Gelo combustível, a promissora fonte de energia que a China extraiu do fundo do mar
Imensa
reserva energética de hidratos de metano poderia substituir o petróleo e
o gás natural; país asiático deu grande passo ao extrair grandes
quantidades do composto.
Por BBC
Embora pareça com gelo, o hidrato de metano é inflamável (Foto: USGS)
A China anunciou ter extraído do fundo do Mar da China Meridional uma
quantidade considerável de hidrato de metano, também conhecido como gelo
combustível, que é tido por muitos como o futuro do abastecimento de
energia.
Num comunicado emitido na semana passada, autoridades do país asiático
comemoraram o feito. Isso porque a tarefa é considerada altamente
complexa, e já tinha sido alvo de tentativas pelo Japão e pelos Estados
Unidos, sem muito sucesso.
Mas o que é exatamente esse composto e por que ele é considerado chave como uma promissora fonte de energia no mundo?
Reservas imensas
O gelo combustível ou gelo inflamável é uma mistura gelada de água e gás.
"Parecem cristais de gelo, mas quando se olha mais de perto, a nível
molecular, veem-se as moléculas de metano dentro das moléculas de água",
explica à BBC Praven Linga, professor do Departamento de Engenharia
Química e Biomolecular da Universidade Nacional de Cingapura.
Conhecidos como hidratos de metano, formam-se a temperaturas muito
baixas, em condições de pressão elevada. São encontrados em sedimentos
do fundo do mar e ou abaixo do permafrost, a camada de solo congelada
dos polos.
O gás encapsulado dentro do gelo torna os hidratos inflamáveis, mesmo a
baixíssimas temperaturas. Essa combinação rendeu-lhe o apelido de "gelo
de fogo".
Quando se reduz a pressão ou se eleva a temperatura, os hidratos se
decompõem em água e metano. Um metro cúbico dessa substância libera
cerca de 160 metros cúbicos de gás - ou seja, trata-se de um combustível
de grande potencial energético.
O problema, no entanto, é que extrair esse gás é um processo que, por si só, consome muita energia.
Países pioneiros
Os hidratos de metano foram descobertos no norte da Rússia nos anos
1960, mas foi há apenas dez ou 15 anos que começou a pesquisa sobre como
extrai-lo dos sedimentos marinhos.
O Japão foi pioneiro na exploração devido à sua carência de fontes de
energia natural. Outros países líderes na prospecção de gelo combustível
são Índia e Coreia do Sul, que tampouco têm reservas próprias de
petróleo.
Americanos e canadenses também são bastante atuantes neste sentido - o
foco de suas explorações tem sido nos hidratos de metano abaixo do
permafrost do norte do Alasca e Canadá.
Por que importa?
Pesquisadores acreditam que os hidratos de metano têm o potencial de se
tornar uma fonte de energia revolucionária que poderia ser fundamental
para suprir necessidades energéticas no futuro.
Existem grandes depósitos abaixo dos oceanos do globo, sobretudo nas
extremidades dos continentes.
Atualmente, vários países estão buscando
maneiras de extraí-lo de forma segura e rentável.
A China descreveu a extração feita na semana passada como "um feito importante".
Praven Linga compartilha dessa visão: "Em comparação com os resultados
que temos visto na pesquisa japonesa, os cientistas chineses conseguiram
extrair uma quantidade muito maior de gás".
"É certamente um passo importante em tornar viável a extração de gás dos hidratos de metano", acrescentou.
Estima-se que sejam encontradas dez vezes mais gás nos hidratos de
metano do que no xisto, do qual pode ser extraído gás natural e óleo e
também tem servido como alternativa energética.
"E essa é uma estimativa conservadora", ressalva Linga.
A China descobriu o gelo combustível no Mar da China Meridional em 2007
- uma área cuja soberania tem sido disputada entre o país, o Vietnã e
as Filipinas.
Pequim reclama domínio sobre a área, alegando ter o direito de
exploração de todas as potenciais reservas naturais escondidas abaixo da
superfície.
Futuro
Embora o êxito da China seja um avanço importante, esse é apenas um passo de um longo caminho.
"É a primeira vez que os índices de produção são realmente
promissores", disse Linga. "Mas acreditamos que só em 2025, na melhor
das hipóteses, poderemos considerar realistas as opções comerciais",
acrescenta.
Segundo a imprensa chinesa, eles conseguiram extrair, da região de
Shenhu, uma média de 16 mil metros cúbicos de gás de elevada pureza por
dia.
Linga ainda ressalta que as empresas que potencialmente operem na
exploração do material devem seguir condutas bastante rígidas de
controle para se evitar danos ambientais.
O perigo é que o metano escape, e isso teria consequências graves para o
aquecimento global, já que se trata de um gás com um potencial de
impacto sobre as mudanças climáticas muito maior do que o dióxido de
carbono.
Monitoramento aponta aumento de 57,7% no desmatamento da Mata Atlântica
Dado compara períodos de destruição da mata entre 2014-2015 e 2015-2016. Levantamento é do Inpe e da ONG SOS Mata Atlântica.
Por G1
Mata Atlântica teve aumento no desmatamento (Foto: Rudimar Narciso Cipriani)
A ONG Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (INPE) divulgaram nesta segunda-feira (29) novos dados do
Atlas da Mata Atlântica, com dados sobre sua conservação. Os mai atuais
são referentes ao período de 2015-2016. O estudo verificou no período um
desmatamento de 290 Km² nos 17 estados que possuem partes do bioma, um
aumento de 57,7% em relação ao período anterior (2014-2015), que teve
desmatamento de 184 km².
A Bahia foi o estado com mais desmatamento 122,8 km² (alta de 207% em
relação ao ano anterior, quando foram destruídos 39,9 km²). Dois
municípios baianos – Santa Cruz Cabrália e Belmonte são os maiores
desmatadores, com derrubada de 30,5 km² e 21,1 km², respectivamente.
O segundo estado com mais desmatamento é Minas Gerais, com 74 km²
desmatados, seguido por Paraná (34,5 km²) e Piauí (31,25 km²).
A Mata Atlântica está distribuída ao longo da costa atlântica do
Brasil, e se espalha também para áreas da Argentina e do Paraguai.
Veja como evoluiu o desmatamento, estado a estado:
Desmatamento da Mata Atlântica (km²)
Estado
2014-2015
2015-2016
Variação
1º
BA
39,97
122,88
207%
2º
MG
77,02
74,10
-4%
3º
PR
19,88
34,53
74%
4º
PI
29,26
31,25
7%
5º
SC
5,98
8,46
41%
6º
SP
0,45
6,98
1462%
7º
ES
1,53
3,30
116%
8º
MS
2,63
2,65
1%
9º
RS
1,60
2,45
53%
10º
SE
3,63
1,60
-56%
11º
GO
0,34
1,49
345%
12º
RJ
0,27
0,37
37%
13º
PB
0,11
0,32
206%
14º
PE
1,36
0,16
-88%
15º
AL
0,04
0,11
181%
16º
CE
0,03
0,09
149%
17º
RN
0,23
-
184,33
290,75
57,70%
Surto de febre amarela pode ser 'tiro de misericórdia' para primatas ameaçados de extinção, dizem especialistas
Além
de causar a maior epidemia da doença no país entre humanos, com 426
mortes, vírus teve expansão geográfica sem precedentes em florestas e
matas, definido por especialistas como tragédia humana e ambiental.
Por BBC
A febre amarela chegou à única região do país onde o mico-leão-dourado
ainda vive na natureza (Foto: Andréia Martins/Associação
Mico-leão-dourado)
O maior surto de febre amarela silvestre já enfrentado pelo Brasil não
chegou ao coração das grandes cidades, como muitos temiam, mas vem
atingindo regiões onde vivem alguns dos primatas mais ameaçadas do país -
e especialistas temem que sua expansão possa acelerar a extinção de
espécies vulneráveis.
Até agora, de acordo com o Ministério da Saúde, quase 5,5 mil macacos
morreram por suspeita de febre amarela desde o início do surto - números
considerados muito aquém da realidade, já que muitos animais morrem no
interior das matas, distante de qualquer contato com humanos.
Além de provocar a maior epidemia humana da doença em décadas no
Brasil, causando 426 mortes, o vírus teve uma expansão geográfica sem
precedentes em florestas e matas, definida por especialistas como uma
tragédia humana e ambiental.
A comunidade de primatólogos está apreensiva com o impacto da
mortandade sobre espécies ameaçadas de extinção, como o
muriqui-do-norte, o mico-leão-dourado e os bugios, que vivem em reservas
e matas nas regiões alcançadas.
"Já tínhamos 70% dos primatas da Mata Atlântica ameaçados de extinção",
afirma Leandro Jerusalinsky, coordenador do Centro Nacional de Pesquisa
e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB) do Instituto Chico Mendes
de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
"Junte-se a esse cenário um surto de febre amarela, e a coisa complica.
Para várias populações, isso pode ser o tiro de misericórdia, que leve
de fato a extinções locais", diz ele, considerando que ainda vai levar
um tempo para avaliar o impacto do surto atual.
Mortes em segundo plano
No auge do surto, entre janeiro e março, Jerusalinsky diz que seu
WhatsApp não parava. Fotos de animais encontrados mortos chegavam toda
hora pelo aplicativo, acompanhando trocas de mensagens constantes de
primatólogos de todo o país - que formaram grupos para tentar acompanhar
o avanço do surto.
O vírus se disseminou rapidamente por Minas Gerais e Espírito Santo.
Chegou ao sul da Bahia e a áreas dos Estados de São Paulo e do Rio de
Janeiro, onde segue avançando: nesta semana (24/05), a sétima morte
humana por febre amarela foi confirmada no Rio, em Porciúncula, no
noroeste do Estado.
Nas epidemias de febre amarela, os primatas servem como sentinelas
involuntários. Quando começam a morrer, é dado o sinal de que o vírus
está na área, um alarme fundamental para guiar políticas de saúde
pública e alertar para a necessidade de se vacinar as populações nas
cercanias.
O muriqui-do-norte é uma das espécies de primatas mais ameaçadas do
mundo. O vírus chegou à reserva ambiental em Caratinga, MG, onde ainda
há populações da espécie (Foto: Jorge Lucas)
Segundo especialistas, o sauá é uma das espécies mais atingidas até agora pelo surto de febre amarela (Foto: Hudson Martins)
Por causa dos riscos à saúde humana, o governo, através do Ministério
da Saúde, concentra seus esforços no monitoramento e prevenção. O ponto
de vista ambiental fica em segundo plano.
"Nosso objetivo é detectar a circulação do vírus e evitar casos
humanos", diz Renato Vieira Alves, diretor adjunto do Departamento de
Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde. "Não há, do
ponto de vista da vigilância, o objetivo de quantificar ou acompanhar
individualmente todas as ocorrências entre primatas."
Com isso, casos entre primatas muitas vezes não são investigados, diz
Jerusalinsky, e é difícil precisar quais espécies estão sendo afetadas,
não havendo sempre exames laboratoriais confirmando a causa da morte -
ou mesmo detalhes sobre as espécies ou gênero dos animais encontrados
mortos.
"Às vezes na ficha consta apenas 'macaco'", lamenta ele.
Desequilíbrio nas florestas
Além da ameaça à biodiversidade, a mortandade impacta também a ecologia
das florestas, já que os primatas têm importante papel no equilíbrio
das matas.
Dependendo dos hábitos alimentares de cada espécie, desempenham funções
diferentes, ajudando a propagar sementes das frutas que comem, a
reciclar nutrientes do solo ou atuando como predadores, influindo no
controle da população de insetos e aracnídeos.
"Quando você reduz drasticamente uma população, isso gera vários
desequilíbrios, e não sabemos ainda como a mata vai responder a isso",
diz o primatólogo Sérgio Lucena.
Professor de zoologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes),
Lucena vem acompanhando com assombro o avanço do vírus e os números de
mortandade no Espírito Santo desde o início do ano.
Dos mais de 5 mil primatas mortos notificados no Ministério da Saúde,
pelo menos 1,2 mil seriam do Estado, afirma - um número muito alto
considerando-se o tamanho do território do Espírito Santo.
O bugio ruivo é uma das espécies mais suscetíveis ao vírus da febre amarela (Foto: Rogério Ribeiro)
Além de caírem vítimas do vírus, muita vezes os primatas são
penalizados duplamente, encarados pela população, por ignorância, como
uma ameaça.
Diante de relatos de que pessoas estariam matando macacos por medo de
que espalhassem o vírus, órgãos de saúde e meio ambiente vêm fazendo
campanhas ressaltando sua "utilidade pública" como sentinelas - e
esclarecendo que eles não são transmissores do vírus. O vetor é sempre o
mosquito - na forma silvestre da doença, dos gêneros Haemagogus e
Sabethes.
"Os primatas são as principais presas dos mosquitos na febre amarela
silvestre", explica Lucena. "Se você mata os macacos, os mosquitos
adaptados a picá-los vão procurar o ser humano", afirma.
Espécies ameaçadas
Lucena estima que sete espécies de primatas tenham sido mais afetadas pela virose, das quais cinco são ameaçadas de extinção.
"A febre amarela sozinha vai levá-las à extinção? Não, não vai. Mas é
mais um impacto que as empurra em direção à extinção", considera.
"São espécies que já estão com população reduzida, vulnerável, lidando
com fatores como desmatamento, caça ilegal, captura para comércio
clandestino, que a gente vem tentando contornar", explica.
"Aí chega a epidemia de febre amarela e derruba populações que estamos há décadas trabalhando para proteger."
Lucena iniciou em fevereiro um trabalho de pesquisa com um grupo de
cerca de 15 pessoas para mapear os primatas mortos, as espécies afetadas
e tentar entender como o vírus avança tão rapidamente por regiões
diferentes.
Além de o número conhecido de mortes ser considerado abaixo da
realidade, os registros não permitem saber de que espécie cada caso se
trata.
Pelo que os estudos até agora sugerem, Lucena diz que as espécies mais
atingidas são os bugios, o sauá ou guigó, e o sagui-de-cara-branca. Os
dois primeiros estão na lista de animais ameaçados atualizada em 2014
pelo ICMBio (conforme a portaria 444 publicada pelo Ministério do Meio
Ambiente).
Bugio ruivo encontrado morto: a espécie é uma das mais suscetíveis ao vírus (Foto: Rogério Ribeiro)
Porém, o primatólogo teme também por outras três espécies ameaçadas,
que ainda não tiveram mortes pelo vírus confirmadas em laboratório.
São elas o sagui-da-serra, ("encontramos animais mortos com
características típicas de febre amarela"); o muriqui-do-norte, espécie
criticamente ameaçada de extinção e cuja população apresentou uma
redução de 10% nos últimos seis meses ("tamanha redução em tão pouco
tempo não é normal e sugere que foram atingidos pela virose"); e o
mico-leão-dourado, um dos símbolos da luta para preservar a
biodiversidade brasileira.
Florestas 'silenciosas'
Embora ainda não haja confirmação de óbitos por febre amarela em
animais dessas espécies, o vírus chegou à região onde suas populações
vivem. Isso significa uma ameaça também para os próximos anos, mesmo que
a epidemia não afete as populações de imediato.
Os primatas têm diferentes níveis de suscetibilidade ao vírus. O drama
mais evidente é o dos bugios, gênero extremamente sensível à febre
amarela.
Lucena estima que entre 80% e 90% dos bugios de uma dada população sejam dizimados quando o vírus chega à floresta.
Conhecidos pelo sonoro "ronco" que vocalizam, sua falta reverbera pelas
florestas. "As matas ficaram silenciosas", diz Lucena. "É o que a gente
mais ouve quando falamos com pessoas que trabalham ou moram na região."
No Parque Nacional de Itatiaia, o bugio esbranquiçado é uma fêmea com
falta de pigmentação causada por uma anomalia genética. Segundo o
biólogo Izar Aximoff, a causa provável é a baixa variabilidade genética
dos bugios no parque, dizimados por um surto de febre amarela em 1939
(Foto: Leonardo Campos)
Mas em março, a chegada da febre amarela ao município de Casimiro de
Abreu, no Rio, acendeu um alerta sobre uma espécie que quase foi extinta
da face da Terra há poucas décadas, e sobrevive apenas na região.
A área no entorno é a única de ocorrência natural do mico-leão-dourado, sobretudo na reserva ecológica de Poço das Antas.
"Estamos acompanhando o avanço do vírus com muita preocupação e
atenção, diz Luis Paulo Ferraz, secretário-executivo da Associação
Mico-Leão-Dourado - cuja equipe está em estágio de "alerta total".
Os micos quase foram à extinção entre os anos 1970 e 1980. De lá para
cá, um minucioso trabalho de recuperação fez com que a população saísse
dos apenas 200 que sobreviviam lá atrás para a população atual de cerca
de 3,2 mil micos.
"Não tivemos registro ainda de nenhum mico infectado. O que é uma boa
notícia por enquanto, mas isso vai ser uma preocupação permanente para
os próximos anos", diz Ferraz, afirmando que é a primeira vez que o
vírus chega à região. "A febre amarela chegou. Uma doença como essa
poderia levar a consequências muito sérias."
Estrago que dura décadas
Dois outros surtos de febre amarela silvestre antecederam o atual, em
2001 e em 2008-9, matando milhares de primatas nas florestas. O último
espalhou-se pelo Rio Grande do Sul, dizimando famílias de
bugios-ruivos-do-sul.
O impacto foi tamanho que levou a espécie para a lista de ameaçadas - passando a ser listada, em 2014, como vulnerável.
Os bugios são também símbolo do estrago que a febre amarela pode representar no longo prazo.
O biólogo Izar Aximoff estudou um surto epizoótico que ocorreu em 1939 e
praticamente acabou com a população de bugios no Parque Nacional do
Itatiaia (MG e RJ).
Hoje, apenas cinco indivíduos sobrevivem no parque. Uma das fêmeas têm a
coloração alterada, uma falta de pigmentação conhecida como leucismo.
De cordo com Aximoff, a anomalia é consequência provável do
intercruzamento entre parentes e da baixa variabilidade genética do
grupo.
"Mesmo depois de mais de 70 anos, essa população nunca conseguiu se
recuperar", afirma ele, ressaltando que, mesmo quando a população não é
extinta completamente, o baixo número de indivíduos pode gerar problemas
para sua viabilidade a longo prazo, levando-se em conta pressões como a
caça e a falta de parceiros para reprodução.
"O cruzamento entre indivíduos de pequenas populações pode resultar em
problemas genéticos para as futuras gerações, como observamos no Parque
Nacional do Itatiaia", aponta Aximoff, aluno de doutorado do Instituto
de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Primatólogos temem que o vírus venha a atingir também o
bugio-ruivo-do-norte, outra subespécie que vive na Mata Atlântica - um
dos 25 primatas mais ameaçados do mundo.
Leandro Jerusalinsky, do ICMBio, afirma não haverem, ainda, mortes confirmadas desta subespécie.
Porém, dada a suscetibilidade dos bugios e o fato de o vírus ter chegado à região onde vivem, "um sinal vermelho se acendeu".
É possível vacinar macacos?
Para primatólogos, o surto atual desperta tanta ansiedade quanto
impotência, já que nada pode ser feito para conter o avanço do vírus
entre os primatas.
O surto atual levantou um debate: poderia ser desenvolvida uma vacina segura também para os primatas?
Com mais de 25 anos de experiência com vacina de febre amarela de uso
humano, o virologista Marcos Freire de dispôs a debruçar-se sobre o
assunto e encontrar respostas, com apoio de estudiosos do ramo e da
Sociedade Brasileira de Primatologia.
Vice-diretor de desenvolvimento tecnológico de Biomanguinhos, da
Fundação Oswaldo Cruz, ele conta que os primeiros passos estão sendo
dados para o desenvolvimento de uma vacina em primatas não-humanos - um
processo longo que ainda precisa passar por algumas etapas para ser
aprovado.
"Estamos elaborando um protocolo para pedir a autorização para testar
algumas formulações vacinais em primatas não-humanos", explica.
"Esse protocolo precisa passar, primeiro, por um comitê de ética de
experimentação animal; e depois ser aprovado pelo ICMBio. Passado todo
esse trâmite regulatório, é um experimento que queremos fazer, e deve
durar um ano. Eu acredito que é viável", diz.
A tarefa de aplicar vacinas em populações de primatas vivendo em topos
de árvores pode parecer loucura. Mais do que pensar em imunizar
populações de macacos de uma maneira geral, porém, a ideia é vislumbrada
como uma ferramenta para situações de emergência - para salvar
populações em alto risco de extinção, em vez de assistir enquanto são
dizimadas.
"Vacina injetável não é praxe para animal silvestre, já que envolveria
capturar os animais para aplicar a vacina", admite Freire. "Porém, em
populações de alto risco, você poderia desenvolver uma força-tarefa para
imunizar os primatas e assim protegê-los de um desfecho dramático."
“O crack cozinha o cérebro. É um caminho sem volta.”
Nos últimos
dias, motivados pelas notícias sobre as apreensões, buscas e ações da
polícia na cracolândia, no centro de São Paulo, o assunto “crack” e
dependentes químicos passou a fazer parte das rodas de conversas das
pessoas, e frases semelhantes são comumente proferidas por muita gente.
Afinal de contas, o caminho do crack pode ter volta? Vamos entender.
O que é o crack? O
crack está entre as drogas com maior potencial de dependência. É
produzido a partir da pasta da cocaína, misturada com outras substâncias
como água e bicarbonato de sódio. Por isso, os efeitos do crack e da
cocaína são muito semelhantes. No entanto, nas pedras do crack há muitas
outras substâncias com variados graus de impurezas que podem causar
danos irreversíveis ao organismo.
O crack vicia mais que a cocaína? Sim.
O poder de dependência do crack parece ser duas vezes maior que o da
cocaína. O crack é fumado com o uso de “cachimbos” improvisados, onde as
pedras são colocadas, queimadas e aspiradas. É muito quente, e por isso
frequentemente os usuários têm os lábios queimados. Por ser fumado,
atinge rapidamente os pulmões. Como a superfície pulmonar é ampla e
intensamente vascularizada, em mais ou menos 30 segundos as pessoas já
sentem o efeito da droga. A cocaína, por sua vez, é normalmente
aspirada pela mucosa respiratória, que tem uma superfície menor e é
menos vascularizada. Por isso os efeitos da cocaína demoram mais para
começar e duram mais tempo, em geral em torno de 20-45 minutos. Os
efeitos do crack são muito mais intensos e terminam muito mais
rapidamente, geralmente em torno de 5 minutos.
Resultado: as pessoas
querem fumar mais e mais, fazendo com que se exponham à droga com maior
frequência, inalando quantidades bem maiores, que levam à dependência com mais facilidade.
Quais os efeitos do crack no organismo? Assim
que inalado, em apenas alguns segundos o crack atinge o sistema nervoso
central, causando uma intensa euforia, sensação de prazer e bem-estar.
A autoestima aumenta, tem-se a impressão de superpoderes, com muita
excitação e hiperatividade. O problema é que estes efeitos duram apenas
uns 5 minutos. Assim que cessam, os dependentes químicos entram na
“fissura” de querer mais. Depois mais e mais. Quando não conseguem a
droga podem entrar em estado de “paranoia”. Daí vem o termo “noias” que
popularmente se aplica aos que dependem do crack.
Quais os danos que o crack causa na saúde? O
crack pode matar. Seus efeitos deletérios podem atingir vários sistemas
orgânicos vitais e causar psicoses ou lesões irreversíveis no
funcionamento dos órgãos. Mas o mais degradante talvez seja a
decomposição humana a que o crack impele as pessoas. A abstinência da
droga transforma os que dela dependem. A perda da própria dignidade, do
auto respeito, da liberdade de existir, ou a deterioração e decadência
da pessoa física são consequências inevitáveis e por vezes tão intensas e
chocantes que nos remetem à próxima pergunta:
É um caminho sem volta? Para muitos, sim. Mas,
para quem efetivamente decide sair, há uma porta. O esforço para vencer a
abstinência é absurdamente hercúleo, mas não é impossível. Muitos já
conseguiram e estão aí para provar que é possível.
Vencer a si
mesmo. Este é o desafio maior. Recuperar-se como pessoa, resgatar os
próprios valores e, mais que tudo, a própria dignidade. É um esforço
quase que sobre-humano, mas, felizmente, viável para os que têm
vontade, determinação e força. Muita força.
Mudar um problema de lugar não é resolvê-lo. É tão somente... mudar um problema de lugar.
Tirar ou não os sapatos antes de entrar em casa? Veja as dicas dos especialistas
Você tem o hábito de tirar os sapatos antes de entrar em casa? Isso pode ajudar a deixar a sujeira do lado de fora.
Por G1, São Paulo
O Bem Estar desta segunda-feira (29) deu dicas para entrar em casa com
saúde. Você tem o hábito de tirar os sapatos antes de entrar em casa?
Isso pode ajudar a deixar a sujeira do lado de fora. Também é importante
sempre lavar as mãos e, se você tiver um bichinho de estimação, limpar
as patinhas depois de passear. Convidamos o consultor e infectologista
Caio Rosenthal e o microbiologista Uelinton Pinto para falar sobre o
assunto.
Os micro-organismos estão presentes em todos os lugares, e segundo o
Uelinton, não é nenhuma surpresa encontrar bactérias nos sapatos das
pessoas. Normalmente o que acontece é que esses germes não costumam ser
patogênicos, ou seja, não causam doenças.
Por outro lado, existem muitos vírus e bactérias que resistem algumas
horas sem alimentos na nossa roupa, sola do sapato, maçanetas e outras
superfícies. Por isso quanto menos sujeira levarmos para dentro de casa,
menor a chance de sermos contaminados.
Grávida, apresentadora Eliana se afasta da TV e relata descolamento de placenta; entenda o que é
'Preciso
salvar minha filha de um parto extremamente prematuro', disse Eliana em
mensagem aos fãs. Médico explica que repouso é recomendado em casos
como o dela.
Por G1
Eliana informou aos fãs por que deixou de apresentar programa (Foto: Reprodução/Facebook/Eliana Michaelichen)
Grávida, a apresentadora Eliana está afastada do trabalho por causa de uma condição conhecida como “descolamento de placenta”.
“Por conta desses acontecimentos que não podemos controlar, estou em
repouso por ordens médicas. Tive um descolamento na placenta. Sei que
não depende só da minha vontade, do meu esforço, mas farei o impossível
para trazer o meu fruto da melhor maneira que Deus permitir. Preciso
salvar minha filha de um parto extremamente prematuro. Tenho fé que, em
breve, trarei boas notícias”, disse a apresentadora do SBT, numa
mensagem a seus fãs.
O obstetra Belmiro Gonçalves Pereira, professor da Unicamp e presidente
da comissão de gestação de alto risco da Febrasgo (Federação Brasileira
das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), explica que o problema a
que Eliana se refere não é o que a medicina conhece como o descolamento
clássico de placenta.
A placenta é responsável por nutrir e fornecer oxigênio ao bebê pelo
cordão umbilical, fazendo interface com a circulação sanguínea materna.
Mensagem de Eliana no Instagram sobre seu problema na gestação (Foto: Reprodução/Instagram/Eliana)
Quando há um descolamento clássico, o sangramento vaginal é grande e a
situação é de emergência. Muitas vezes a mulher fica em estado de choque
pela perda sanguínea. “Quando chega um caso desses, já procedemos para o
bebê nascer”, explica o médico.
O motivo é que há uma descontinuidade do fornecimento de nutrientes e oxigênio para a criança.
Mais recentemente, no entanto, o avanço da ultrassonografia tem
permitido a identificação de pequenos descolamentos entre a placenta e o
útero, que não cortam o fornecimento de oxigênio e nutrientes ao bebê,
mas podem evoluir para um descolamento maior e, por isso, são motivo de
preocupação.
Nesses casos, que costumam acontecer entre a 28ª e 32ª semanas de
gestação, é recomendado o repouso, para que a criança possa continuar se
desenvolvendo. “Achei muito prudente terem afastado a Eliana para
repouso”, diz Pereira.
Nessa situação, os médicos costumam acompanhar a situação da placenta
com exames de ultrassom, até chegar o momento adequado para o parto.
Para esses pequenos descolamentos, explica Pereira, a medicina ainda não
identificou fatores de risco.
O descolamento clássico, mais grave, é mais frequente entre mulheres com pressão alta.
Mortes vinculadas a Alzheimer aumentaram 55% em 15 anos nos EUA
Envelhecimento da população e aumento de diagnósticos são possíveis fatores para o aumento.
Por France Presse
Casal de idosos (Foto: Pierre Amerlinck/Freeimages.com)
O número de mortes provocadas pelo mal de Alzheimer aumentou 55% entre
1999 e 2014 nos Estados Unidos, segundo as últimas estatísticas dos
Centros de Controle e Prevenção de Enfermidades (CDC) publicadas na
quinta-feira (26).
Várias fatores poderiam explicar este aumento: o envelhecimento da
população, o aumento do número de pessoas que têm o diagnóstico em um
momento inicial da doença e o fato de que um número maior de médicos
indicarem o Alzheimer como causa de morte nos certificados de óbitos.
Os autores do relatório do CDC reportam também a diminuição da
mortalidade de pessoas maiores por outras doenças, como infarto de
miocárdio e acidente vascular cerebral.
A taxa de mortalidade atribuída ao Alzheimer aumentou de 16,5 por cada
100 mil pessoas em 1999 a 25,4 em 2014, o que representa um aumento de
55%.
A maioria dos falecimentos por essa doença cerebral degenerativa que
não tem cura acontece em casas de repouso ou em instituições que
oferecem cuidados de longo prazo, embora essa tendência tenha diminuído
(de 68% em 1999 a 54% em 2014).
Um número crescente de pessoas morreu por Alzheimer em casa durante
esse período. Essa taxa subiu de 14% em 1999 para 25% em 2014. Isso
significa que mais pacientes com Alzheimer são cuidados em casa por
membros de sua família.
"Milhões de americanos e suas famílias se veem profundamente afetadas
pelo mal de Alzheimer", afirma a médica Anne Schuchat, diretora do CDC.
"Com o avanço do Alzheimer na população de idade avançada, os cuidados
domiciliares se tornam muito importantes", ressaltaram os autores do
estudo.
O Alzheimer é a sexta causa de morte nos Estados Unidos, representando
em 3,6% do total em 2014; e a quinta nos americanos com mais de 65 anos.
A idade é o principal fator de risco para a doença. A grande maioria dos pacientes tem mais de 65 anos.