' analisou o peso da poluição na saúde. Doenças cardiovasculares, câncer de pulmão e infecções parasitárias figuram entre as condições associadas.
Por G1
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Nova Delhi, na Índia, com espessa camada de poluição em imagem de 2016 (Foto: Money Sharma / AFP)
A poluição está por trás de 9 milhões de mortes em 2015, o que equivale
a aproximadamente uma a cada seis mortes que ocorreram no mundo durante
o período, informa relatório organizado pelo periódico científico “The
Lancet” publicado nesta quinta-feira (19).
A poluição do ar respondeu por 6,5 milhões das mortes, a água poluída a
1,8 milhões e a poluição no local de trabalho a 0,8 milhões de óbitos.
Segundo o relatório, os números podem ser maiores – já que muitos
poluentes químicos emergentes sequer foram identificados.
A publicação é o resultado de dois anos de projeto de uma comissão
organizada pelo “The Lancet” sobre os efeitos da poluição na saúde. Com
financiamento da União Europeia, o trabalho envolveu mais de 40
organizações internacionais e foi liderado por Philip Landrigan, médico e
pesquisador ambiental na Universidade de Harvard (EUA) e Richard
Fuller, fundador da Pure Earth, organização não-governamental.
“A poluição é muito mais do que um desafio ambiental: é uma ameaça profunda e generalizada que afeta muitos aspectos da saúde humana e do bem-estar”, destacou Landrigan, em nota.
Landrigan afirmou ainda, em nota, que a poluição tem sido negligenciada
nas agendas globais de saúde e estratégias de controle não estão
recebendo financiamento suficiente.
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Protesto contra mortes causadas por poluição em São Paulo em setembro de 2017 (Foto: André Emateguy e Abrãao Cruz/TV Globo)
Como a poluição está associada às mortes
Segundo o estudo, a maioria dos óbitos se deve a associação da poluição
com as doenças não-transmissíveis (DNTs); entre as mais letais estão as
doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais, câncer de pulmão e
doença pulmonar obstrutiva crônica.
Um evento da Organização Mundial da Saúde no Uruguai que ocorre essa semana reuniu mais 30 ministros da Saúde e especialistas para discutir as DNTs, que respondem a 70% das mortes no globo.
No caso da poluição da água, as mortes estão mais diretamente
associadas com doenças gastrointestinais e infecções parasitárias.
Em relação às mortes no local de trabalho, o relatório aponta que a
maioria dos óbitos se deu com trabalhadores expostos a componentes
tóxicos – como é o caso das mortes por pneumoconiose em trabalhadores de
carvão, câncer de bexiga em trabalhadores de tintas e câncer de pulmão e
outros tipos de câncer em trabalhadores expostos ao amianto.
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Mulher
atravessa via movimentada em Pequim, na China, usando máscara para se
proteger da poluição em janeiro de 2017 (Foto: AP Photo/Andy Wong)
Industrialização desenfreada empurra números
Quase todas as mortes relacionadas com a poluição (92%) ocorrem em
países pobres como Índia, Paquistão, China, Bangladesh, Madagáscar e
Quênia. Nessas regiões, o peso da poluição nas mortes pode representar
até um em cada quatro óbitos, informa o documento.
Esses países têm em comum o fato de terem tido uma industrialização
rápida e sem o desenvolvimento de políticas que impõem restrições à
emissão de poluentes.
No entanto, segundo o relatório, nenhum país sai ileso dos efeitos
deletérios da poluição, já que ela é o resultado de diversas atividades
humanas realizadas em ambientes industrializados e urbanos.
Apesar disso, os países pobres, além de terem mais mortes, também arcam
com os maiores custos em saúde -- enquanto sistemas de saúde em países
de baixa renda gastam 7% por ano com doenças associadas à poluição, esse
número é de 1,7% nos países mais ricos.
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