terça-feira, 31 de janeiro de 2017

‘Está tudo na sua cabeça’: o preconceito contra doenças cuja causa é emocional e não física

Neurologista premiada afirma que médicos e doentes reagem com descrença quando corpo reage fisicamente às emoções.

A neurologista irlandesa Suzanne O'Sullivan conheceu Yvonne assim que se formou em medicina. A paciente estava cega, e não havia uma causa física para o problema - era uma manifestação do estresse emocional. 

Mas o que faz com que nosso corpo manifeste os sintomas de uma doença que não temos? 

E mais: por que mascaramos com dor, fraqueza ou paralisia o que na verdade é emoção? 

Yvonne, de 40 anos, tinha entrado no hospital no dia anterior, depois que um colega de trabalho acertara um produto de limpeza nos seus olhos. 

Sucessivas lavagens não aliviaram a dor e a irritação dos olhos, nem lhe devolveram a visão. 

Os exames de Yvonne nos seis meses seguintes, no entanto, tiveram o mesmo resultado: a cegueira não tinha nenhuma causa física. 

Os médicos concluíram então que a deficiência visual dela era de origem psicossomática. Ou seja: era a manifestação física de estresse emocional.

Livro premiado

Yvonne foi uma das primeiras de uma longa relação de pacientes com problemas psicossomáticos que a O'Sullivan viu em 20 anos de carreira. 

A história dela e a de outros seis pacientes estão no livro It's All in Your Head: True Stories of Imaginary Illness ("Está tudo na sua cabeça: Histórias reais de doenças imaginárias", em tradução livre), escrito pela médica em 2015. 

A obra ganhou no ano passado o prestigiado prêmio literário britânico Wellcome Book Prize. 

A neurologista falou sobre o livro na 11ª edição do Hay Festival, um dos eventos literários anuais mais importantes do mundo hispânico, que acontece até o próximo dia 29 na cidade de Cartagena, na Colômbia. 

Os outros pacientes, que chegaram ao seu consultório frustrados após procurarem diversos especialistas que não conseguiram chegar a um diagnóstico, apresentavam sintomas tão graves quanto os de Yvonne: alguns estavam em cadeiras de rodas, outros tinham inflamações, se queixavam de dores, paralisia, desmaios e convulsões.

Doenças que todo mundo pode ter

Esses pacientes tinham algo em comum: a falta de uma explicação médica para seus sintomas. E a grande maioria se negava a aceitar que a doença era de origem psicológica. 

Mas não foi por acaso que eles procuraram a O'Sullivan. 

É uma situação que se repete em quase todos os consultórios, disse a especialista à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC. 

"Dedico grande parte do meu tempo a pacientes com convulsões e, em geral, um terço das pessoas que atendo sofre de convulsões de origem psicológica. Mas, de acordo com estudos, em outras especialidades médicas um terço dos pacientes também apresenta sintomas de ordem psicológica", disse O'Sullivan. 

Estas doenças não são um mal típico da sociedade contemporânea - embora a internet ajude com a grande quantidade de informação disponível sobre enfermidades e seus sintomas - nem fazem distinção entre ricos e pobres. 

"Isso acontece em todo o mundo", afirma a neurologista. 

Ela lembrou que um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), feito há alguns anos, demonstrou que a incidência de doenças cujos "sintomas carecem de explicação médica" é praticamente idêntica em quase todos os países, independentemente de serem desenvolvidos ou em desenvolvimento e do acesso da população aos serviços de saúde.

Sintomas reais

Foi exatamente essa proporção alarmante que fez a neurologista se interessar pelo assunto e, mais tarde, contar sua experiência no livro. 

A obra é um relato humano e cheio de compaixão das histórias de alguns dos seus pacientes e das dificuldades da neurologista de trabalhar nessa área da medicina, estigmatizada pela sociedade. 

"Nosso corpo produz o tempo todo sintomas físicos em resposta a emoções. Muita gente fica com as mãos trêmulas ao fazer uma apresentação em público, outras pessoas sentem o coração disparar se estão ansiosas e há ainda as que ficam coradas quando sentem vergonha", diz O'Sullivan. 

"É algo que acontece com todos nós. Mas eu não poderia dizer por que em alguns indivíduos esse mecanismo decide criar uma patologia. O que ocorre é que todos lidamos com o estresse de formas diferentes", continua. 

Também não conseguimos escapar de tais sintomas da mesma forma que evitamos uma gripe (usando mais agasalhos no frio) ou uma lesão muscular (aquecendo o corpo antes de correr). 

"Não podemos evitar os sintomas físicos diante de uma situação de estresse", explica a médica. 

"O que podemos fazer é evitar que eles se transformem em algo incapacitante. Você pode reconhecer os sintomas e alterar a resposta do seu organismo." 

Embora não exista uma causa física, não se deve duvidar que os sintomas são reais para o paciente e que a consequência deles pode ser uma incapacidade devastadora.

'Você não tem nada'

E é justamente a falta de uma origem física que historicamente fez a medicina subestimar esse tipo de distúrbio. 

Isso também pode ser visto na linguagem dos médicos ao falar sobre os males psicossomáticos. 

"Se uma pessoa tem um problema, mas os seus exames são normais, costumamos dizer que ela não tem nada", afirma O'Sullivan. 

"Nós, médicos, somos treinados para nos concentrarmos nas doenças, para encontrá-las. Quando examinamos um paciente, estamos preocupados em não deixá-las escapar. Se atendo alguém e não percebo que a pessoa tem uma doença, isso vai gerar muitas recriminações", acrescenta. 

A atenção dos médicos está tão concentrada nas doenças que, quando elas são descartadas, seu trabalho é dado por encerrado. 

E foi a falta de atenção e importância dada a esses males que contribuiu para criar um estigma em torno das doenças psicossomáticas. 

Por isso, é muito difícil para o paciente aceitar o diagnóstico, que geralmente é recebido como se fosse um insulto.

Um diagnóstico que ninguém quer ouvir

Mas até que ponto essa não é uma saída fácil para rotular qualquer doença para a qual a medicina ainda não tem uma resposta? 

Esse é o temor mais comum dos pacientes, segundo O'Sullivan. 

"No entanto, o diagnóstico é extremamente preciso. Em neurologia é muito fácil fazer medições do sistema nervoso. Há uma grande diferença entre alguém com uma paralisia ou uma convulsão psicossomática e alguém com uma doença no cérebro", explica. 

"Isso permite que o médico faça um diagnóstico confiável." 

Mas quando há a suspeita de que uma doença possa ser psicossomática, o processo é outro: "A doença vai se revelando, trazendo evidências objetivas com o passar do tempo". 

Por outro lado, estudos a longo prazo demostraram que o percentual de diagnósticos equivocados é de apenas 4%.

Terapia nem sempre resolve

A maior parte dos pacientes que aparece no livro de O'Sullivan foi encaminhada ao seu consultório por um psiquiatra. 

No entanto, a neurologista explica que o tratamento psiquiátrico ou psicológico não é necessariamente indicado em todos os casos de doenças psicossomáticas. 

"O tratamento depende de cada indivíduo e das causas dos sintomas. Em algumas pessoas, os sintomas surgem depois de um trauma psicológico. Neste caso, a indicação é de terapia psicológica ou psiquiátrica", explica. 

"Mas, para outros pacientes, os sintomas não estão relacionados a um trauma específico. Podem estar ligados à maneira como encaram uma lesão ou uma doença", acrescenta. 

"Assim, essas pessoas não precisam de ajuda psicológica profunda, mas de uma terapia física que as ajudem a treinar seu corpo para retornar à vida normal ou de terapia cognitiva-comportamental para superar o medo que sentem de voltar a viver sem a doença."

Construindo uma ponte

Embora o tratamento das doenças psicossomáticas fuja do campo da neurologia, O'Sullivan não pretende se dedicar à psiquiatria. 

"O problema é que esses pacientes não vão a um psiquiatra, porque seus sintomas são físicos. Eles procuram o clínico", diz a neurologista. 

"Por isso, precisamos de médicos que façam uma ponte entre a neurologia e a psiquiatria. Precisamos de neurologistas que estejam interessados neste problema, já que é a eles que os pacientes procuram." 

Neste sentido, ela afirma que nos últimos cinco anos houve um crescimento do interesse entre os neurologistas, o que pode trazer avanços para o conhecimento na área, criar uma aceitação maior do problema e assim, aos poucos, poderá diminuir o estigma. 

A história de Yvonne - a paciente com cegueira emocional que despertou o interesse de O'Sullivan pelas doenças psicossomáticas - teve um final feliz. 

Depois de seis meses de tratamento psiquiátrico e terapia familiar, ela finalmente voltou a enxergar. 

A agonia da mulher que acordou da anestesia durante uma operação

Canadense Donna Penner despertou antes da hora, não conseguiu avisar os médicos e sentiu a dor de cada corte; depois, ela teve de receber tratamento para estresse pós-traumático.

"Eu já tinha recebido anestesia geral antes e nunca tive nenhum problema", diz Donna Penner, que até 2008 levava uma vida bastante ativa numa pequena cidade na província de Manitoba, no Canadá. A vida dela mudou, no entanto, depois de uma cirurgia de rotina que a deixou com todos os sintomas de estresse pós-traumático: pesadelos recorrentes, ansiedade, insonia e pavor noturno. 

Mas o relato de Donna também pode servir para ajudar os cientistas a entender e corrigir o que houve de errado durante a sua operação. 

"Por algum motivo eu estava nervosa. Era apenas uma laparoscopia: iam me fazer dois cortes na barriga para poder introduzir os instrumentos e explorar a área", contou Donna à BBC. 

Tudo começou bem. 
 
"Me levaram para a mesa de operação, me conectaram aos monitores, o anestesista injetou alguma coisa na minha veia, colocou a máscara em mim e me mandou respirar fundo".  

Donna obedeceu e foi adormecendo, como era de se esperar. 

"Quando acordei, no entanto, podia ouvir todos os sons da sala de operação, os passos, o som das máquinas, o ruído do movimento dos instrumentos..." 

"Pensei: 'Que bom, já acabou'!" 

Medicada, mas alerta, ela se entregou à "sensação preguiçosa de acordar, quando se está totalmente relaxada". 

"Mas tudo mudou segundos depois quando ouvi o cirurgião dizer uma frase que me aterrorizou: 'Bisturi, por favor'." 

"Fiquei literalmente gelada". 

Donna não podia se mexer, porque junto com a anestesia tinha recebido um bloqueador neuromuscular que provoca paralisia. 

"Isso é feito para que os médicos possam explorar o adbômen. O bloqueador relaxa os músculos, para que não haja tanta resistência ao cortá-los", explica. 

"Infelizmente, a anestesia geral não funcionou, mas o medicamento paralisante, sim".

Paralisada, mas acordada

"Entrei em pânico. Esperei alguns segundos e já senti o primeiro corte, a dor... Não tenho palavras para descrever. Era horrível", lembra. 

"Não podia abrir os olhos", afirma. 

"A primeira coisa que tentei fazer foi me levantar, mas não conseguia me mexer. Era como se alguém estivesse sentado em cima de mim". 

"A dor era tão forte que eu tinha vontade de chorar. Mas não podia, estava tão paralisada que não conseguia ter lágrimas para chorar". 

A operação, no entanto, continuava como se nada errado estivesse acontecendo. 

"Mas eu ouvia o monitor com as batidas do meu coração cada vez mais rápidas", continua. 

"Por três vezes, durante a operação, consegui reunir todas as forças para mexer um pouquinho meu pé, o suficiente para alguém da equipe colocar a mão sobre ele. Mas antes que eu pudesse voltar a movê-lo, tiraram a mão". 

O esforço extraordinário de Donna passou desapercebido durante a hora e meia que durou a cirurgia.
"Fiquei completamente em pânico. E não consigo explicar como a dor era forte", conta. 

"Escutei o que eles falavam e o que faziam. Senti quando o cirurgião fez os cortes e quando ele introduziu os instrumentos no meu abdômen. Também senti quando ele movia os meus órgãos para explorar a área". 

"Ouvi o cirurgião dizendo coisas como: 'Vejam o apêndice, está bem rosado. Dá para ver bem o cólon e os ovários".

Sete respirações

"Ainda por cima, além de estar paralisada, eu tinha sido entubada e conectada a um respirador", conta.
A máquina estava programada para fazê-la respirar sete vezes por minuto, mas - naquelas circunstâncias - a frequência cardíaca de Donna chegou a 148 batimentos por minuto. 

"Era tudo o que eu tinha: sete respirações por minuto. Ou seja, além da dor, eu estava sufocando". 

Por fim, quando a operação estava acabando, Donna percebeu que recuperava os movimentos da língua.
"Comecei a usá-la para mover o tubo do respirador, tentando chamar a atenção da equipe. E consegui. Mas o anestesista pensou que o remédio paralisante já não estava fazendo muito efeito e retirou o tubo que me ajudava a respirar", explica. 

"Foi quando pensei: 'Agora sim estou em apuros'", continuou. 

"Passei por momentos em que a agonia da dor era tanta que achei que ia morrer. Já tinha me despedido mentalmente das pessoas que amo. Agora, eu não podia respirar". 

Enquanto isso, a enfermeira gritava: "Respira Donna, respira!" 

"Foi então que me aconteceu a coisa mais impressionante: Saí do meu corpo."  

"Sou cristã e não digo que estive no céu, mas também não estava na Terra. Eu estava em outro lugar", disse Donna. 

"Era silencioso, mas com os sons da sala de operações ao fundo. Eu conseguia ouvi-los, mas muito distante", explicou. 

"O medo e a dor passaram. Senti calor, conforto e segurança. E instintivamente sabia que não estava sozinha. Havia uma presença comigo. Digo sempre que era Deus, porque não tenho nenhuma dúvida de que Ele estava ali, ao meu lado". 

"Depois, escutei uma voz me dizendo: 'Haja o que houver, você vai ficar bem'". 

"Para manter a minha mente ocupada, fiquei rezando, cantando, pensando no meu marido e nos meus filhos o tempo todo. Mas quando senti aquela presença, disse: 'Me leva para casa, por favor, me deixa morrer porque não aguento mais". 

'Senti quando você me cortava'.

Assim, de repente, do mesmo modo como tinha "partido", Donna voltou. 

"Como se alguém tivesse estalado os dedos, voltei ao centro cirúrgico. A enfermeira gritava e o anestesista disse: 'Vamos ressuscitá-la!'". 

Quando o ar entrou nos seus pulmões, Donna sentiu um "alívio enorme". 

Em seguida, o anestesista lhe deu um medicamento para cortar o efeito da droga paralisante e, logo depois, ela pôde começar a falar. 

Mais tarde, o cirurgião foi visitá-la no quarto do hospital, segurou suas mãos e disse: "Me contaram que houve um problema, senhora Penner". 

E ela respondeu que tinha sentido quando o médico a cortara. 

"Os olhos dele se encheram de lágrimas e, apertando a minha mão, ele disse que sentia muitíssimo". 

Donna contou tudo o que havia escutado e o cirurgião confirmou: "Sim, eu disse isso". 

"E ele terminou me dizendo: 'Donna, não tenho dúvidas de que você estava acordada durante toda a operação". 

Aprender com lágrimas nos olhos.

Recuperar-se de uma experiência tão difícil não é fácil. 

Ela sofreu de estresse pós-traumático, transtorno comum em soldados ou feridos em guerras, fenômenos naturais como terremotos ou vítimas de acidentes graves. 

No seu caso, o que a ajudou foi falar sobre o que lhe aconteceu. "Isso foi o que o terapeuta me recomendou: falar, falar e depois, falar mais ainda". 

Assim, Donna começou a contar a sua história para desconhecidos, especialmente estudantes de medicina, para que saibam do que pode acontecer com seus pacientes sem que percebam. 

"Fui ao departamento de Anestesiologia da Universidade de Manitoba para falar com os médicos residentes. Quando eles me ouvem, geralmente ficam horrorizados. Muitos ficam com lágrimas nos olhos". 

Mas, certamente, esta não é a intenção de Donna. 

"Não conto minha história para culpar ninguém. Quero que as pessoas aprendam com ela", conclui.
Casos com o de Donna são raros, mas ocorrem - e servem de alerta, especialmente para que anestesistas presentem atenção a sinais do paciente. 

Um estudo divulgado em 2014 constatou que mais de 150 pessoas por ano no Reino Unido e na Irlanda relataram ter recuperado a consciência durante uma cirurgia, apesar de terem recebido anestesia geral. 

A pesquisa sugere que isso ocorre uma vez a cada 19 mil operações. 

Os casos relatados mais comuns eram de mulheres que receberam anestesia geram para cesarianas. 

O erro de cálculo que deixou dois estudantes de ciência na UTI por excesso de cafeína

Alunos de universidade britânica que participaram de experimento ingeriram acidentalmente o equivalente a 300 xícaras de café; instituição foi multada em cerca de US$ 500 mil.

Que efeito tem o consumo de cafeína no exercício? Em busca de uma resposta, um grupo de estudantes de Ciência do Esporte da Universidade de Northumbria, no Reino Unido decidiu fazer um experimento. 
 
Dois voluntários deveriam ingerir 0,3 g de cafeína. No entanto, o estudo quase se transformou em tragédia quando um erro de cálculo na dosagem da substância levou os dois estudantes ao hospital. 

A universidade foi multada em mais de US$ 500 mil por um tribunal. O incidente ocorreu em março de 2015, mas foi apenas revelado na semana passada.

Celular

Para calcular a dosagem, funcionários da universidade utilizaram a calculadora de um telefone celular, mas erraram ao digitar os decimais, o que fez Alex Rossetta e Luke Parkin ingerir 30 g de cafeína diluídos em suco de laranja - o equivalente a 300 xícaras de café. 

Segundo o promotor encarregado do caso, Adam Ferrer, já foram reportados casos de morte por ingestão de 18 g de cafeína. 

Os dois jovens sofreram violentos efeitos colaterais. Rossetta ficou internado seis dias, perdeu a memória de curto prazo e 12 kg. Parkin ficou dois dias na UTI e perdeu 10 kg. Ambos precisaram fazer tratamento de diálise, mas se recuperaram. 

Rosetta e Parkin vão processar a universidade.

Quantidade de cafeína

Os médicos que trataram deles acreditam que os jovens sobreviveram por causa da pouca idade e por estarem em bom estado de saúdes. "A overdose poderia ter sido fatal", disse Ferrer. 

O problema também ocorreu porque, em vez de tabletes, os funcionários utilizaram cafeína em pó. Segundo a universidade, isso foi feito sem a supervisão adequada. 

Brasil tem 46 mortes confirmadas por febre amarela, diz ministério

Minas Gerais ainda é estado mais afetado e informou 100 mortes suspeitas ao órgão; destas, 58 ainda estão sob investigação. 

O Ministério da Saúde informou nesta segunda-feira (30) que o Brasil tem 568 casos suspeitos de febre amarela. Deste total, 107 foram confirmados, 430 ainda estão sob investigação e 31 foram descartados. Minas Gerais ainda é o estado com o maior número de registros: 509 pessoas com os sintomas.

Dentre as notificações de suspeitas de febre amarela o ministério recebeu 113 avisos de óbitos, dos quais 46 foram confirmados, 3 foram descartados e 64 estão em investigação. A grande maioria das mortes confirmadas ocorreram em Minas: 42. 

O país tem 80 municípios com notificações da doença, sendo que 55 estão em território mineiro. Espírito Santo é o segundo estado mais afetado, com 37 casos suspeitos e 5 confirmações. A primeira morte foi confirmada nesta segunda e morava na cidade de Ibatiba. 

A Bahia tem sete registros, sendo que seis deles ainda estão sob análise para uma confirmação - um dos casos já foi descartado. O estado não apresentou nenhuma morte pela doença. 
 
Em São Paulo, de acordo com o Ministério da Saúde, são três mortes confirmadas - a Secretaria de Estado da Saúde já informou três novas vítimas da doença, além das informadas pelo órgão federal. Já no Distrito Federal e em Goiás todos os casos foram descartados.

Caso em Mato Grosso do Sul

Um caso informado pela Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina foi inicialmente notificado como uma pessoa que teria sido infectada em Mato Grosso do Sul durante uma viagem e voltado ao estado da região Sul. Nesta segunda, entretanto, o Ministério da Saúde disse que está reavaliando o local de provável infecção pelo vírus.

Vacinação

Moradores ou pessoas que pretendem visitar regiões silvestres, rurais ou de mata devem se vacinar no Sistema Único de Saúde (SUS). A transmissão da doença, que ocorre pela picada dos mosquitos Haemagogus e Sabathes nessas regiões, é possível em grande parte do território brasileiro. O Aedes aegypti também é transmissor da febre amarela, mas apenas em área urbana. 

Vale lembrar que, em situações de emergência, a vacina pode ser administrada já a partir dos 6 meses. O indicado, no entanto, é que bebês de 9 meses sejam vacinados pela primeira vez. Depois, recebam um segundo reforço aos 4 anos de idade. A vacina tem 95% de eficiência e demora cerca de 10 dias para garantir a imunização já após a primeira aplicação. 

Pessoas com mais de 5 anos de idade devem se vacinar e receber a segunda dose após 10 anos. Idosos precisam ir ao médico para avaliar os riscos de receber a imunização. 

Por causar reações, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não recomenda a vacina para pessoas com doenças como lúpus, câncer e HIV, devido à baixa imunidade, nem para quem tem mais de 60 anos, grávidas e alérgicos a gelatina e ovo. 

O que as criações de porcos revelam sobre os antibióticos e a ameaça das superbactérias

Especialistas dizem que uso indiscriminado de substâncias, usadas para evitar doenças e engordar suínos, está contribuindo para a proliferação das bactérias por meio de contaminação da água, por exemplo.

Em uma fazenda de porcos em ruínas perto de Wuxi, na província chinesa de Jiangsu, um estrangeiro desce de um táxi. A família que mora ali se surpreende: sua pequena propriedade fica no fim de uma estrada acidentada em meio a arrozais. Logo, raramente chegam estrangeiros em táxis pedindo licença para usar o banheiro.
O estrangeiro era o ativista inglês Philip Lymbery, diretor da organização não governamental Compassion in World Farming (Compaixão na Produção Pecuária Mundial, em inglês).
Ele não tinha ido até lá para criticá-los por causa das condições em que vivem seus porcos - embora elas fossem deprimentes -, mas para investigar a contaminação das águas de Jiangsu.
Os animais estão apertados em jaulas, sem espaço para se movimentar. E as condições de vida da família não são muito melhores: o banheiro, descobre o visitante, é um buraco no chão, entre a casa e o chiqueiro.

Um monte de seringas

Lymbery está na região para investigar se as fezes dos porcos estão contaminando a água.
Ele tentou visitar grandes fazendas comerciais na vizinhança, mas não foi recebido. Por isso, foi a uma fazenda familiar em busca de acesso.
A fazendeira aceita conversar com ele. Confirma que joga os detritos no rio e saber que não deveria fazer isso, mas revela que não enfrenta problemas, pois basta subornar um funcionário local.
Uma coisa chama a atenção de Lymbery: uma pilha de seringas.
São antibióticos. Foram receitados por um veterinário?
Não, explica a fazendeira, não é preciso receita para comprá-los.
Além disso, os veterinários cobram muito caro e os antibióticos custam barato. Por isso, ela dá injeções frequentes nos porcos para evitar as doenças e não ter que chamar os profissionais.
Ela não é a única a fazer isso. As condições das fazendas de criação intensiva - apertadas e imundas - são um caldo de cultura de doenças, que pequenas doses frequentes de antibiótico podem ajudar a controlar.
E os antibióticos engordam os animais.
Os cientistas estão estudando os micróbios dos intestinos deles para entender o porquê, mas os fazendeiros não precisam de uma razão: sabem que vão ganhar mais dinheiro se seus animais forem mais gordos.
Não é de se estranhar então que mais animais saudáveis do que doentes recebam injeções de antibióticos em todo o mundo.
Os analistas calculam que nas grandes economias emergentes, onde o consumo de carne está crescendo com o aumento dos salários, o uso de antibióticos na agricultura deve dobrar em 20 anos.

Bactérias resistentes

O uso generalizado de antibióticos desnecessários não se limita à agricultura.
Muitos médicos são responsáveis por isso também e deveriam estar conscientes dos danos que causam, assim como os órgãos reguladores que permitem que antibióticos sejam comprados sem receita.
Mas as bactérias não se importam com culpa. Elas estão mais ocupadas desenvolvendo resistência às drogas, enquanto os especialistas em saúde pública temem que estejamos à beira de uma era pós-antibiótica.
Um estudo recente calculou que até o ano 2050 os organismos resistentes às medicações vão matar 10 milhões de pessoas por ano - mais que o número atual de vítimas anuais de câncer.
É difícil calcular o custo dos antibióticos que se tornam inúteis, mas o estudo fez uma conta e chegou a US$ 100 bilhões (R$ 314 bilhões).
Diante dessas informações, poderíamos imaginar que estamos fazendo o possível para evitar que os antibióticos percam o poder de salvar vidas.
Mas infelizmente não é o que vem acontecendo.

Os perigos do egoísmo

Em 1945, enquanto a penicilina - o primeiro antibiótico produzido em massa - saía em grandes quantidades dos laboratórios farmacêuticos, seu descobridor, Alexander Fleming, fazia uma advertência.
Na cerimônia em que recebeu o Prêmio Nobel de Medicina - dividido com Ernst Boris Chain e Howard Walter Florey -, o cientista escocês disse temer que uma "pessoa ignorante" usasse doses muito pequenas da droga para começar a criar bactérias resistentes aos medicamentos.
Mas o problema não foi a ignorância: desde o começo sabíamos dos riscos e os ignoramos por interesse próprio.
Vamos imaginar que estamos doentes. Talvez o mal seja um vírus, o que significa que é inútil tomar antibióticos. E mesmo se a causa é uma bactéria, é provável que se possa melhorar sem ajuda.
Mas se há alguma possibilidade de acelerar a recuperação, isso nos incentiva a tomá-los.
Vamos supor então que tenhamos uma fazenda de porcos. Dar pequenas doses de antibióticos
rotineiramente aos animais é a forma perfeita de cultivar bactérias resistentes, as superbactérias.
Mas isso não é problema nosso: o único interesse é ganhar mais dinheiro.
Este é um exemplo clássico do que se conhece como "tragédia dos comuns", uma situação em que indivíduos motivados pelo interesse pessoal agem racionalmente, mas acabam provocando um desastre coletivo que esgota algum recurso comum.
O conceito foi popularizado pelo ecologista Garrett Hardin no ensaio The Tragedy of the Commons (A Tragédia dos Comuns, em inglês), publicado em 1968 na revista Science.
Até a década de 1970, os cientistas continuaram descobrindo novos antibióticos. Quando uma bactéria desenvolvia resistência a um deles, podia-se introduzir outro.
Essa fonte se esgotou. Mas ainda é possível que sejam criados novos medicamentos - investigadores estão explorando uma técnica promissora para encontrar componentes antimicrobianos na terra.
Mais uma vez, tudo depende de interesses. O mundo precisa de novos antibióticos, que sejam guardados e usados nas piores emergências.
Mas um produto que não é usado não vai produzir as quantias de dinheiro que a indústria farmacêutica está acostumada a faturar.

Exemplo da Dinamarca

É preciso descobrir incentivos para que se continue a fazer mais pesquisas. E também repensar de forma mais inteligente os sistemas de regulação.
Neste sentido, a Dinamarca mostrou o caminho: seu bacon é mundialmente famoso e o uso de antibióticos nos porcos é severamente controlado no país.
Um dos pontos fundamentais foi melhorar outras regulações para fazer com que as condições de vida dos animais sejam melhores. Há mais espaço e asseio, logo, menos doenças.
Estudos recentes indicam que quando os animais vivem nessas condições, as doses rotineiras de antibióticos não têm muito impacto no seu crescimento.
As intenções da fazendeira chinesa de Wuxi eram boas. Claro que ela não sabia o que o uso excessivo de antibióticos causava. E mesmo que soubesse, enfrentaria um dilema diante do incentivo econômico para usá-los.
Saúde30/01/2017 | 14h30Atualizada em 30/01/2017 | 14h39

UPA de Santa Maria está sem aparelho de Raio X há quase um mês

Aparelho já foi levado para conserto

UPA de Santa Maria está sem aparelho de Raio X há quase um mês Claudio Vaz/Agencia RBS
Foto: Claudio Vaz / Agencia RBS
A Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Santa Maria, que funciona em anexo ao Hospital Casa de Saúde, está sem aparelho de Raio X há quase um mês.

Conforme o administrador da UPA, Rogério Carvalho, foram encontradas duas alternativas para evitar que os pacientes ficassem desassistidos (são feitos, por mês, entre 1,5 mil e 2 mil exames): um aparelho móvel que é usado dentro da UPA, mas que não faz todos os exames, e o equipamento da Casa de Saúde.

– O hospital fica distante coisa de 150 metros da UPA. Houve esse desconforto para o paciente, mas foi a forma que encontramos de continuar fazendo exames. No caso daqueles que não tinham como se locomover, disponibilizamos ambulâncias – explica Carvalho.

Ele destaca que a unidade atende casos de urgência e emergência, ou seja, atendimentos eletivos (consultas, por exemplo) são feitos no Hospital Casa de Saúde, que fica ao lado, a partir de agendamento na 4ª Coordenadoria Regional de Saúde (4ª CRS).

O equipamento foi adquirido em 2012, e a suspeita é que o defeito tenha surgido devido ao excesso de uso.

Carvalho afirma que a empresa responsável pela manutenção, de Passo Fundo, esteve na UPA e levou o equipamento para o conserto. O defeito é no tubo de Raio X.

– No máximo até quinta-feira o aparelho estará funcionando normalmente – afirma Carvalho.




O Diário não teve acesso ao valor investido no conserto.

Fonte: http://diariodesantamaria.clicrbs.com.br/rs/geral-policia/noticia/2017/01/upa-de-santa-maria-esta-sem-aparelho-de-raio-x-ha-quase-um-mes-9705322.html
Voluntariado31/01/2017 | 08h00Atualizada em 31/01/2017 | 08h00

Projeto do LEO Clube de Camobi troca lacres metálicos por cadeiras de rodas 

Grupo faz campanha para conseguir o terceiro equipamento

Projeto do LEO Clube de Camobi troca lacres metálicos por cadeiras de rodas  Gabriel Haesbaert/DSM
Foto: Gabriel Haesbaert / DSM
Pâmela Rubin Matge
Pâmela Rubin Matge

Sabe aquele lacre metálico que, muitas vezes, é jogados no lixo junto com as latinhas de refrigerante e cerveja? Eles podem ser trocados por cadeiras de rodas, ajudando pessoas quem precisam do equipamento mas não têm condições de comprá-lo.

Quem descobriu essa generosa possibilidade foram os integrantes do LEO Clube de Camobi que, ao conhecer uma iniciativa semelhante em São Paulo, trouxeram a ideia para Santa Maria. Este mês, eles adquiriram a segunda cadeira e já estão fazendo campanha por uma terceira.

A troca direta dos lacres pelo equipamento, sem qualquer valor em dinheiro envolvido, é negociada por uma empresa de Porto Alegre.

A ação de voluntariado, encampada pela comissão de meio ambiente do LEO Clube desde abril de 2014, também tem preocupação com a natureza, com a reciclagem e com o descarte responsável de materiais. São necessários 90 kg de lacres ou 180 garrafas pet para a troca. Para juntar o material, foram realizadas arrecadações no final das festas do Centro de Eventos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e junto de amigos e familiares dos 16 integrantes da agremiação.

_ Aqui, o objetivo é aprender a liderar a partir do voluntariado. Os lacres são uma ação bem simbólica disso. Nas festas que fazíamos na campanha, nos perguntavam porque não trocávamos pelas latinhas, que são maiores e valem mais. Mas nossa ideia é mostrar que uma ação pequena pode gerar um ótimo resultado _ explica uma das integrantes do projeto, Giovana Ferrorato, 28 anos.

Em menos de três anos do projeto, as cadeiras já ajudaram a cerca de 10 pessoas.

_ Lembro de uma senhora que não conseguia nem ir até o pátio. Precisava da cadeira para fazer fisioterapia, para tudo. A pessoa que recebe fica feliz, mas o impacto que causa na gente é ainda melhor. A gente se emociona _ conta outra integrante do LEO, Diana Tomazzi Muratt, 29 anos.
Foto: Gabriel Haesbaert / DSM
 
Empréstimo temporárioPor meio de amigos ou da página do Facebook, os integrantes do LEO Clube localizam quem necessita do equipamento, fazem visitas e o empréstimo é feito por meio de um contrato. Não há tempo máximo de utilização. As cadeiras são bordadas com o símbolo da organização e numeradas para controle interno.

Atualmente, as cadeiras duas que a entidade arrecadou estão disponíveis.

O grupo pretende realizar campanhas ao longo do ano e está aberto a doações de lacres ou mesmo de cadeiras de rodas novas ou usadas para empréstimo a quem precisar.

Como ajudarOs lacres podem ser doados na sede do LEO Clube ou entregues direto aos integrantes. A página do Facebook da entidade também é espaço para pontos de arrecadação e demais informações
Endereço – Centro de Eventos da UFSM, mediante agendamento
Telefone – (55) 99149-4847
Fanpage – facebook.com/leosmcamobi

Mais:
LEO é uma sigla. São as iniciais do lema do braço jovem do Lions Internacional: "Liderança, Experiência, Oportunidade".

Fonte: http://diariodesantamaria.clicrbs.com.br/rs/geral-policia/noticia/2017/01/projeto-do-leo-clube-de-camobi-troca-lacres-metalicos-por-cadeiras-de-rodas-9705421.html