domingo, 1 de maio de 2016

France Presse27/04/2016 15h08 - Atualizado em 27/04/2016 15h08

Espermatozoide humano é criado a partir de células da pele

Experimento é um passo importante na resolução de problemas de fertilidade.
Espermatozoide criado, no entanto, ainda é incapaz de fecundar 

Figura mostra evolução das células durante experimento que criou espermatozoides a partir de células da pele (Foto: Scientific Reports/Divulgação) 

Figura mostra evolução das células durante experimento que criou espermatozoides a partir de células da pele (Foto: Scientific Reports/Divulgação)

Cientistas de Valencia (leste da Espanha) conseguiram criar espermatozoides humanos a partir de células da pele que, embora sejam incapazes de fertilização, representam um passo importante na resolução de problemas de fertilidade, explicaram nesta quarta-feira à AFP.

Cerca de 15% dos casais do mundo enfrentam este problema: não podem ter filhos e sua única opção é a doação de óvulos ou de esperma de terceiros.

"Mas todo mundo quer ter filhos geneticamente próprios", explica à AFP Carlos Simón, diretor científico do Instituto de Infertilidade de Valencia (IVI).

"O que acontece quando uma pessoa que quer uma criança carece de gametas (células reprodutivas, ovócitos ou espermatozoides)? Este é o problema que queremos resolver: criar gametas naquelas pessoas que não possuem", afirmou Simon.

O estudo, realizado pelo IVI em colaboração com a Universidade Americana de Stanford, foi publicado na terça-feira na revista Scientific Reports, do prestigioso grupo Nature.

Os pesquisadores foram inspirados pela técnica de reprogramação celular concebida pelo japonês Shinya Yamanaka e o britânico John Gurdon, premiados em 2012 com o Prêmio Nobel de Medicina, para converter células adultas em células-tronco.

Em sua experiência, eles conseguiram reprogramar diretamente as células maduras da pele introduzindo-lhes um coquetel de genes essenciais para a criação de gametas.

Em um mês, a célula começa a ser modificada até obter o perfil próprio de uma célula germinal, o tipo de célula responsável pela formação de ovócitos e espermatozoides, mas ainda incapazes de fecundar.

"É um espermatozoide, mas precisa de uma fase de maior maturidade para se tornar um gameta competente. É apenas o começo", disse Simon.

Os pesquisadores ainda estão longe de atingir o êxito de alguns pesquisadores chineses, que produziram este ano ratos de espermatozoides artificialmente criados e injetados em um óvulo, que, por sua vez, foi implantado em uma fêmea.

"Com a espécie humana, teremos de fazer muitos testes porque daqui nascerá uma criança", disse ele.

Além disso, vão encontrar limitações legais: para continuar o desenvolvimento da técnica deverão criar embriões artificiais, algo que só é permitido em alguns países como a Inglaterra, onde pretendem continuar a sua pesquisa. "Estamos falando de um projeto de longo prazo", disse Simon.

Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2016/04/espermatozoide-humano-e-criado-a-partir-de-celulas-da-pele.html
France Presse27/04/2016 15h44 - Atualizado em 27/04/2016 15h44

Vírus estomacal dá prejuízo de US$ 64 bi ao ano no mundo, diz estudo

Norovírus infecta quase 700 milhões pessoas e mata cerca de 219 mil por ano.
Sintomas incluem náusea, diarreia e vômitos.

Imagem de micrografia eletrônica de transmissão mostra a estrutura morfológica do norovírus  (Foto: CDC/ Charles D. Humphrey) 

Imagem de micrografia eletrônica de transmissão mostra a estrutura morfológica do norovírus (Foto: CDC/ Charles D. Humphrey)

O norovírus, um vírus estomacal comum, altamente contagioso e que pode levar à morte, causa prejuízos estimados em cerca de 64 bilhões de dólares por ano no mundo, segundo uma pesquisa realizada na Universidade de Johns Hopkins do estado americano de Maryland.

De acordo com o estudo, publicado nesta terça-feira na revista científica PLOS ONE, os custos estão associados principalmente à redução da produtividade.

"Em geral, só se ouve falar do norovírus quando as pessoas ficam doentes em cruzeiros ou em restaurantes, mas ele está por toda parte", disse a autora do estudo Sarah Bartsch.

"Não importa a sua idade, se você está em um país rico ou em um país pobre, nem se já pegou o norovírus antes. Você pode se contagiar de novo, e é realmente desagradável", afirmou a pesquisadora.

Os sintomas incluem náusea, diarreia e vômitos. Não há vacina para prevenir o contágio, nem remédios para o tratamento.

O norovírus infecta quase 700 milhões pessoas e mata cerca de 219.000 por ano em todo o mundo, gerando gastos de saúde no valor de 4,2 bilhões de dólares e prejuízos sociais e econômicos de cerca de 60,3 bilhões de dólares, segundo o estudo.

Estima-se que o rotavírus, que também causa diarreia e é perigoso principalmente para os bebês, custava ao mundo dois bilhões de dólares anualmente antes do desenvolvimento da vacina que previne seu contágio.

"Os gastos associados ao norovírus são altos - maiores dos que os de muitas doenças, incluindo o rotavírus, que recebe muito mais atenção", disse outro autor do estudo, Bruce Lee, professor-adjunto no departamento de saúde internacional da Universidade de Johns Hopkins.

"Nosso estudo traz um argumento econômico para que se preste mais atenção ao norovírus. Ele passou despercebido por tempo demais", diz o pesquisador.

Para prevenir a propagação do norovírus, deve-se lavar as mãos regularmente e evitar o contato com pessoas infectadas.

Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/04/virus-estomacal-da-prejuizo-de-us-64-bi-ao-ano-no-mundo-diz-estudo.html
BBC28/04/2016 08h23 - Atualizado em 28/04/2016 13h58

Como confundi um ataque cardíaco com uma indigestão

Nem todos os ataques cardíacos começam com uma pontada no peito como costuma ser retratado nos filmes e os sintomas não são os mesmos para todas as pessoas.

Confundir um ataque cardíaco com uma indigestão é mais comum do que pode parecer.

Melanie experimentou vários sintomas de um ataque cardíaco, mas pensou que era uma indigestão (Foto: Melanie Mully) 

Melanie experimentou vários sintomas de um ataque cardíaco, mas pensou que era uma indigestão (Foto: Melanie Mully)

Na verdade, nem todos os ataques cardíacos começam com uma pontada no peito como costuma ser retratado nos filmes.

E os sintomas não são os mesmos para todas as pessoas.

"Muitos (infartos) começam devagar, com dor e leve desconforto, outros são conhecidos como 'silenciosos', porque não causam sintomas", dizem especialistas do Instituto Nacional do Coração, dos Pulmões e do Sangue dos Estados Unidos (NHLBI, na sigla em Inglês ).

E em outros momentos, esses sinais se assemelham aos de uma indigestão ou azia.

Isso foi exatamente o que aconteceu com Melanie Mully. Felizmente, uma chamada fortuita salvou sua vida.

Indigestão?
Parecia um dia como qualquer outro.

Melanie, 38, estava fazendo compras com sua filha Alice, que estava, então, com 11 meses. De repente, se sentiu tonta e começou a sentir uma dor parecida a de uma indigestão.

"Em um momento me deu um sufoco e de repente comecei a suar", disse Melanie à BBC Mundo.

Melanie começou a se sentir mal, mas aos poucos o desconforto foi passando e ela decidiu não prestar muita atenção a ele.

"Mais tarde, subindo uma colina enquanto empurrava o carrinho de bebê, meus braços começaram a doer", diz.

Mas em nenhum momento ela pensou que estava tendo um ataque cardíaco. "Não liguei uma coisa à outra", explicou Melanie.

"Apenas pensei que o carrinho estava pesado e que era normal, porque estava subindo um morro."

Esse dia acabou no hospital, onde ela passou três semanas depois de um coma induzido.

Melanie teve que adiar seu casamento, que estava marcado para cinco dias depois do acidente, e também as comemorações do primeiro aniversário da filha.

Ela sofreu três sintomas típicos de um ataque cardíaco (tonturas, sudorese e dor no braço e estômago), mas não o viu chegando, apesar dos sinais claros de alerta.

E seu caso não é isolado. De acordo com a nova pesquisa da Fundação Britânica do Coração (BHF, na sigla em inglês), metade das pessoas que sofrem um ataque cardíaco leva dias para procurar tratamento médico e mais de 80% não reconhecem os sintomas.

Atenção aos sinais
"Nem todas as pessoas que têm um ataque cardíaco têm sintomas típicos", explicam especialistas do NHLBI.

E advertem: "Quanto mais sinais e sintomas você têm, mais provável é que esteja tendo um ataque cardíaco."

De acordo com especialistas, os sintomas "podem ocorrer de repente, mas também podem aparecer lentamente, durante horas, dias ou mesmo semanas antes do ataque."

Especialistas alertam que é necessário conhecer os sinais de alerta para "buscar ajuda o mais rápido possível".

"Quanto mais cedo você tiver ajuda de emergência, menos danos sofrerá o coração", informa o BHF.
No caso de Melanie, foi um telefonema que salvou sua vida.

"Eu liguei para um amiga, mas não me lembro dessa conversa. Ela disse que eu não falava claramente e percebeu que algo ruim estava acontecendo", diz.

"Felizmente, minha amiga chamou os serviços de emergência, que vieram à minha casa em 10 minutos."

Cinco anos se passaram desde o incidente e, apesar de suas memórias daquele dia serem "um pouco confusas", Melanie não esqueceu a lição.

"Tento viver cada dia ao máximo e me sinto muito sortuda de estar viva. Tudo poderia ter terminado muito pior."

Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/04/como-confundi-uma-indigestao-com-um-ataque-cardiaco.html
28/04/2016 10h44 - Atualizado em 28/04/2016 14h06

Tremor pode não ser o primeiro sintoma da doença de Parkinson

Doença é degenerativa e atinge cerca de 200 mil brasileiros.
Parkinson afeta o olfato, intestino, sono e o jeito de andar.

O Parkinson é uma doença degenerativa que atinge cerca de 200 mil brasileiros e os primeiros sintomas nem sempre são os tremores. Quem tem a doença tem que se superar a cada dia. Para tirar dúvidas sobre o assunto, o Bem Estar desta quinta-feira (28) convidou a neurocirurgiã Alessandra Gorgulho e o neurologista Luiz Augusto Andrade.

Por ser degenerativa, a doença de Parkinson prejudica os movimentos mais automáticos do corpo, ocasionando rigidez nos músculos, postura encurvada, dificuldade de marcha, lentidão nos movimentos, perda de equilíbrio e tremores. O diagnóstico pode demorar, pois leva em conta a observação dos sintomas.

Apesar de ser o sinal mais característico, nem todo mundo que possui tremor tem Parkinson. Em estágios mais avançados, outros sintomas se somam aos mais comuns: sono agitado, intestino preso, dificuldade de fala, alteração cognitiva e demência.

Os tratamentos atuais servem para atenuar e controlar os sintomas, ainda não sendo possível frear a progressão da doença. Já o exercício físico é indicado para desenferrujar os movimentos automáticos, estimulando a maleabilidade.

Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/04/tremor-pode-nao-ser-o-primeiro-sintoma-da-doenca-de-parkinson.html 
BBC29/04/2016 08h23 - Atualizado em 29/04/2016 08h28

Após cirurgia nos EUA, menina brasileira de 2 anos enxerga a mãe pela 1ª vez

Nicolly Pereira nasceu cega e quase surda; após sete cirurgias malsucedidas no Brasil, seus pais a levaram para Miami para mais uma tentativa.

Rafael BarifouseDa BBC
"Você está vendo". Daiana Pereira, mãe da pequena Nicolly, esperou dois anos para poder dizer estas palavras. E em março, após a filha passar por uma cirurgia em Miami, nos Estados Unidos, ela finalmente pôde dizê-las.

Daiana e Nicolly após a cirurgia nos EUA (Foto: Andrei Iglesias) 
Daiana e Nicolly após a cirurgia nos EUA (Foto: Andrei Iglesias)

Quando Nicolly nasceu, seu pai notou algo estranho. Durante os dois primeiros dias de vida, ela manteve os olhos fechados, algo incomum entre recém-nascidos. Em uma madrugada, quando ela finalmente os abriu, Daiana, de 26 anos, teve a certeza de que havia um problema.

"Seus olhos estavam inteiramente brancos. O oftalmologista diagnosticou um glaucoma e uma opacidade da córnea", conta a mãe à BBC Brasil.

"Não conhecia a doença nem tinha noção da gravidade da situação. Só queria que ela enxergasse."
Nicolly não enxergava por causa de um glaucoma e de uma opacidade da córnea  (Foto: Arquivo pessoal/BBC) 
Nicolly não enxergava por causa de um glaucoma e de uma opacidade da córnea (Foto: Arquivo pessoal/BBC)

Ao longo de apenas dois anos, Nicolly passou por ao menos três hospitais em Santa Catarina, onde a família morava, e São Paulo, e fez sete cirurgias para tentar corrigir o problema, sem sucesso.

Os médicos haviam indicado que não seria mais possível operá-la por causa das cicatrizes resultantes dos procedimentos aos quais ela já tinha sido submetida. Havia o risco de a criança perder os olhos caso fosse de novo para a mesa de cirurgia.

Após postar uma mensagem em um grupo no Facebook pedindo orações para a filha, Daiana passou a receber mensagens de pessoas que queriam ajudá-la. Uma delas morava nos EUA e passou a procurar hospitais no país que aceitassem o caso. Foram quatro recusas até uma médica de Miami topar tratá-la.

"Depois, ela contou que, ao ver a Nicolly, achou que tinha cometido um erro e não fosse possível operá-la", diz Daiana.

Campanha
Para ir aos Estados Unidos, a família lançou uma campanha online para arrecadar os US$ 17,5 mil (R$ 61,3 mil) necessários para a internação – a médica aceitou fazer a operação de graça.

Após dez dias e com uma ajuda substancial de um casal de filantropos americanos, a meta havia sido atingida.

Mas, uma vez em Miami, um outro médico diagnosticou que a menina também era surda: seus ouvidos estavam obstruídos por líquido.
'O impossível não existe. É uma questão de acreditar', diz a mãe de Nicolly  (Foto: Arquivo pessoal/BBC) 
'O impossível não existe. É uma questão de acreditar', diz a mãe de Nicolly (Foto: Arquivo pessoal/BBC)

"Percebíamos que era preciso colocar tudo no volume máximo para que ela pudesse ouvir, mas a correria era tanta por causa do seu problema de visão que ainda não havíamos conseguimos parar para fazer os exames de audição", conta a mãe.

Em 17 de março, Nicolly passou por duas cirurgias para corrigir a surdez e a cegueira. Havia a possibilidade de ela precisar de uma nova operação, mas sua recuperação foi tão boa que isso não foi necessário.

O momento em que as bandanas foram retiradas e Nicolly ouve e vê sua mãe pela primeira vez foram registrados em vídeo pela amiga que ajudou a família nos Estados Unidos.

"Sou uma pessoa contida, não choro na frente das pessoas, mas, naquele momento, não consegui me segurar. Fui tomada por uma sensação de leveza, por uma vontade de gritar: 'A gente conseguiu!'", diz Daiana.

Nos EUA, médicos também diagnosticaram que Nicolly era surda  (Foto: Arquivo pessoal/BBC) 
Nos EUA, médicos também diagnosticaram que Nicolly era surda (Foto: Arquivo pessoal/BBC)

"Todas as portas se fechavam quando o caso dela era analisado, mas a Nicolly mostra que o impossível não existe. É uma questão de acreditar e lutar por isso. Agora, um médico brasileiro será treinado para trazer a tecnologia usada no caso da minha filha para cá e, assim, ajudar outras crianças."

Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/04/apos-cirurgia-nos-eua-menina-brasileira-de-2-anos-enxerga-a-mae-pela-1a-vez.html
29/04/2016 12h24 - Atualizado em 29/04/2016 12h39

Professor corre 5 km seis meses após transplante pulmonar duplo

Eamonn Kelly nasceu com fibrose cística, doença que dificulta a respiração.
Corrida faz parte de um evento de caridade da escola.

Eamonn Kelly se prepara para o evento (Foto: Elana Alfred/AP) 

Eamonn Kelly se prepara para o evento (Foto: Elana Alfred/AP)

Seis meses após ser submetido a um transplante pulmonar duplo, o professor de ciências Eamonn Kelly vai participar de uma corrida de 5 km, em um evento de caridade, neste final de semana, em Boston, Estados Unidos. Kelly nasceu com fibrose cística, uma doença que afeta o sistema digestivo e reduz a capacidade pulmonar, tornando difícil a respiração.

O professor da escola St. Columbkille Partnership irá correr, neste sábado (30), para arrecadar dinheiro para bolsas e suporte financeiro dos estudantes.

“Achei que seria um bom marco, depois da operação. Mas também é um grande evento para a escola, que tem me dado bastante apoio e é uma comunidade maravilhosa”, disse Kellly.

Kelly foi encorajado pelo seu médico, já no dia seguinte à operação, a levantar da cama e andar. Tempos depois, ele começou correr 15 segundos por vez e gradualmente foi aumentando até os cinco quilómetros, deixando-o confiante de que poderá completar a prova deste final de semana. Ele acredita que sua capacidade pulmonar seja de 85 a 90 por cento.

Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/04/professor-corre-5-km-seis-meses-apos-transplante-pulmonar-duplo.html
29/04/2016 12h35 - Atualizado em 29/04/2016 12h52

Dilma autoriza prorrogação de contratos do Mais Médicos até 2019

Sem a MP, 71% dos profissionais teriam que deixar postos, diz governo.
Programa atende 63 milhões; são 18,2 mil médicos em 4.058 municípios.

Presidente Dilma Rousseff assina medida provisória que estende contratos do Mais Médicos até 2019 (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR) 

Presidente Dilma Rousseff assina medida provisória que estende contratos do Mais Médicos até 2019 (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

A presidente Dilma Rousseff assinou nesta sexta-feira (29) medida provisória que autoriza a prorrogação, por até três anos, dos contratos de profissionais estrangeiros no programa Mais Médicos. Segundo o governo, a regra evita que 12,9 mil profissionais de saúde sejam obrigados a deixar os postos de trabalho até o fim do ano. O número corresponde a 71% do programa.

“Essa autorização vai beneficiar a população imediatamente. São 7.005 médicos formados no exterior, aqueles que aderiram ao programa na primeira hora, que precisariam deixar seus postos agora em agosto. Com essa medida, nós garantimos que esses médicos permaneçam”, declarou Dilma.

Segundo o Planalto, outros 5.961 médicos também precisariam retornar para seus países até o fim do ano. Com a mudança, os contratos podem ser renovados até 2019, desde que haja concordância do profissional, da prefeitura e da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), nos contratos intermediados pela entidade.

A medida provisória também extingue a necessidade de um exame de revalidação do diploma, que era previsto como condição para renovar os contratos. Segundo Dilma, a mudança nas regras “iguala as condições de participação para médicos formados no Brasil e formados no exterior”.

“Nós sabemos que ainda não há profissionais formados no Brasil em número suficiente e, mais grave que isso, a maior parte das vagas está em localidades remotas e de difícil acesso, onde é difícil os médicos com registro no Brasil optarem por fixar residência. Daí a importância de ter esses médicos com permanência garantida. Agimos preventivamente para que a saúde do nosso povo continue recebendo a atenção necessária e os vazios assistenciais, onde não se via médico, não voltem a existir”, disse a presidente.

Cursos de medicina
O presidente da Frente Nacional de Prefeitos e prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, afirmou que a prorrogação dos contratos atende a demandas das prefeituras atendidas pelo programa. Os gestores municipais temiam o impacto negativo do esvaziamento dos centros de saúde no fim de julho, faltando três meses para as eleições de outubro.

"Não há dado mais preocupante na saúde pública do que lembrar que, até pouco tempo atrás, 700 municípios não tinham sequer um médico. Essa é a realidade que enfrentávamos, um símbolo dramático dessa carência", disse Lacerda.

No pronunciamento, o prefeito também cobrou publicamente que o Tribunal de Contas da União libere os processos de criação de 39 cursos adicionais de medicina, sem detalhar onde eles seriam instalados. O pedido foi encampado pela presidente, também em discurso público.

“Eu queria me solidarizar e apoiar a afirmação do prefeito Márcio Lacerda no sentido de se apressar a autorização para as 39 instituições que estão pendentes há oito meses de autorização no TCU”, declarou Dilma.

Em nota ao G1, o TCU não comentou as declarações. O órgão informou que os cursos foram propostos em um único edital de chamamento, que foi contestado e ainda está sob análise. Não há prazo para o julgamento das representações.

Em fevereiro, a ministra relatora Ana Arraes identificou que havia outros processos similares em andamento e retirou o tema de pauta, para que a tramitação seja unificada e não haja decisões conflitantes sobre o assunto. O sistema eletrônico do TCU mostra que novos documentos foram juntados ao processo na última quinta (28).

As denúncias apontam que o governo alterou as etapas do edital quando a escolha já estava em andamento, sem publicar essas mudanças no Diário Oficial da União. Os critérios de avaliação das propostas também não estavam claros no edital, segundo os denunciantes.

Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/04/dilma-autoriza-prorrogacao-de-contratos-do-mais-medicos-ate-2019.html