terça-feira, 1 de março de 2016

1/3/2016 às 21h55

Casos confirmados de microcefalia sobem para 641 e 4.222 são investigados

Estão sendo investigados casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso central

O Ministério da Saúde confirmou 641 casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso, sugestivos de infecção congênita, de acordo com novo boletim divulgado hoje (1º) pela pasta. Outras 1.046 notificações foram descartadas, mas o ministério e os estados investigam ainda 4.222 casos suspeitos em todo o país.
Os números subiram desde a última divulgação na semana passada, no dia 23. Até então, os casos confirmados de microcefalia eram 583.
Do total de casos de microcefalia confirmados, 82 foram notificados por critério laboratorial específico para o vírus Zika. Na semana passada, eram 67. O Ministério da Saúde ressalta, no entanto, que esse dado não representa, adequadamente, todos os casos relacionados ao vírus. A pasta considera que houve infecção pelo Zika na maior parte das mães que tiveram bebês, cujo diagnóstico final foi de microcefalia.
Ainda de acordo com a divulgação, os 1.046 casos descartados apresentaram exames normais ou apresentarem microcefalias e/ou alterações no sistema nervoso central por causas não infecciosas.
Mortes
O levantamento confirma 31 mortes causadas por microcefalia e/ou alteração do sistema nervoso central. Outras 96 mortes notificadas continuam em investigação e 12 foram descartadas. As mortes ocorreram após o parto ou durante a gestação.
O Ministério da Saúde orienta as gestantes a  adotarem medidas que possam reduzir a presença do mosquito Aedes aegypti, com a eliminação de criadouros, e proteger-se da exposição de mosquitos, mantendo portas e janelas fechadas ou teladas, usando calça e camisa de manga comprida e utilizar repelentes permitidos para gestantes.
Localização
Os dados foram registrados até 27 de fevereiro. Os 641 casos confirmados ocorreram em 250 municípios, localizados em 15 unidades da federação: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Pará, Rondônia, Goiás, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.
A pasta esclarece que está investigando todos os casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso central informados pelos estados e a possível relação com o vírus Zika e outras infecções congênitas. Diz ainda que a microcefalia pode ter como causa diversos agentes infecciosos além do Zika, como Sífilis, Toxoplasmose, Outros Agentes Infecciosos, Rubéola, Citomegalovírus e Herpes Viral.
As investigações começaram no dia 22 de outubro do ano passado. Ao todo, foram registrados 5.909 casos em 1.143 municípios de 25 unidades da federação. A região Nordeste concentra 81% dos casos notificados, sendo que Pernambuco continua com o maior número de casos que permanecem em investigação (1.672), seguido dos estados da Bahia (817), Paraíba (810), Rio Grande do Norte (383), Ceará (352), Rio de Janeiro (261), Alagoas (222), Sergipe (192) e Maranhão (192).
O Ministério da Saúde confirmou 641 casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso, sugestivos de infecção congênita, de acordo com novo boletim divulgado hoje (1º) pela pasta. Outras 1.046 notificações foram descartadas, mas o ministério e os estados investigam ainda 4.222 casos suspeitos em todo o país.
1/3/2016 às 10h40 (Atualizado em 1/3/2016 às 10h48)

A mulher de 90 anos que recusou tratamento de câncer para rodar o mundo

Mesmo em uma cadeira de rodas, Norma não se abate: 'Estou muito bem'
Em vez de se tratar contra um câncer, Norma optou por viajarBBC/facebook.comDrivingMissNorm
Em julho passado, pouco depois de um câncer ser detectado em seu marido, a americana Norma descobriu ter ela própria um tumor nos ovários.
O quadro de seu companheiro, Leo, evoluiu rápido e, após ele falecer, a senhora de 90 anos foi a uma consulta com seu médico no Estado de Michigan.
As opções de tratamento, ele disse, eram a mais comuns nestes casos: uma cirurgia para extrair o tumor, seguida por aplicação de radiação e sessões de quimioterapia. O que ninguém esperava era qual seria a reação de Norma: "Tenho 90 anos de idade, vou viajar".
E assim o fez. Vendeu sua casa — não queria passar pelo trauma de voltar ao lar que compartilhou com seu marido, com que ficou casada por 67 anos — e comprou um trailer para sair pelo mundo.
Agora, prestes a completar 91 anos na próxima semana, está há mais de 180 dias na estrada.
Aventura
Norma já percorreu centenas de quilômetros. Voou de balão em Palm Springs, na Califórnia, visitou a Disneyworld, na Flórida, foi ao monte Rushmore, na Dakota do Sul, viu bisões no parque nacional de Yellowstone e se assombrou com o Grand Cânion, no Colorado.
Em Nova Orleans, visitou o museu sobre a Segunda Guerra Mundial, onde foi recebida com honra — ela trabalhara como enfermeira durante o conflito.
É possível acompanhar suas aventuras pela página no Facebook "Driving Miss Norma " (Conduzindo Miss Norma, em inglês), que tem 70 mil seguidores.
Entre eles, estão pessoas cujos parentes padeceram de câncer e gente que não passou por isso, mas encontra na sua história uma inspiração.
Norma viaja acompanhada de seu filho, Tom, sua nora, Ramie, e seu cão, Ringo.
A próxima etapa da jornada será o Estado da Georgia, no sul dos EUA, para "desfrutar de sua história, beleza natural e comida deliciosa".
"Sinto-me bem. Saio por aí todos os dias empurrando minha cadeira de rodas. Estou muito bem para minha idade", comenta Norma em um e-mail enviado por sua nora.
Ramie ainda se assombra com a experiência. Comenta que, felizmente, a sogra não sente dores, tem total consciência do que faz e está adorando viajar.
Afirma que é maravilhoso ver seus olhos brilharem mesmo com a "intensa dor" que sente pela perda de seu marido e, antes dele, do irmão.
Na visita ao médico, a família disse que apoiava completamente sua decisão e que a levaria aonde quisesse ir. O doutor disse, então, a eles: "Avante!".
"Como médicos, vemos todos os dias o rosto do tratamento contra o câncer. Cuidados intensivos, asilos, efeitos colaterais terríveis e, francamente, não existe garantia nenhuma de que ela sobreviveria à cirurgia para retirar o tumor", disse o médico, diante da expressão de espanto de um estudante de medicina que o acompanhava.
"Vocês estão fazendo exatamente o que eu faria em uma situação como essa. Tenham uma viagem magnífica!"
Várias semanas depois, Norma segue viajando. Sua mais recente etapa a levou ao Castelo de São Marcos, na Flórida, e, em uma foto recente, Norma é vista completando um quebra-cabeças ao lado do seu cão.
Sua nora diz que a família está surpresa com a repercussão da história. "Passamos os dias com lágrimas nos olhos lendo as centenas de mensagens repletas de carinho e apoio", afirma Ramie.
"Conversar sobre o fim da vida não é simples. Então, esperamos que nossa história incentive outras famílias a falar abertamente sobre um assunto tão difícil."
1/3/2016 às 11h06 (Atualizado em 1/3/2016 às 15h09)

Presidente Prudente (SP) registra 8.300 notificações de dengue

Ocorreram ainda dez mortes com suspeita da doença na cidade
Mosquito Aedes é transmissor de três doenças no BrasilFERNANDO DA HORA/JC IMAGEM/ESTADÃO CONTEÚDO
Números da Vigilância Epidemiológica Municipal divulgados na segunda-feira (29) mostram que Presidente Prudente, no oeste do Estado de São Paulo, teve notificados 8.349 casos de dengue neste ano. Desses, 3.273 já são registros positivos da doença. Desse total, 1.114 foram confirmados em fevereiro. Ocorreram ainda dez óbitos com suspeita de dengue na cidade, dos quais cinco foram confirmados por exames em laboratório oficial.

Em um dos casos em investigação, um jovem de 17 anos, que morreu no último dia 24, no Hospital Regional, teve sintomas de dengue e também foi diagnosticado com a síndrome de Guillain-Barré.

O elevado número de casos de dengue está deixando a população assustada. No ano passado, o município foi um dos poucos da região a não ter epidemia da doença. Em 2013, quando Presidente Prudente teve o maior número de casos, a dengue infectou 3.730 pessoas.

Nesta terça-feira (1º), palestras sobre a doença serão realizadas em escolas da cidade. Mutirões para o controle do mosquito também foram intensificados.
Fonte: http://noticias.r7.com/saude/presidente-prudente-sp-registra-8300-notificacoes-de-dengue-01032016
1/3/2016 às 11h23 (Atualizado em 1/3/2016 às 11h27)

Dengue avança em todas as regiões do País e chega a 200 registros por hora

Considerando os dados até 6 de fevereiro, foram notificados 170.103 casos da doença no Brasil
Boletim oficial mostra uma queda nos registros paulistas pela metade — de 65.408 para 32.45Agência Estado
O número de casos de dengue aumentou 130% em duas semanas e ultrapassa 200 registros por hora no País. Considerando os dados até 6 de fevereiro, foram notificados 170.103 casos da doença no Brasil, ante os 73.872 registros do balanço fechado em 23 de janeiro. Em relação ao ano passado, que teve recorde histórico de notificações, também houve aumento no número de registros: foram 116.452 no mesmo período.

No primeiro boletim oficial do ano, havia o registro de dois casos por minuto, 120 por hora. Três semanas depois, esse número já supera 3 por minuto. O número de mortes, no entanto, caiu. Entre 3 de janeiro e 6 de fevereiro, foram nove. No mesmo período de 20015, houve 103.

Enquanto crescem as preocupações com o vírus zika, a dengue, outra doença transmitida pelo Aedes aegypti, apresenta avanço em todas as regiões do País. Desde o primeiro boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, que continha dados das duas primeiras semanas epidemiológicas, o Sudeste lidera em registros: no mais recente, relata 96.664 casos, seguido de Nordeste (25.636), Centro-Oeste (25.246), Sul (13.522) e Norte (9.035).

O professor de infectologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Celso Granato disse que sempre que aumenta a tensão para notificação, costuma ter um aumento maior que o habitual do número de casos.
— Ter ao mesmo tempo uma epidemia de zika causa um grau de atenção maior.

Granato, que também é diretor clínico do Grupo Fleury, diz que o número expressivo de registros não o surpreende.
— Estávamos esperando. Sempre que temos relatos no período intercrítico (fora do verão) é um prenúncio de que vai ter um aumento de casos. No ano passado, por exemplo, houve registros de dengue no Estado de São Paulo até em meses de frio, fora da época de pico da doença.
No entanto, o boletim oficial mostra uma queda nos registros paulistas pela metade — de 65.408 para 32.453, considerando as cinco primeiras semanas do ano. O avanço no Sudeste foi alavancado por Minas, que passou de 6.517 para 48.098 notificações no período analisado. 

Trabalho constante

O infectologista da Unifesp destaca que, para controlar a epidemia, é necessário que os trabalhos de combate ao mosquito Aedes aegypti sejam constantes - não bastando apenas os mutirões.
— As pessoas negligenciaram a dengue, baixaram a guarda. Mas ainda tem muita gente que não teve a doença. Entre instituir uma mudança e termos resultados, pode demorar de três a seis meses. É importante que as ações continuem.

O balanço do Ministério da Saúde traz ainda a lista de municípios mais afetados pela dengue. Ribeirão Preto, no interior paulista, é o líder em registros nas cidades com população entre 500 mil e 999 mil habitantes desde o primeiro levantamento, que considerava as duas primeiras semanas do ano.

Chikungunya e zika

A transmissão autóctone da febre chikungunya foi registrada em 14 unidades federativas desde 2014, quando o vírus chegou ao País. Não há registros de óbitos neste ano, mas três pessoas morreram por causa da doença na Bahia e em Sergipe em 2015.

O novo boletim relata ainda que casos autóctones de zika foram registrados em 22 unidades da federação. Houve duas mortes, no Maranhão e no Pará, com suspeita de relação com o zika - confirmadas em exames laboratoriais.
1/3/2016 às 11h49

PE: dificuldade de acessar benefício é entrave a mães de bebês com microcefalia

Benefício de R$ 880, é concedido a pessoas de baixa renda, com deficiência física ou mental
Andreia com o filho João Lucas, de 6 meses, que tem microcefalia. Ela precisa se deslocar 185 quilômetros em busca de tratamento. A espera pelo atendimento do INSS chega a mesesSumaia Villela/Agência Brasil
Três vezes por semana, Andreia de Andrade, de 24 anos, pega uma lotação da cidade onde mora, Belo Jardim, e percorre 185 quilômetros até o Recife para chegar a uma das unidades de saúde da capital pernambucana, onde o filho, João Lucas, de seis meses, faz um tratamento que vai durar por toda a vida. Ele tem microcefalia. A cada viagem, ela paga R$ 100 ao motorista. Para ajudar nas contas, a jovem tenta dar entrada no Benefício de Prestação Continuada, do governo federal, mas a espera para conseguir atendimento no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) é de meses.
— Logo depois que ele nasceu, eu entrei com o pedido. O agendamento da perícia ficou para logo depois do carnaval, dia 11 de fevereiro. Quando cheguei na agência da minha cidade, disseram que não tinha perito especializado em microcefalia, então não era possível fazer o atendimento. Remarcaram para o dia 4 de abril. Acho que, se lá não tem o perito, deveriam me mandar para outro canto que tivesse.
O benefício, no valor de R$ 880, é concedido a pessoas de baixa renda, de qualquer idade, com deficiência de natureza física ou mental que tenham impedimentos de longo prazo, mesmo que não tenham contribuído com a Previdência Social. Por enquanto, Andreia só conta com o salário mínimo do marido para arcar com as despesas mensais. Ela era vendedora, mas saiu do emprego ainda grávida.
— Meu chefe falou que a vaga era minha, quando eu quisesse. Mas, agora, não posso mais voltar. Quem vai cuidar do meu filho?

Como os gastos já ultrapassam os ganhos, Andreia conta que só estão conseguindo se deslocar com a ajuda financeira de parentes. O transporte gratuito da prefeitura não tem mais lugar, de acordo com a ex-vendedora.
— Estou aguardando vaga. Não posso perder as consultas, então tenho que dar um jeito de trazer [para o Recife]. Ficar sem atendimento a criança não pode. A Secretaria de Saúde de lá [Belo Jardim] deveria ter uma estrutura lá. Não tem hospital há mais de um ano, porque foi fechado para reforma, e a policlínica não tem estrutura que atenda as necessidades do tratamento. No município, é feito apenas o acompanhamento com fonoaudiólogo e fisioterapeuta.
Demora no INSS
De acordo com o superintendente do INSS no Nordeste, Rolnei Tosi, não existe a necessidade de contratação de um especialista em microcefalia para realizar a perícia em bebês com a malformação.
— Não recebi nenhum caso em que o médico se recusou a fazer esse tipo de atendimento. Se já vem todo o laudo, com todos os documentos que a pessoa está com microcefalia, ela é considerada uma deficiente e pode ser concedido o benefício.
O superintendente afirmou que vai pedir à agência do município informações sobre o motivo do reagendamento, pois, segundo ele, a falta de atendimento também não poderia ocorrer por falta de profissionais e, caso necessário, Andreia poderia marcar a perícia em outra cidade, onde a fila estivesse menor.
— Se abriu agenda no interior é porque o médico vai estar lá. Mas isso não restringe que a pessoa só possa ser atendida no interior. Ela vendo que tem como ser atendida no Recife pode vir tranquilamente.
Mesmo assim, o caso da moradora de Belo Jardim não é isolado: a demora para fazer a perícia existe. Um dos motivos é a quantidade alta de procedimentos que não foram realizados nos últimos meses por causa da greve dos médicos peritos, que durou mais de cinco meses e acabou no dia 22 de fevereiro. Agora, todos os atendimentos têm que ser realizados de uma só vez.
— Por conta da greve, realmente, algumas agências chegam até a 90 dias [para agendar perícia], mas estamos dando prioridade a casos mais complexos.
Em Pernambuco, 30 pedidos para acessar o Benefício de Prestação Continuada já foram feitos por famílias cujo bebê tem microcefalia: cinco no Recife, 15 na gerência de Caruaru, oito na de Garanhuns e três na de Petrolina. Apenas os cinco casos do Recife já passaram por perícia. De acordo com o superintendente do INSS, até sexta-feira (1º) nenhum deles havia recebido a primeira quantia.
Até na capital o tempo de espera passa de um mês, pelo menos no caso de Alice Gabrielly Santana da Paz, de 16 anos, moradora do Cabo de Santo Agostinho, litoral sul de Pernambuco. O filho dela, João Heitor, tem dois meses. Ela buscou o benefício quando o bebê tinha 15 dias, mas a perícia só foi marcada para a última sexta-feira (26).
— O pai é pedreiro, mas foi demitido há pouco tempo. Eu não trabalho, estou morando na casa da minha mãe. O menino ainda pegou uma alergia à fralda barata. Esse dinheiro iria ajudar bastante, pelo menos saberia que tenho como arcar com essas coisinhas do meu filho.
Mutirões
“Estamos fazendo mutirões para atender toda a demanda. São três a quatro perícias a mais por dia. Algumas gerências estão se propondo a fazer mutirão no fim de semana, só para fazer perícia médica, e a orientação é encaixar os casos de microcefalia nesses agendamentos extras. A gente está solicitando que o pessoal do atendimento identifique esses casos para adiantar nos mutirões”, detalhou o superintendente do INSS.
Uma questão burocrática, no entanto, impede que os processos desses bebês sejam identificados com precisão. É que não existe, no sistema usado pelo INSS, um código específico para a malformação, então só é possível saber se o caso está ligado à microcefalia quando a assistência social pergunta isso à mãe e indica essa característica à agência. Tosi anuncia medidas para contornar a falha técnica.
— Esta semana vamos fazer encontro com gerentes do Nordeste para colher opiniões de como vamos tratar esses casos, por enquanto que o sistema não tem essa funcionalidade.
Além disso, o Hospital Universitário Oswaldo Cruz, da UPE (Universidade de Pernambuco), referência no diagnóstico desses bebês, realizou palestras para que os funcionários do INSS entendam mais profundamente a doença.
Troca de experiências
Para resolver questões como a falta de transporte e estrutura para o tratamento dos bebês com microcefalia, tirar dúvidas e até para se apoiarem emocionalmente, as mães dessas crianças estão se organizando em grupos e encontros.
Em Belo Jardim, Andreia já conseguiu reunir 13 mulheres que passam pelo mesmo desafio.
— Quando descobri que meu filho tinha microcefalia, eu postei uma mensagem no grupo de mães da cidade no Facebook, perguntando se tinha alguém na mesma situação. Aí foi aparecendo.
Elas se comunicam por um grupo de whatsapp, e já fizeram o primeiro encontro presencial no fim de janeiro – “para conhecer os bebês”, sorri Andreia. Mas não são só os laços afetivos que se fortalecem. A falta de transporte gratuito municipal para levar os bebês em consultas no Recife, por exemplo, está em discussão.
— Estamos nos juntando para ir à prefeitura e ver como eles podem nos ajudar.
Até a troca de informações a respeito dos cuidados com as crianças são repassados no grupo.
— Tem mães que os bebês ainda não tiveram nenhum atendimento mais aprofundado. Então a gente que vem, se desloca, pode passar alguma informação para elas porque muitas não vêm por questão financeira.
1/3/2016 às 13h02 (Atualizado em 1/3/2016 às 21h07)

Jovem de 25 anos com diabetes morre após hospital esquecer insulina

Pai desabafa e diz que não sabe como esqueceram remédio da filha
A jovem Katie Powell, 25 anos, morreu três dias após ser internada. De acordo com o pai dela, Matthew, 47 anos, o hospital se esqueceu de aplicar insulina na menina, que tinha diabetes tipo 1
A jovem Katie Powell, 25 anos, morreu três dias após ser internada. De acordo com o pai dela, Matthew, 47 anos, o hospital se esqueceu de aplicar insulina na menina, que tinha diabetes tipo 1.
Segundo o site Daily Mail, às autoridades policiais ele afirmou que ninguém da equipe assumiu a responsabilidade de administrar a medicação em sua filha. 
Segundo o site Daily Mail, às autoridades policiais ele afirmou que ninguém da equipe assumiu a responsabilidade de administrar a medicação em sua filha.
— No hospital, eles sabiam que minha filha era diabética. Mas por algum motivo esqueceram de dar insulina 
— No hospital, eles sabiam que minha filha era diabética. Mas por algum motivo esqueceram de dar insulina.
 De acordo com a publicação, ela sentiu uma dor muito forte do lado esquerdo do corpo, antes de morrer 
De acordo com a publicação, ela sentiu uma dor muito forte do lado esquerdo do corpo, antes de morrer.
 A morte prematura de Katie repete a história de sua mãe, que morreu há 18 anos. A mulher veio a óbito aos 29 anos e chegou a ficar na cadeira de rodas por causa da doença
A morte prematura de Katie repete a história de sua mãe, que morreu há 18 anos. A mulher veio a óbito aos 29 anos e chegou a ficar na cadeira de rodas por causa da doença.
1/3/2016 às 00h20 (Atualizado em 1/3/2016 às 15h14)

Síndrome na qual pessoa pensa que está morta é desafio que assusta até médicos

Conhecida como síndrome de Cotard, mesmo rara ela levanta várias questões humanas
Na literatura o tema da morte costuma estar presenteFotos Públicas/Marcos Santos/USP Imagens
Um dos fenômenos que mais intrigam e assustam o ser humano é a morte. O que estaria do outro lado dos muros da vida? Que elemento é esse que condiciona a existência desde o nascimento, fazendo os homens muitas vezes digladiarem-se para evitá-la ou se renderem aderindo a ela de forma simbólica?
Boa parte dos corruptos também delira em relação à vida. Simbolicamente, eles dizem: "eu não posso nada, sou um nada, só consigo ganhar dinheiro roubando. A vida exposta pela realidade não existe." Em várias ocasiões, eles costumam fugir da ideia da morte em vida, mas no fundo a incorporam em seus atos. E têm a ilusão da onipotência, achando que a morte se esqueceu deles.
Nessa tênue linha da sanidade, fica difícil dizer que um paciente da síndrome de Cotard não revela, mesmo que incluído em uma forma rara e grave de patologia psíquica, muito das questões humanas. Também conhecida como Sindrome da Negação e registrada pelo médico francês Jules Cotard em 1882, após se deparar com cinco casos clássicos, a doença revela uma melancolia em seu limite máximo, no qual o paciente tem a certeza de que está morto ou de que seus órgãos estão apodrecidos e malcheirosos.
Tal situação é tão extremada que pode assustar até os médicos, conforme se constata no relato da psicanalista Dayse Stoklos Malucelli em sua tese de mestrado Síndrome de Cotard: uma investigação psicanalítica, da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), apresentada em 2007. Ela demonstra não concordar com o fato de muitos médicos se acomodarem com a ideia de que somente os medicamentos antidelirantes resolvem o problema.
— Os psiquiatras que se ocupam desses delirantes são testemunhas da exuberante manifestação da dor e do sofrimento deles, ultimamente muitas vezes mascarados pelos medicamentos. A convocação da escuta do analista diante desse grave quadro talvez desvele o que é ainda pior, ou seja, a insuportabilidade da escuta das cantilenas tristes niilistas sobre a morte.
A questão dos medicamentos
Os medicamentos antipsicóticos são importantes mecanismos de controle. E devem ser usados, segundo os especialistas, principalmente em momentos críticos. Mas não podem, segundo outra corrente que cresce cada vez mais, ser colocados como o único tratamento para tal patologia.
Nietzche, o filósofo alemão, diria que tal situação de delírio mortífero, se colocado de maneira simbólica, é humano, demasiado humano. Tão humano que, do alto do pedestal da literatura, escritores se sentem autorizados a revelar seu lado Cotard, presente em grandes obras literárias.
Que o digam Machado de Assis (O Alienista); Fernando Pessoa (Na Floresta do Alheamento); Álvares de Azevedo (O Conde Lopo); Antero de Quental (Sepultura Romântica); Olavo Bilac (In Extremis); João Cabral de Melo Neto (Morte e Vida Severina); Graciliano Ramos (Memórias do Cárcere); William Shakespeare (Macbeth); Fiódor Dostoiévski (Crime e Castigo); Franz Kafka (A Metamorfose) e tantos outros.
Desde a mitologia grega até a literatura moderna, o tema da morte ou da fragilidade do homem diante da vida está presente. Sigmund Freud dizia que é comum os poetas e escritores saberem até mais dos males da alma do que os psicanalistas. O pássaro Fênix, na lenda grega, entrava em combustão quando morria e renascia de suas cinzas. Da mesma maneira que o paciente de Cotard, que carrega a dor da nulidade o tempo inteiro, a ave carregava pesos enormes, até maiores do que de elefantes. 
A melancolia, portanto, é uma realidade da alma "delirante" do homem. A questão do diagnóstico de Cotard, conforme Dayse deixa transparecer, não exclui outras patologias que podem mascarar e impedir de todas as maneiras que o paciente pelo menos seja realmente ouvido para se entender o porquê de ele se sentir morto estando vivo.
— Com alguma frequência são ouvidos neuróticos com um discurso muito próximo ao da Síndrome de Cotard, no sentido do horror a falências, da paúra de perder seus objetos em alguma situação sinistra, de morar na rua, de sofrer por doenças, abandonos, solidão. 
Sem vaidades
O psicólogo Vicente Lopes de Araújo Junior, formado pela Universidade São Francisco, destaca que pacientes com Síndrome de Cotard têm um tipo de alucinação específico.
— Esses delírios são ligados à percepção em relação ao corpo, do tipo "eu morri", "eu não existo", "estou vazio", "meus órgãos estão cheirando mal". São os chamados delírios encapsulados, que estão sempre vinculados a um mesmo delírio.
Dayse, em seu trabalho, coloca que os médicos devem despir-se de qualquer tipo de vaidade ou dogma, no momento em que se deparam com pacientes ligados à Síndrome de Cotard. Segundo ela, o profissional entra em uma "viagem transplanetária, em que as referências são outras e o analista se vê na injunção de abandonar dogmas e cânones até então muito navegados."
— Escutar um melancólico de Cotard exige que se esteja muito além das guerras de prestígio, das fogueiras das vaidades ou dos narcisismos intocáveis. 
O desafio do médico, então, é realmente ouvir o que o paciente tem a dizer, além de suas repetições. Caso ele se prenda à concretude das queixas do doente, estará corroborando e concordando com o delírio. Aceitando que, sem medicamento, o paciente é um caso perdido, como o próprio acredita. E fazendo jus à frase de Dante Alighieri, no trecho do Inferno na Divina Comédia: "Deixai, ó vós que entrais, toda a esperança". Bem como alguém com Cotard faz.
Talvez não haja trabalho psicanalítico mais árduo do que este. Certamente irá demorar anos. Ou nunca acabar. Mas a desistência em relação a alguém com esta síndrome de morte revelaria o fracasso do próprio psicanalista na ajuda para que o paciente encontre pelo menos um rastro de seu Fio de Ariadne (também da mitologia grega), que ajudou Teseu a sair do labirinto do Minotauro.
Mesmo que ele recuse alimentos, por achar que estão envenenados ou que não tem estômago. Mesmo que não se lembre mais dos seus filhos. Mesmo que se considere um zumbi do seriado The Walking Dead. Mesmo que ele apresente tantos outros sintomas aparentemente insuperáveis. Há até caso de paciente que se atira na parede por considerar que, por não estar em um corpo, pode atravessar qualquer superfície. O sofrimento é atroz, mesmo em estado de transtorno.
A compreensão deste algo incompreensível é que tece esse fio que faz parte da essência humana. Qualquer um, de acordo com as palavras de Dayse, tem o direito de buscar seu Fio de Ariadne. Mesmo em um suposto "jogo com cartas marcadas". Mesmo que ele não consiga, ou não queira, renascer de suas próprias cinzas. Mas, pelo fato de estar vivo, ele precisa tentar. Mesmo que não saiba.