quarta-feira, 26 de abril de 2017

Hospitalizações diminuem em locais onde leis restringem a gordura trans, diz estudo

Cidade de Nova York limitou o uso de gordura trans em julho de 2007. Índice de hospitalizações por infarto ou AVC foi 6% menor nos condados com regulações contra a gordura.

Fast food: regulamentação sobre gordura trans em regiões de Nova York levou a diminuição do número de hospitalizações por infarto e AVC (Foto: Paul J. Richards / AFP) 
Fast food: regulamentação sobre gordura trans em regiões de Nova York levou a diminuição do número de hospitalizações por infarto e AVC (Foto: Paul J. Richards / AFP) 
 
Moradores de algumas regiões do estado de Nova York, nos Estados Unidos, passaram a ter menos riscos de serem hospitalizados depois que esses locais restringiram o uso de gorduras trans, segundo um estudo publicado este mês na revista médica "JAMA Cardiology". 

A gordura trans eleva o colesterol ruim, reduz o colesterol bom e aumenta o risco de infarto e AVC. Ela aparece naturalmente em alguns alimentos, mas é encontrada com mais frequência em comidas processadas para melhorar o sabor e a textura. 

"A cidade de Nova York foi progressista e aprovou restrições sobre a gordura trans, mas ninguém tinha visto se isso trazia mudanças mensuráveis para a saúde", disse o principal autor do estudo, Erik Brandt, da Universidade Yale em New Haven, Connecticut. 

A cidade de Nova York limitou o uso de gordura trans em julho de 2007. As restrições se aplicam a alimentos comprados fora dos mercados, como em restaurantes, vendedores ambulantes e padarias, nas cinco regiões da cidade. Outras regiões do estado adotaram medidas similares posteriormente. 

Pesquisas anteriores mostraram que mortes por doenças cardiovasculares caíram 4,5% em um ano depois que essas áreas implementaram as restrições sobre a gordura trans, afirmam os pesquisadores no artigo. 

Mas nenhum estudo havia avaliado os eventos cardiovasculares não-fatais. 
Sorvete é um dos alimentos que pode conter gordura trans (Foto: Lynne Aranha/ G1) 
Sorvete é um dos alimentos que pode conter gordura trans (Foto: Lynne Aranha/ G1) 
 
Para o novo estudo, os pesquisadores compararam informações de pessoas hospitalizadas entre 2002 e 2013 por infarto e AVC em regiões que passaram a ter leis restringindo a gordura trans e em regiões sem leis do tipo. 

Ao todo, eles reuniram dados de 3,3 milhões de pessoas de 25 condados sem restrições à gordura trans e de 8,4 milhões de pessoas de 11 condados com restrições. 

Em 2006, houve 753 entradas em hospitais por infarto ou AVC a cada 100 mil pessoas em condados que não tinham restrições à gordura nociva. No mesmo ano, houve 726 entradas em hospitais por 100 mil habitantes em condados que implementaram as restrições. 

Depois de três anos, o índice de hospitalizações por infarto ou AVC foi 6% menor nos condados com regulações contra a gordura. 

"Tem havido muitas pesquisas para descobrir se as gorduras trans são maléficas", disse Brandt. "Aqui, encontramos que quando restringimos essas gorduras, isso beneficia a sociedade ao reduzir infartos e AVCs." 

OMS comemora grandes 'avanços' na luta contra doenças negligenciadas

Agência de saúde da ONU publicou relatório sobre luta contra doenças negligenciadas, que incluem a dengue.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) comemorou, nesta quarta-feira (19), os "avanços sem precedentes" na luta contra 18 doenças tropicais neglicenciadas, entre elas a dengue, que deixam 170 mil mortos e milhões de deficientes a cada ano. 

A agência de Saúde da ONU, companhias farmacêuticas e grupos da sociedade civil liderados pela Fundação Bill e Melinda Gates travaram uma longa batalha para erradicar essas doenças, que são tratáveis, mas que até pouco tempo não tinham recebido muita atenção. 

"É realmente a história de um maravilhoso avanço", disse Bill Gates, o bilionário fundador da Microsoft, em Genebra, com ocasião da publicação do último relatório da OMS sobre a luta contra as doenças tropicais negligenciadas. 

"Nos últimos 10 anos, milhões de pessoas saíram da invalidez e da pobreza graças a uma das colaborações globais mais efetivas na saúde pública moderna", assegurou a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, em um comunicado. 

Um total de 1,6 bilhão de pessoas sofrem com doenças negligenciadas, entre elas mais de 500 milhões de crianças, mas o número diminuiu desde 2010, quando mais de dois bilhões de indivíduos eram afetados por estas patologias, segundo a OMS.

Declaração de Londres

O esforço no combate a essas condições foi intensificado em 2012, quando os governos e a indústria farmacêutica assinaram a Declaração de Londres, na qual se comprometeram a dar recursos para ajudar a eliminar as doenças negligenciadas mais comuns. 

Desde então, as empresas doaram milhões de doses de tratamento, permitindo que um bilhão de pessoas obtivessem terapias para ao menos uma doença em 2015. 

Foram dados grandes passos para controlar algumas das piores doenças, incluindo a Dracunculíase, causada pelo verme da Guiné, que cresce no corpo dos que consomem água contaminada com pulgas aquáticas infectadas por este parasita. 

No ano passado, foram registrados apenas 25 casos dessa doença em humanos, uma redução drástica em comparação com os 900 mil de 1989, quando a patologia era endêmica em 21 países. A erradicação está "ao alcance", apontou a OMS. 

Também diminuíram muito os casos de tripanossomíase africana, mais conhecida como doença do sono, transmitida pela mosca tsé-tsé. Em 2015, foram registrados 2.804 afetados, em comparação com os 37.000 de 1999, indicou a OMS, que tem a meta de eliminar totalmente esta patologia até 2030. 

Embora tenha havido muitos progressos contra as doenças negligencias, a OMS advertiu que os avanços podem se estagnar se problemas mais amplos relacionados com a pobreza não forem enfrentados. 

A organização estima que 2,4 bilhões de pessoas ainda carecem de instalações básicas de saneamento, como banheiros e latrinas, enquanto quase dois bilhões usam fontes de água potável contaminadas com matéria fecal.

Veja quais são as 18 doenças negligenciadas

  • Úlcera de Buruli
  • Doença de Chagas
  • Dengue
  • Dracunculíase
  • Equinococose
  • Trematodíase transmitida por alimentos
  • Doença do sono (tripanossomíase africana)
  • Leishmaniose
  • Hanseníase (lepra)
  • Elefantísase
  • Micetoma
  • Cegueira dos rios
  • Raiva
  • Esquistossomose
  • Verminose transmitida pelo solo
  • Teníase/ cisticercose
  • Tracoma (conjuntivite granulomatosa)
  • Bouba

Quais os alimentos que nos protegem e melhoram a imunidade?

Roxo, verde, branco e laranja são quatro cores de alimentos que ajudam a fortalecer sua saúde. Veja todas as dicas.

 
Roxo, verde, branco e laranja são quatro cores de alimentos que ajudam a fortalecer sua saúde. Folhas que gostam do frio, por exemplo, podem ajudar a combater a tosse, a gripe e os resfriados. A alergista Ariana Yang e a nutricionista Lara Natacci falaram sobre os alimentos que nos protegem e melhoram a imunidade no Bem Estar desta quarta-feira (19). 

Nossa imunidade é o que nos defende, por isso precisamos cuidar dela. E é na alimentação que estão todos os materiais para deixar nossa imunidade resistente. Entretanto, não adianta só consumir um tipo de ingrediente para recuperar a baixa imunidade. O segredo é manter o equilíbrio e a variedade de alimentos para esse fortalecimento. 

Alimentos verdes fortalecem o sistema imunológico, assim como os laranjas. Aposte no espinafre, brócolis, agrião, mexerica, abóbora, cenoura, manga, salmão. Já os alimentos brancos têm efeito antiinflamatório e os roxos são antioxidantes, como uva, repolho roxo e berinjela. 

Para manter o estilo de vida saudável e ter a defesa em dia é preciso seguir algumas dicas básicas: alimentação equilibrada, dormir oito horas por dia, praticar atividade física e evitar álcool e cigarro. 

Quinta-feira, 20/04/2017, às 06:00,

Quem cuida também precisa de hora do recreio

Ninguém tem dúvidas sobre como é estressante a tarefa de cuidar de uma pessoa mais velha em situação de fragilidade. Por isso é ainda mais importante saber como inventar pequenos momentos de relaxamento – uma espécie de hora do recreio, de “respiro”, em meio à responsabilidade de zelar pelo bem-estar de outro ser humano. 

Selecionei dez dicas preciosas do site dailycaring.com que podem trazer conforto ao dia a dia de filhos, parentes e cuidadores profissionais que acompanham idosos.

1)    Relaxe respirando: uma das maneiras mais rápidas de se acalmar e diminuir a ansiedade é respirar devagar e profundamente. Inspire pelo nariz e solte o ar pela boca, a fim de garantir oxigênio suficiente para manter o foco. Principalmente em situações de tensão, quando a cabeça está a mil, vai ajudar a devolver o equilíbrio.

2)    Beba chá ou infusão de ervas sem cafeína. Pode ser limão, hortelã, camomila, maçã, erva-doce, o que preferir. O importante é se dar de presente alguns minutos para apreciar o sabor em cada gole e o cheiro gostoso que vem da xícara.

3)    Fazer exercício é um santo remédio para aliviar a tensão. Se não der para ir a uma academia, tente caminhar, mesmo que seja para dar a volta no quarteirão. 

Estudos já demonstraram que passar algum tempo ao ar livre, em contato com a natureza, diminui a ansiedade e reforça o sistema imunológico.

4)    Ouça música (e até dance!). A música tem efeito imediato no astral de qualquer um – de sertanejo a clássico, não importa o estilo, e sim o resultado. Se você não consegue se exercitar regularmente, pode dançar sozinho (a) em casa, quando tiver um pequeno período de descanso.

5)    Massageie os músculos, alongue-se. Se não der para buscar a ajuda de um profissional, faça você mesmo. Há bolas de massagem que custam pouco e que podem aliviar dores nos pés e nos ombros. Não deixe que seu corpo trave e lembre da sabedoria dos gatos, que merecem nota dez em matéria de se espreguiçar. E transforme o banho num minispa: mesmo que seja no chuveiro, deixe a água quente relaxar o corpo. Se for possível, use produtos à base de aromaterapia, com propriedades relaxantes.

6)    Converse com um (a) amigo (a): dividir angústias reduz o estresse. Celulares e redes sociais podem funcionar se for inviável um encontro de verdade. Manter um diário é também uma forma de “conversa” que ajuda a elaborar questões incômodas ou dolorosas, deixando a cabeça mais leve.

7)    Faça algo criativo sem se preocupar em ter que provar algum talento. Livros de colorir podem ser relaxantes e garantir momentos de diversão, mas você pode se aventurar em colagens, fotografia, tricô, culinária (saudável, de preferência) e até cultivo de ervas e temperos, se tiver espaço para pelo menos alguns vasos.

8)    Rir continua sendo um ótimo remédio. Se não tiver tempo para assistir a um filme ou ler um livro, busque cenas divertidas na internet. A quantidade de vídeos curiosos e até hilariantes sobre animais garante instantes de descontração.

9)    Experimente o EDT (Emotional Freedom Technique), a chamada técnica de libertação emocional. São toques leves com as pontas dos dedos em áreas específicas da cabeça e do dorso. Na fase de preparação, que antecede os movimentos, os toques são no punho em posição de caratê, acompanhados de frases de automotivação sobre a dificuldade a ser superada. Há diversos tutoriais disponíveis no YouTube. 

10)  Meditar, rezar, agradecer: a opção vai depender do seu grau de religiosidade ou espiritualidade. Estudos mostram que a meditação reduz a pressão arterial e melhora o sistema imunológico – já há aplicativos que ajudam a limpar a mente em questão de minutos. Para quem tem fé, rezar significa construir uma ponte com forças poderosas capazes de aplacar o sofrimento e trazer alívio e esperança.

 O exercício de agradecer serve para se ter uma perspectiva maior da própria vida: listar as coisas boas ajuda a tirar o foco dos aspectos negativos.

Rã indiana expele muco que pode combater vírus da gripe, segundo estudo

Em roedores, substância foi capaz de proteger contra dose letal de vírus influenza. Mais pesquisas são necessárias para determinar estratégia funcionaria em humanos.

Uma rã no sul da Índia expele um muco da sua pele que pode um dia ajudar as pessoas a combater certos tipos de vírus da gripe, disseram pesquisadores na terça-feira (18). 

O nome científico dessa rã, colorida e do tamanho de uma bola de tênis, é Hydrophylax bahuvistara, segundo o artigo publicado na revista científica "Immunity". 

"Rãs diferentes produzem peptídeos (cadeias de aminoácidos) diferentes, dependendo de onde é seu hábitat", disse o especialista em gripe e coautor do estudo Joshy Jacob, da Universidade Emory, ressaltando que os humanos também produzem proteínas que agem como defensoras do organismo. 

"É um mediador imune natural inato presente em todos os organismos vivos. Acabamos de encontrar um produzido pelo sapo que por acaso é eficaz contra o tipo de gripe H1", acrescentou. 

Os pesquisadores deram pequenos choques elétricos nas rãs para estimular a secreção dos seus peptídeos de defesa, que parecem combater a cepa H1 do vírus da gripe, e coletaram a substância.

Urumin

O peptídeo antiviral foi batizado de "urumin", em referência a uma espada parecida com um chicote usada no sul da Índia há séculos, disse o estudo. 

O urumin não é tóxico para mamíferos, mas "parece perturbar a integridade do vírus da gripe, como visto através de microscopia eletrônica", apontou. 

Quando os pesquisadores espremeram um pouco de urumin nos narizes de ratos de laboratório, o peptídeo os protegeu contra o que teria sido uma dose letal do vírus da gripe H1, o tipo responsável pela pandemia de gripe suína de 2009. 

Mais pesquisas são necessárias para determinar se o urumin pode se tornar um tratamento preventivo contra a gripe em humanos, e para analisar se outros peptídeos derivados de rãs podem proteger contra vírus como o da dengue e o da zika. 

Os brasileiros 'desenganados por médicos' e que vivem e trabalham com doenças raras

Com redes de ajuda mútua e novos serviços de informação, pacientes contrariam previsões de 'dias contados' e reforçam independência.

Roberto Guedes (no alto à esq.), Luis Eduardo Próspero, Bárbara Nascimento e Marianna Gomes: representantes de grupo estimado em 13 milhões de pessoas apenas no Brasil (Foto: Arquivo pessoal) 

A estudante Bárbara Nascimento, de 14 anos, realizou um sonho neste ano: ir a um show de Justin Bieber.
Ao lado da mãe, Rosângela, a adolescente não conteve a alegria ao ver o ídolo de perto em São Paulo. "O show foi lindo", disse. 

Além da mãe, estava com ela outro "companheiro inseparável": o cilindro de oxigênio de seis quilos e rodinhas, enfeitado com imagens do cantor canadense. 

Bárbara tem Niemann-Pick B, uma doença genética que afeta os pulmões - e apenas um em cada 500 mil nascidos vivos no mundo. 

A adolescente integra um grupo estimado em 13 milhões de pessoas só no Brasil, o de portadores de doenças raras, que atingem até 65 pessoas em cada 100 mil nascidos vivos. 

Existem entre 6 mil e 8 mil doenças raras, que geralmente são crônicas, degenerativas e muitas vezes levam à morte precoce. 

Se na era pré-internet esses pacientes sofriam em busca de diagnósticos corretos e chegavam a ser desenganados por médicos, hoje, com mais informações disponíveis, muitos trabalham e estudam. 
Bárbara Nascimento e o 'inseparável' cilindro de oxigênio: mais de 40 internações e peregrinação até diagnóstico correto  (Foto: Arquivo pessoal)
Bárbara Nascimento e o 'inseparável' cilindro de oxigênio: mais de 40 internações e peregrinação até diagnóstico correto (Foto: Arquivo pessoal) 

Alguns foram além e já se casaram, cursaram faculdades e hoje vivem de forma independente, algo quase impensável no passado recente.

'Doença dos magros'

Um exemplo é o potiguar Roberto Guedes, de 30 anos. Ele tem lipodistrofia generalizada congênita, síndrome genética apelidada no Rio Grande do Norte como "doença dos magros", por desregular o nível de gordura no corpo e alterar a aparência dos afetados. 

Como várias enfermidades raras, a doença não tem cura, apenas tratamentos paliativos. De tão incomum, não há estimativa precisa sobre casos no mundo - estima-se que haja apenas 250. 

Uma das principais características da doença, também conhecida como síndrome de Berardinelli-Seip, é o desenvolvimento de diabetes grave. 

Com um mês de vida, Roberto tinha um nível de triglicérides (gorduras) no sangue de 810 - em adultos, o índice normal gira em torno de 170. Médicos disseram à família que ele não passaria dos seis meses de vida. 

O diagnóstico correto só veio aos dois anos de idade - junto com a previsão de que Roberto viveria no máximo até a adolescência. 

"Tivemos de fazer uma reviravolta, com medicamentos e novos hábitos alimentares", conta Márcia, mãe de Roberto. "Isso fez com que ele pudesse ter uma melhor qualidade de vida, podendo frequentar a escola e, posteriormente, a faculdade." 

Roberto formou-se em Administração Financeira e hoje trabalha no Sebrae. Casou-se em fevereiro deste ano, no dia mais emocionante da vida para ele e a família. 
Roberto Guedes (de azul escuro ao centro) tem enfermidade rara marcada por redução extrema da quantidade de gordura no corpo  (Foto: Arquivo pessoal) 
Roberto Guedes (de azul escuro ao centro) tem enfermidade rara marcada por redução extrema da quantidade de gordura no corpo (Foto: Arquivo pessoal)  
 
"Sofri bastante preconceito na vida, mas sempre tive amigos que me defenderam. Meus pais me criaram como uma pessoa normal, mesmo tendo certos limites", diz Roberto. 

"Hoje me casei e saí de casa (dos pais). A vida de casal está sendo uma experiência valiosa. Cuido da alimentação e penso em viver mais uns 60 anos."

'Tudo é aprendizado'

Luis Eduardo Próspero, de 26 anos, perdeu a visão aos dez anos. Tem apenas 1,32 metro de altura e dificuldade de locomoção - percorre sozinho apenas distâncias curtas. 

Dudu, como é conhecido, também é graduado em Direito e está no terceiro ano de Administração. Tem emprego na Prefeitura de Itanápolis (SP), onde vive, e toca sozinho suas tarefas cotidianas: alimentação, higiene, estudos. 

Ele tem um tipo raro de mucopolissacaridose (MPS), doença genética que impede o processamento de moléculas de açúcar - e atinge, em média, uma em cada 25 mil pessoas. Um irmão de Dudu morreu aos seis anos em decorrência da doença.
 Médicos diziam que Luis Eduardo Próspero, de 26 anos, não chegaria à adolescência  (Foto: Arquivo pessoal)
Médicos diziam que Luis Eduardo Próspero, de 26 anos, não chegaria à adolescência (Foto: Arquivo pessoal) 
 
Diziam que ele não chegaria à adolescência, mas aos 13 anos passou a integrar o estudo de um novo remédio e a doença parou de avançar. 

"Procuro ter o máximo possível de independência, viver feliz e levando alegria aos outros. Sempre tomo as coisas que acontecem comigo como aprendizado, e tudo me faz crescer", diz.

Grupos de ajuda

A redução das distâncias com o desenvolvimento da comunicação facilitou a troca de experiências entre pessoas que convivem com doenças raras. 

Pelas redes sociais, Marianna Gomes, de 23 anos, faz a ponte entre portadores de fibrodisplasia ossificante progressiva (FOP), desordem que transforma tecidos conjuntivos em ossos, imobilizando o indivíduo. 

No mundo, estima-se que a doença atinja uma pessoa a cada 2 milhões de nascidos vivos. São apenas 83 casos conhecidos no Brasil. Não tem tratamento específico nem cura. 

Passando por fase mais aguda da doença, Mariana "travou" os braços e não consegue andar. Precisa de ajuda para se alimentar. Ainda assim, é formada em Psicologia, cursa Administração e inglês (à distância). 

Trabalhou até pouco tempo como atendente de farmácia.
Marianna Gomes criou rede de troca de informação sobre doença que muitas vezes nem é reconhecida pelos profissionais de saúde  (Foto: Arquivo pessoal)
Marianna Gomes criou rede de troca de informação sobre doença que muitas vezes nem é reconhecida pelos profissionais de saúde (Foto: Arquivo pessoal) 
 
E escreve, publica vídeos e troca informações sobre a doença por meio da FOP Brasil, fundada em 2004 como uma rede de apoio para pacientes. 

"Procuramos sempre ajudar os pacientes de alguma forma, com campanhas na internet ou contato direto. Nossa rede se fortalece a cada dia", afirma.

Contra a desinformação

Além do custo alto de tratamento - pacientes recorrem com frequência à Justiça para conseguir bancar o atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde) -, famílias que enfrentam doenças raras se deparam com o desconhecimento dos médicos sobre as enfermidades. 

"Isso é um problema que toda mãe de filho com doença rara passa: chegar ao hospital e se deparar com o médico acessando o Google para entender sobre doenças e procedimentos", conta Rosângela Nascimento, mãe da adolescente Bárbara. 

Uma iniciativa recente que busca minimizar esse cenário é a Linha Rara, o primeiro 0800 de doenças raras no Brasil. 

Parceria entre ONGs portuguesas, Instituto da Criança do Hospital das Clínicas (SP) e o Instituto Vidas Raras, do Brasil, é um canal para informações sobre essas doenças, centros de referência para tratamento, grupos de apoio, procedimentos burocráticos e novidades em pesquisas. 

Desde a criação do serviço, em fevereiro deste ano, foram mais de mil atendimentos, por telefone (0800 006 7868) e e-mail (linharara@rarissimas.org.br). 

"Os pacientes já vêm com alguma investigação, passaram por muitos médicos e costumam estar ansiosos por uma resposta. Temos que explicar que não podemos fazer diagnóstico virtual, análise de exames", explica a atendente do serviço Érica Salles, citando impedimentos previstos no Código de Ética do Conselho Federal de Medicina.
Inspirado em serviço português, Linha Rara busca escutar, informar e aconselhar sobre doenças raras  (Foto: Arquivo pessoal)
Inspirado em serviço português, Linha Rara busca escutar, informar e aconselhar sobre doenças raras (Foto: Arquivo pessoal) 
 
Os atendentes consultam especialistas e gestores, e são preparados para diferenciar doenças raras de desordens de difícil diagnóstico, que em geral são neuropatias (funcionamento anormal dos nervos) ou doenças reumatológicas. 

"Também detectamos problemas burocráticos que essas pessoas enfrentam ao passar por algum especialista. Tempo de demora, documentação necessária. Indicamos os serviços e como chegar até eles", diz Salles. 

Para Rosely Maria, assessora do Instituto Vidas Raras, a maior circulação de dados sobre doenças raras impacta diretamente o cotidiano dos doentes. 

"Hoje, sabe-se que as informações disponíveis e a conscientização sobre as doenças, mostrando os cuidados adequados a tomar, têm levado estes pacientes a ter mais tempo de vida", afirma. 

É o que anima Bárbara, a adolescente de 14 anos do show de Justin Bieber. Após quatro cirurgias e mais de 40 internações, ela está no nono ano do colégio e pensa em ser médica pediatra. 

Deseja também crescer sem tantos remédios, oxigênio em casa e dores nas pernas e braços. E exercita a esperança, palavra sempre presente no vocabulário dos "raros". "Sonho que vou ser curada um dia." 

Saiba as diferenças entre os vários tipos de massagem

A massagem terapêutica é indicada para alívio de algum sintoma ou tratamento. A drenagem ajuda no pós-operatório.

 
O Bem Estar desta quinta-feira (20) falou sobre massagem terapêutica. Convidamos a especialista em medicina integrativa Denise Tiemi para explicar os benefícios dessa massagem em pacientes internados com doenças graves e a fisioterapeuta Inês Nakashima para falar sobre os outros tipos de massagem. 

A massagem terapêutica é indicada para alívio de algum sintoma ou tratamento. Quando é feita apenas para relaxamento, não é considerada terapêutica. A massagem por simples relaxamento pode ser feita em casa, sem técnica precisa. Porém, quando o fim é para tratar algum problema ou aliviar sintomas, é importante uma técnica bem feita com um profissional qualificado. 

A massagem terapêutica é usada até dentro de hospitais para aliviar sintomas de pacientes oncológicos, por exemplo. Os benefícios comprovados são a diminuição da ansiedade e do estresse. 

Apesar de promover o alívio da dor e o relaxamento, as especialistas explicam que a massagem não é indicada para quem tem problemas vasculares, risco de trombose e aneurisma.
  
Tipos de massagemA massagem clássica tem como objetivo o relaxamento e não o cuidado de algum sintoma ou doença. Ela solta a musculatura, mas não é pensada em cima de um diagnóstico. 

A drenagem linfática ajuda a diminuir o líquido retido no tecido adiposo, mas não emagrece. Ela é utilizada para tratamento de celulite, olheira e até acne. A técnica acelera e leva o líquido para o lugar certo, para os capilares linfáticos. Ela também é uma importante aliada em tratamentos pós-operatórios. 

O shiatsu é indicado para dores tensionais, que relaxa e alivia as dores. Já a quick massagem foi desenvolvida para ser rápida e relaxar. A ayurvédica é feita com os pés e o profissional anda em cima do paciente. E, por fim, a reflexologia usa a mesma base da acupuntura de utilizar pontos reflexos para atingir um órgão. Quando a pessoa está com muita dor em uma região, pode ser uma boa escolha. 

AutomassagemA automassagem promove um alívio de dor, relaxamento e bem-estar. Na orelha, por exemplo, estimula por reflexo partes estratégicas do corpo. Para ter efeito, os movimentos devem ser repetidos pelo menos cinco vezes de forma suave e circular. 

Massagem nas mãos e pés também ajudam no alívio da dor. Nos pés, também promove o relaxamento para dormi. Veja no vídeo como fazer essa automassagem.