segunda-feira, 29 de maio de 2017

Gelo combustível, a promissora fonte de energia que a China extraiu do fundo do mar

Imensa reserva energética de hidratos de metano poderia substituir o petróleo e o gás natural; país asiático deu grande passo ao extrair grandes quantidades do composto.


 Embora pareça com gelo, o hidrato de metano é inflamável  (Foto: USGS) 
Embora pareça com gelo, o hidrato de metano é inflamável (Foto: USGS) 
 
A China anunciou ter extraído do fundo do Mar da China Meridional uma quantidade considerável de hidrato de metano, também conhecido como gelo combustível, que é tido por muitos como o futuro do abastecimento de energia. 

Num comunicado emitido na semana passada, autoridades do país asiático comemoraram o feito. Isso porque a tarefa é considerada altamente complexa, e já tinha sido alvo de tentativas pelo Japão e pelos Estados Unidos, sem muito sucesso. 

Mas o que é exatamente esse composto e por que ele é considerado chave como uma promissora fonte de energia no mundo?

Reservas imensas

O gelo combustível ou gelo inflamável é uma mistura gelada de água e gás. 

"Parecem cristais de gelo, mas quando se olha mais de perto, a nível molecular, veem-se as moléculas de metano dentro das moléculas de água", explica à BBC Praven Linga, professor do Departamento de Engenharia Química e Biomolecular da Universidade Nacional de Cingapura. 

Conhecidos como hidratos de metano, formam-se a temperaturas muito baixas, em condições de pressão elevada. São encontrados em sedimentos do fundo do mar e ou abaixo do permafrost, a camada de solo congelada dos polos. 

O gás encapsulado dentro do gelo torna os hidratos inflamáveis, mesmo a baixíssimas temperaturas. Essa combinação rendeu-lhe o apelido de "gelo de fogo". 

Quando se reduz a pressão ou se eleva a temperatura, os hidratos se decompõem em água e metano. Um metro cúbico dessa substância libera cerca de 160 metros cúbicos de gás - ou seja, trata-se de um combustível de grande potencial energético. 

O problema, no entanto, é que extrair esse gás é um processo que, por si só, consome muita energia.

Países pioneiros

Os hidratos de metano foram descobertos no norte da Rússia nos anos 1960, mas foi há apenas dez ou 15 anos que começou a pesquisa sobre como extrai-lo dos sedimentos marinhos.

O Japão foi pioneiro na exploração devido à sua carência de fontes de energia natural. Outros países líderes na prospecção de gelo combustível são Índia e Coreia do Sul, que tampouco têm reservas próprias de petróleo. 

Americanos e canadenses também são bastante atuantes neste sentido - o foco de suas explorações tem sido nos hidratos de metano abaixo do permafrost do norte do Alasca e Canadá.

Por que importa?

Pesquisadores acreditam que os hidratos de metano têm o potencial de se tornar uma fonte de energia revolucionária que poderia ser fundamental para suprir necessidades energéticas no futuro. 

Existem grandes depósitos abaixo dos oceanos do globo, sobretudo nas extremidades dos continentes. 

Atualmente, vários países estão buscando maneiras de extraí-lo de forma segura e rentável. 

A China descreveu a extração feita na semana passada como "um feito importante". 

Praven Linga compartilha dessa visão: "Em comparação com os resultados que temos visto na pesquisa japonesa, os cientistas chineses conseguiram extrair uma quantidade muito maior de gás". 

"É certamente um passo importante em tornar viável a extração de gás dos hidratos de metano", acrescentou. 

Estima-se que sejam encontradas dez vezes mais gás nos hidratos de metano do que no xisto, do qual pode ser extraído gás natural e óleo e também tem servido como alternativa energética. 

"E essa é uma estimativa conservadora", ressalva Linga. 

A China descobriu o gelo combustível no Mar da China Meridional em 2007 - uma área cuja soberania tem sido disputada entre o país, o Vietnã e as Filipinas. 

Pequim reclama domínio sobre a área, alegando ter o direito de exploração de todas as potenciais reservas naturais escondidas abaixo da superfície.

Futuro

Embora o êxito da China seja um avanço importante, esse é apenas um passo de um longo caminho. 

"É a primeira vez que os índices de produção são realmente promissores", disse Linga. "Mas acreditamos que só em 2025, na melhor das hipóteses, poderemos considerar realistas as opções comerciais", acrescenta. 

Segundo a imprensa chinesa, eles conseguiram extrair, da região de Shenhu, uma média de 16 mil metros cúbicos de gás de elevada pureza por dia. 

Linga ainda ressalta que as empresas que potencialmente operem na exploração do material devem seguir condutas bastante rígidas de controle para se evitar danos ambientais. 

O perigo é que o metano escape, e isso teria consequências graves para o aquecimento global, já que se trata de um gás com um potencial de impacto sobre as mudanças climáticas muito maior do que o dióxido de carbono. 

Monitoramento aponta aumento de 57,7% no desmatamento da Mata Atlântica

Dado compara períodos de destruição da mata entre 2014-2015 e 2015-2016. Levantamento é do Inpe e da ONG SOS Mata Atlântica.

 
Mata Atlântica teve aumento no desmatamento (Foto: Rudimar Narciso Cipriani) 
Mata Atlântica teve aumento no desmatamento (Foto: Rudimar Narciso Cipriani) 
 
A ONG Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgaram nesta segunda-feira (29) novos dados do Atlas da Mata Atlântica, com dados sobre sua conservação. Os mai atuais são referentes ao período de 2015-2016. O estudo verificou no período um desmatamento de 290 Km² nos 17 estados que possuem partes do bioma, um aumento de 57,7% em relação ao período anterior (2014-2015), que teve desmatamento de 184 km². 

A Bahia foi o estado com mais desmatamento 122,8 km² (alta de 207% em relação ao ano anterior, quando foram destruídos 39,9 km²). Dois municípios baianos – Santa Cruz Cabrália e Belmonte são os maiores desmatadores, com derrubada de 30,5 km² e 21,1 km², respectivamente. 

O segundo estado com mais desmatamento é Minas Gerais, com 74 km² desmatados, seguido por Paraná (34,5 km²) e Piauí (31,25 km²). 

A Mata Atlântica está distribuída ao longo da costa atlântica do Brasil, e se espalha também para áreas da Argentina e do Paraguai. 

Veja como evoluiu o desmatamento, estado a estado:
Desmatamento da Mata Atlântica (km²)

Estado 2014-2015 2015-2016 Variação
BA 39,97 122,88 207%
MG 77,02 74,10 -4%
PR 19,88 34,53 74%
PI 29,26 31,25 7%
SC 5,98 8,46 41%
SP 0,45 6,98 1462%
ES 1,53 3,30 116%
MS 2,63 2,65 1%
RS 1,60 2,45 53%
10º SE 3,63 1,60 -56%
11º GO 0,34 1,49 345%
12º RJ 0,27 0,37 37%
13º PB 0,11 0,32 206%
14º PE 1,36 0,16 -88%
15º AL 0,04 0,11 181%
16º CE 0,03 0,09 149%
17º RN 0,23 -


184,33 290,75 57,70%

Surto de febre amarela pode ser 'tiro de misericórdia' para primatas ameaçados de extinção, dizem especialistas

Além de causar a maior epidemia da doença no país entre humanos, com 426 mortes, vírus teve expansão geográfica sem precedentes em florestas e matas, definido por especialistas como tragédia humana e ambiental.

A febre amarela chegou à única região do país onde o mico-leão-dourado ainda vive na natureza (Foto: Andréia Martins/Associação Mico-leão-dourado) 
A febre amarela chegou à única região do país onde o mico-leão-dourado ainda vive na natureza (Foto: Andréia Martins/Associação Mico-leão-dourado) 
 
O maior surto de febre amarela silvestre já enfrentado pelo Brasil não chegou ao coração das grandes cidades, como muitos temiam, mas vem atingindo regiões onde vivem alguns dos primatas mais ameaçadas do país - e especialistas temem que sua expansão possa acelerar a extinção de espécies vulneráveis. 

Até agora, de acordo com o Ministério da Saúde, quase 5,5 mil macacos morreram por suspeita de febre amarela desde o início do surto - números considerados muito aquém da realidade, já que muitos animais morrem no interior das matas, distante de qualquer contato com humanos. 

Além de provocar a maior epidemia humana da doença em décadas no Brasil, causando 426 mortes, o vírus teve uma expansão geográfica sem precedentes em florestas e matas, definida por especialistas como uma tragédia humana e ambiental. 

A comunidade de primatólogos está apreensiva com o impacto da mortandade sobre espécies ameaçadas de extinção, como o muriqui-do-norte, o mico-leão-dourado e os bugios, que vivem em reservas e matas nas regiões alcançadas. 

"Já tínhamos 70% dos primatas da Mata Atlântica ameaçados de extinção", afirma Leandro Jerusalinsky, coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). 

"Junte-se a esse cenário um surto de febre amarela, e a coisa complica. Para várias populações, isso pode ser o tiro de misericórdia, que leve de fato a extinções locais", diz ele, considerando que ainda vai levar um tempo para avaliar o impacto do surto atual.

Mortes em segundo plano

No auge do surto, entre janeiro e março, Jerusalinsky diz que seu WhatsApp não parava. Fotos de animais encontrados mortos chegavam toda hora pelo aplicativo, acompanhando trocas de mensagens constantes de primatólogos de todo o país - que formaram grupos para tentar acompanhar o avanço do surto. 

O vírus se disseminou rapidamente por Minas Gerais e Espírito Santo. Chegou ao sul da Bahia e a áreas dos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, onde segue avançando: nesta semana (24/05), a sétima morte humana por febre amarela foi confirmada no Rio, em Porciúncula, no noroeste do Estado. 

Nas epidemias de febre amarela, os primatas servem como sentinelas involuntários. Quando começam a morrer, é dado o sinal de que o vírus está na área, um alarme fundamental para guiar políticas de saúde pública e alertar para a necessidade de se vacinar as populações nas cercanias.
O muriqui-do-norte é uma das espécies de primatas mais ameaçadas do mundo. O vírus chegou à reserva ambiental em Caratinga, MG, onde ainda há populações da espécie (Foto: Jorge Lucas) 
O muriqui-do-norte é uma das espécies de primatas mais ameaçadas do mundo. O vírus chegou à reserva ambiental em Caratinga, MG, onde ainda há populações da espécie (Foto: Jorge Lucas) 
 
Segundo especialistas, o sauá é uma das espécies mais atingidas até agora pelo surto de febre amarela (Foto: Hudson Martins) 
Segundo especialistas, o sauá é uma das espécies mais atingidas até agora pelo surto de febre amarela (Foto: Hudson Martins) 
 
Por causa dos riscos à saúde humana, o governo, através do Ministério da Saúde, concentra seus esforços no monitoramento e prevenção. O ponto de vista ambiental fica em segundo plano. 

"Nosso objetivo é detectar a circulação do vírus e evitar casos humanos", diz Renato Vieira Alves, diretor adjunto do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde. "Não há, do ponto de vista da vigilância, o objetivo de quantificar ou acompanhar individualmente todas as ocorrências entre primatas." 

Com isso, casos entre primatas muitas vezes não são investigados, diz Jerusalinsky, e é difícil precisar quais espécies estão sendo afetadas, não havendo sempre exames laboratoriais confirmando a causa da morte - ou mesmo detalhes sobre as espécies ou gênero dos animais encontrados mortos. 

"Às vezes na ficha consta apenas 'macaco'", lamenta ele.

Desequilíbrio nas florestas

Além da ameaça à biodiversidade, a mortandade impacta também a ecologia das florestas, já que os primatas têm importante papel no equilíbrio das matas. 

Dependendo dos hábitos alimentares de cada espécie, desempenham funções diferentes, ajudando a propagar sementes das frutas que comem, a reciclar nutrientes do solo ou atuando como predadores, influindo no controle da população de insetos e aracnídeos. 

"Quando você reduz drasticamente uma população, isso gera vários desequilíbrios, e não sabemos ainda como a mata vai responder a isso", diz o primatólogo Sérgio Lucena. 

Professor de zoologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Lucena vem acompanhando com assombro o avanço do vírus e os números de mortandade no Espírito Santo desde o início do ano. 

Dos mais de 5 mil primatas mortos notificados no Ministério da Saúde, pelo menos 1,2 mil seriam do Estado, afirma - um número muito alto considerando-se o tamanho do território do Espírito Santo.
O bugio ruivo é uma das espécies mais suscetíveis ao vírus da febre amarela (Foto: Rogério Ribeiro)
O bugio ruivo é uma das espécies mais suscetíveis ao vírus da febre amarela (Foto: Rogério Ribeiro) 
 
Além de caírem vítimas do vírus, muita vezes os primatas são penalizados duplamente, encarados pela população, por ignorância, como uma ameaça. 

Diante de relatos de que pessoas estariam matando macacos por medo de que espalhassem o vírus, órgãos de saúde e meio ambiente vêm fazendo campanhas ressaltando sua "utilidade pública" como sentinelas - e esclarecendo que eles não são transmissores do vírus. O vetor é sempre o mosquito - na forma silvestre da doença, dos gêneros Haemagogus e Sabethes. 

"Os primatas são as principais presas dos mosquitos na febre amarela silvestre", explica Lucena. "Se você mata os macacos, os mosquitos adaptados a picá-los vão procurar o ser humano", afirma.

Espécies ameaçadas

Lucena estima que sete espécies de primatas tenham sido mais afetadas pela virose, das quais cinco são ameaçadas de extinção. 

"A febre amarela sozinha vai levá-las à extinção? Não, não vai. Mas é mais um impacto que as empurra em direção à extinção", considera. 

"São espécies que já estão com população reduzida, vulnerável, lidando com fatores como desmatamento, caça ilegal, captura para comércio clandestino, que a gente vem tentando contornar", explica. 

"Aí chega a epidemia de febre amarela e derruba populações que estamos há décadas trabalhando para proteger." 

Lucena iniciou em fevereiro um trabalho de pesquisa com um grupo de cerca de 15 pessoas para mapear os primatas mortos, as espécies afetadas e tentar entender como o vírus avança tão rapidamente por regiões diferentes. 

Além de o número conhecido de mortes ser considerado abaixo da realidade, os registros não permitem saber de que espécie cada caso se trata. 

Pelo que os estudos até agora sugerem, Lucena diz que as espécies mais atingidas são os bugios, o sauá ou guigó, e o sagui-de-cara-branca. Os dois primeiros estão na lista de animais ameaçados atualizada em 2014 pelo ICMBio (conforme a portaria 444 publicada pelo Ministério do Meio Ambiente). 
Bugio ruivo encontrado morto: a espécie é uma das mais suscetíveis ao vírus (Foto: Rogério Ribeiro) 
Bugio ruivo encontrado morto: a espécie é uma das mais suscetíveis ao vírus (Foto: Rogério Ribeiro) 
 
Porém, o primatólogo teme também por outras três espécies ameaçadas, que ainda não tiveram mortes pelo vírus confirmadas em laboratório. 

São elas o sagui-da-serra, ("encontramos animais mortos com características típicas de febre amarela"); o muriqui-do-norte, espécie criticamente ameaçada de extinção e cuja população apresentou uma redução de 10% nos últimos seis meses ("tamanha redução em tão pouco tempo não é normal e sugere que foram atingidos pela virose"); e o mico-leão-dourado, um dos símbolos da luta para preservar a biodiversidade brasileira.

Florestas 'silenciosas'

Embora ainda não haja confirmação de óbitos por febre amarela em animais dessas espécies, o vírus chegou à região onde suas populações vivem. Isso significa uma ameaça também para os próximos anos, mesmo que a epidemia não afete as populações de imediato. 

Os primatas têm diferentes níveis de suscetibilidade ao vírus. O drama mais evidente é o dos bugios, gênero extremamente sensível à febre amarela. 

Lucena estima que entre 80% e 90% dos bugios de uma dada população sejam dizimados quando o vírus chega à floresta. 

Conhecidos pelo sonoro "ronco" que vocalizam, sua falta reverbera pelas florestas. "As matas ficaram silenciosas", diz Lucena. "É o que a gente mais ouve quando falamos com pessoas que trabalham ou moram na região." 
No Parque Nacional de Itatiaia, o bugio esbranquiçado é uma fêmea com falta de pigmentação causada por uma anomalia genética. Segundo o biólogo Izar Aximoff, a causa provável é a baixa variabilidade genética dos bugios no parque, dizimados por um surto de febre amarela em 1939 (Foto: Leonardo Campos) 
No Parque Nacional de Itatiaia, o bugio esbranquiçado é uma fêmea com falta de pigmentação causada por uma anomalia genética. Segundo o biólogo Izar Aximoff, a causa provável é a baixa variabilidade genética dos bugios no parque, dizimados por um surto de febre amarela em 1939 (Foto: Leonardo Campos)
 
Mas em março, a chegada da febre amarela ao município de Casimiro de Abreu, no Rio, acendeu um alerta sobre uma espécie que quase foi extinta da face da Terra há poucas décadas, e sobrevive apenas na região.

A área no entorno é a única de ocorrência natural do mico-leão-dourado, sobretudo na reserva ecológica de Poço das Antas. 

"Estamos acompanhando o avanço do vírus com muita preocupação e atenção, diz Luis Paulo Ferraz, secretário-executivo da Associação Mico-Leão-Dourado - cuja equipe está em estágio de "alerta total". 

Os micos quase foram à extinção entre os anos 1970 e 1980. De lá para cá, um minucioso trabalho de recuperação fez com que a população saísse dos apenas 200 que sobreviviam lá atrás para a população atual de cerca de 3,2 mil micos. 

"Não tivemos registro ainda de nenhum mico infectado. O que é uma boa notícia por enquanto, mas isso vai ser uma preocupação permanente para os próximos anos", diz Ferraz, afirmando que é a primeira vez que o vírus chega à região. "A febre amarela chegou. Uma doença como essa poderia levar a consequências muito sérias."

Estrago que dura décadas

Dois outros surtos de febre amarela silvestre antecederam o atual, em 2001 e em 2008-9, matando milhares de primatas nas florestas. O último espalhou-se pelo Rio Grande do Sul, dizimando famílias de bugios-ruivos-do-sul. 

O impacto foi tamanho que levou a espécie para a lista de ameaçadas - passando a ser listada, em 2014, como vulnerável. 

Os bugios são também símbolo do estrago que a febre amarela pode representar no longo prazo. 

O biólogo Izar Aximoff estudou um surto epizoótico que ocorreu em 1939 e praticamente acabou com a população de bugios no Parque Nacional do Itatiaia (MG e RJ). 

Hoje, apenas cinco indivíduos sobrevivem no parque. Uma das fêmeas têm a coloração alterada, uma falta de pigmentação conhecida como leucismo. De cordo com Aximoff, a anomalia é consequência provável do intercruzamento entre parentes e da baixa variabilidade genética do grupo. 

"Mesmo depois de mais de 70 anos, essa população nunca conseguiu se recuperar", afirma ele, ressaltando que, mesmo quando a população não é extinta completamente, o baixo número de indivíduos pode gerar problemas para sua viabilidade a longo prazo, levando-se em conta pressões como a caça e a falta de parceiros para reprodução. 

"O cruzamento entre indivíduos de pequenas populações pode resultar em problemas genéticos para as futuras gerações, como observamos no Parque Nacional do Itatiaia", aponta Aximoff, aluno de doutorado do Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. 

Primatólogos temem que o vírus venha a atingir também o bugio-ruivo-do-norte, outra subespécie que vive na Mata Atlântica - um dos 25 primatas mais ameaçados do mundo. 

Leandro Jerusalinsky, do ICMBio, afirma não haverem, ainda, mortes confirmadas desta subespécie. 

Porém, dada a suscetibilidade dos bugios e o fato de o vírus ter chegado à região onde vivem, "um sinal vermelho se acendeu".

É possível vacinar macacos?

Para primatólogos, o surto atual desperta tanta ansiedade quanto impotência, já que nada pode ser feito para conter o avanço do vírus entre os primatas. 

O surto atual levantou um debate: poderia ser desenvolvida uma vacina segura também para os primatas?
Com mais de 25 anos de experiência com vacina de febre amarela de uso humano, o virologista Marcos Freire de dispôs a debruçar-se sobre o assunto e encontrar respostas, com apoio de estudiosos do ramo e da Sociedade Brasileira de Primatologia. 

Vice-diretor de desenvolvimento tecnológico de Biomanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz, ele conta que os primeiros passos estão sendo dados para o desenvolvimento de uma vacina em primatas não-humanos - um processo longo que ainda precisa passar por algumas etapas para ser aprovado. 

"Estamos elaborando um protocolo para pedir a autorização para testar algumas formulações vacinais em primatas não-humanos", explica. 

"Esse protocolo precisa passar, primeiro, por um comitê de ética de experimentação animal; e depois ser aprovado pelo ICMBio. Passado todo esse trâmite regulatório, é um experimento que queremos fazer, e deve durar um ano. Eu acredito que é viável", diz. 

A tarefa de aplicar vacinas em populações de primatas vivendo em topos de árvores pode parecer loucura. Mais do que pensar em imunizar populações de macacos de uma maneira geral, porém, a ideia é vislumbrada como uma ferramenta para situações de emergência - para salvar populações em alto risco de extinção, em vez de assistir enquanto são dizimadas. 

"Vacina injetável não é praxe para animal silvestre, já que envolveria capturar os animais para aplicar a vacina", admite Freire. "Porém, em populações de alto risco, você poderia desenvolver uma força-tarefa para imunizar os primatas e assim protegê-los de um desfecho dramático." 

Fonte: http://g1.globo.com/natureza/noticia/surto-de-febre-amarela-pode-ser-tiro-de-misericordia-para-primatas-ameacados-de-extincao-dizem-especialistas.ghtml
Segunda-feira, 29/05/2017, às 08:46,

Crack: esse caminho tem volta?

“O crack cozinha o cérebro. É um caminho sem volta.”

Nos últimos dias, motivados pelas notícias sobre as apreensões, buscas e ações da polícia na cracolândia, no centro de São Paulo, o assunto “crack” e dependentes químicos  passou a fazer parte das rodas de conversas das pessoas, e frases semelhantes são comumente proferidas por muita gente. Afinal de contas, o caminho do crack pode ter volta? Vamos entender.

O que é o crack?
O crack está entre as drogas com maior potencial de dependência. É produzido a partir da pasta da cocaína, misturada com outras substâncias como água e bicarbonato de sódio. Por isso, os efeitos do crack e da cocaína são muito semelhantes. No entanto, nas pedras do crack há muitas outras substâncias com variados graus de impurezas que podem causar danos irreversíveis ao organismo.

O crack vicia mais que a cocaína?
Sim. O poder de dependência do crack parece ser duas vezes maior que o da cocaína. O crack é fumado com o uso de “cachimbos” improvisados, onde as pedras são colocadas, queimadas e aspiradas. É muito quente, e por isso frequentemente os usuários têm os lábios queimados. Por ser fumado, atinge rapidamente os pulmões. Como a superfície pulmonar é ampla e intensamente vascularizada, em mais ou menos 30 segundos as pessoas já sentem o efeito da droga. A cocaína, por sua vez, é  normalmente aspirada pela mucosa respiratória, que tem uma superfície menor e é menos vascularizada. Por isso os efeitos da cocaína demoram mais para começar e duram mais tempo, em geral em torno de 20-45 minutos. Os efeitos do crack são muito mais intensos e terminam muito mais rapidamente, geralmente em torno de 5 minutos. 

Resultado: as pessoas querem fumar mais e mais, fazendo com que se exponham à droga com maior frequência, inalando quantidades bem maiores, que levam à dependência com mais facilidade.

Quais os efeitos do crack no organismo?
Assim que inalado, em apenas alguns segundos o crack atinge o sistema nervoso central, causando uma  intensa euforia, sensação de prazer e bem-estar. A autoestima aumenta, tem-se a impressão de superpoderes, com muita excitação e hiperatividade. O problema é que estes efeitos duram apenas uns 5 minutos. Assim que cessam, os dependentes químicos entram na “fissura” de querer mais. Depois mais e mais. Quando não conseguem a droga podem entrar em estado de “paranoia”. Daí vem o termo “noias” que popularmente se aplica aos que dependem do crack.

Quais os danos que o crack causa na saúde?
O crack pode matar. Seus efeitos deletérios podem atingir vários sistemas orgânicos vitais e causar psicoses ou lesões irreversíveis no funcionamento dos órgãos. Mas o mais degradante talvez seja a decomposição humana a que o crack impele as pessoas. A abstinência da droga transforma os que dela dependem. A perda da própria dignidade, do auto respeito, da liberdade de existir, ou a deterioração e decadência da pessoa física são consequências inevitáveis e por vezes tão intensas e chocantes que nos remetem à próxima pergunta:

É um caminho sem volta?
Para muitos, sim. Mas, para quem efetivamente decide sair, há uma porta. O esforço para vencer a abstinência é absurdamente hercúleo, mas não é impossível. Muitos já conseguiram e estão aí para provar que é possível.

Vencer a si mesmo. Este é o desafio maior. Recuperar-se como pessoa, resgatar os próprios valores e, mais que tudo, a própria dignidade. É um esforço quase que sobre-humano, mas, felizmente, viável para os que  têm vontade, determinação e força. Muita força.

Mudar um problema de lugar não é resolvê-lo. É tão somente... mudar um problema de lugar. 

Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/blog/doutora-ana-responde/post/crack-esse-caminho-tem-volta.html 

Tirar ou não os sapatos antes de entrar em casa? Veja as dicas dos especialistas

Você tem o hábito de tirar os sapatos antes de entrar em casa? Isso pode ajudar a deixar a sujeira do lado de fora. 

 
O Bem Estar desta segunda-feira (29) deu dicas para entrar em casa com saúde. Você tem o hábito de tirar os sapatos antes de entrar em casa? Isso pode ajudar a deixar a sujeira do lado de fora. Também é importante sempre lavar as mãos e, se você tiver um bichinho de estimação, limpar as patinhas depois de passear. Convidamos o consultor e infectologista Caio Rosenthal e o microbiologista Uelinton Pinto para falar sobre o assunto. 

Os micro-organismos estão presentes em todos os lugares, e segundo o Uelinton, não é nenhuma surpresa encontrar bactérias nos sapatos das pessoas. Normalmente o que acontece é que esses germes não costumam ser patogênicos, ou seja, não causam doenças. 

Por outro lado, existem muitos vírus e bactérias que resistem algumas horas sem alimentos na nossa roupa, sola do sapato, maçanetas e outras superfícies. Por isso quanto menos sujeira levarmos para dentro de casa, menor a chance de sermos contaminados. 

Grávida, apresentadora Eliana se afasta da TV e relata descolamento de placenta; entenda o que é

'Preciso salvar minha filha de um parto extremamente prematuro', disse Eliana em mensagem aos fãs. Médico explica que repouso é recomendado em casos como o dela.

Eliana informou aos fãs por que deixou de apresentar programa (Foto: Reprodução/Facebook/Eliana Michaelichen) 
Eliana informou aos fãs por que deixou de apresentar programa (Foto: Reprodução/Facebook/Eliana Michaelichen) 
 
Grávida, a apresentadora Eliana está afastada do trabalho por causa de uma condição conhecida como “descolamento de placenta”. 

“Por conta desses acontecimentos que não podemos controlar, estou em repouso por ordens médicas. Tive um descolamento na placenta. Sei que não depende só da minha vontade, do meu esforço, mas farei o impossível para trazer o meu fruto da melhor maneira que Deus permitir. Preciso salvar minha filha de um parto extremamente prematuro. Tenho fé que, em breve, trarei boas notícias”, disse a apresentadora do SBT, numa mensagem a seus fãs. 

O obstetra Belmiro Gonçalves Pereira, professor da Unicamp e presidente da comissão de gestação de alto risco da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), explica que o problema a que Eliana se refere não é o que a medicina conhece como o descolamento clássico de placenta. 

A placenta é responsável por nutrir e fornecer oxigênio ao bebê pelo cordão umbilical, fazendo interface com a circulação sanguínea materna.
Mensagem de Eliana no Instagram sobre seu problema na gestação (Foto: Reprodução/Instagram/Eliana) 
Mensagem de Eliana no Instagram sobre seu problema na gestação (Foto: Reprodução/Instagram/Eliana) 
 
Quando há um descolamento clássico, o sangramento vaginal é grande e a situação é de emergência. Muitas vezes a mulher fica em estado de choque pela perda sanguínea. “Quando chega um caso desses, já procedemos para o bebê nascer”, explica o médico. 
 
O motivo é que há uma descontinuidade do fornecimento de nutrientes e oxigênio para a criança. 

Mais recentemente, no entanto, o avanço da ultrassonografia tem permitido a identificação de pequenos descolamentos entre a placenta e o útero, que não cortam o fornecimento de oxigênio e nutrientes ao bebê, mas podem evoluir para um descolamento maior e, por isso, são motivo de preocupação. 

Nesses casos, que costumam acontecer entre a 28ª e 32ª semanas de gestação, é recomendado o repouso, para que a criança possa continuar se desenvolvendo. “Achei muito prudente terem afastado a Eliana para repouso”, diz Pereira. 

Nessa situação, os médicos costumam acompanhar a situação da placenta com exames de ultrassom, até chegar o momento adequado para o parto. Para esses pequenos descolamentos, explica Pereira, a medicina ainda não identificou fatores de risco. 

O descolamento clássico, mais grave, é mais frequente entre mulheres com pressão alta. 

Mortes vinculadas a Alzheimer aumentaram 55% em 15 anos nos EUA

Envelhecimento da população e aumento de diagnósticos são possíveis fatores para o aumento.

Casal de idosos (Foto: Pierre Amerlinck/Freeimages.com) 
Casal de idosos (Foto: Pierre Amerlinck/Freeimages.com) 
 
O número de mortes provocadas pelo mal de Alzheimer aumentou 55% entre 1999 e 2014 nos Estados Unidos, segundo as últimas estatísticas dos Centros de Controle e Prevenção de Enfermidades (CDC) publicadas na quinta-feira (26). 

Várias fatores poderiam explicar este aumento: o envelhecimento da população, o aumento do número de pessoas que têm o diagnóstico em um momento inicial da doença e o fato de que um número maior de médicos indicarem o Alzheimer como causa de morte nos certificados de óbitos. 

Os autores do relatório do CDC reportam também a diminuição da mortalidade de pessoas maiores por outras doenças, como infarto de miocárdio e acidente vascular cerebral. 

A taxa de mortalidade atribuída ao Alzheimer aumentou de 16,5 por cada 100 mil pessoas em 1999 a 25,4 em 2014, o que representa um aumento de 55%. 

A maioria dos falecimentos por essa doença cerebral degenerativa que não tem cura acontece em casas de repouso ou em instituições que oferecem cuidados de longo prazo, embora essa tendência tenha diminuído (de 68% em 1999 a 54% em 2014). 

Um número crescente de pessoas morreu por Alzheimer em casa durante esse período. Essa taxa subiu de 14% em 1999 para 25% em 2014. Isso significa que mais pacientes com Alzheimer são cuidados em casa por membros de sua família. 

"Milhões de americanos e suas famílias se veem profundamente afetadas pelo mal de Alzheimer", afirma a médica Anne Schuchat, diretora do CDC. 

"Com o avanço do Alzheimer na população de idade avançada, os cuidados domiciliares se tornam muito importantes", ressaltaram os autores do estudo. 

O Alzheimer é a sexta causa de morte nos Estados Unidos, representando em 3,6% do total em 2014; e a quinta nos americanos com mais de 65 anos. 

A idade é o principal fator de risco para a doença. A grande maioria dos pacientes tem mais de 65 anos. 

Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/mortes-vinculadas-a-alzheimer-aumentaram-55-em-15-anos-nos-eua.ghtml