Banco Mundial arrecada US$ 500 milhões para combater pandemias
Investidores
do fundo têm rendimentos elevados, mas correm o risco de perder todos
os investimentos caso haja uma nova pandemia. Fundo foi criado após
epidemia de ebola.
Por France Presse
Pessoas
passam por outdoor com alerta sobre o ebola na cidade de Freetown, em
Serra Leoa; fundo para combater pandemias do Banco Mundial foi criado
após epidemia de ebola (Foto: AP Photo/Aurelie Marrier d'Unienville)
O Banco Mundial (BM) anunciou, nesta quarta-feira (28), que arrecadou
500 milhões de dólares nos mercados para financiar seu fundo de combate a
pandemias, criado após a epidemia de ebola no oeste da África, em 2013.
"Nós estamos superando o ciclo de pânico e negligência que marcou nosso
comportamento em casos de pandemia", disse o presidente da instituição
Jim Yong Kim, em comunicado.
O mecanismo de financiamento consiste da emissão de títulos pelo BM que
funcionem como uma apólice de seguros: os investidores têm rendimentos
elevados, mas correm o risco de perder todos os investimentos caso haja
uma nova pandemia.
Se isso acontecer, todo o valor arrecadado integraria o Fundo de
Financiamento de Emergência contra Pandemias (PEF, em inglês), que vai
dar financiar sistemas de saúde pública de países em desenvolvimento.
O PEF cobre os vírus mais prováveis de causar uma pandemia - influenza
A, SARS, MERS, ebola, vírus de Marburg - e outros como Crimean Congo,
febre do Vale de Rift e febre de Lassa.
Outro objetivo desse fundo é diminuir a lentidão da mobilização de
ajuda internacional. Essa demora foi particularmente grave na epidemia
do ebola, que deixou 11.300 mortos entre 2013 e 2016.
De acordo com o BM, pela primeira vez o custo do risco de uma pandemia
em países pobres será transferido para o mercado financeiro. Os bônus
seduziram os investidores e, segundo o BM, a demanda foi duas vezes
maior que a oferta.
Cientistas identificam proteína que controla metástase do câncer de pele
Quando
proteína chamada Midkine foi inibida em roedores, metástase também foi
bloqueada. Achado pode ser caminho para desenvolvimento de novo remédio.
Por France Presse
Cientistas identificaram uma proteína do câncer que controla a
disseminação da doença a partir da pele para outros órgãos e sugeriram,
nesta quarta-feira (28), que bloqueá-la pode ser um tratamento efetivo
para combater a metástase.
Trabalhando com camundongos geneticamente modificados para desenvolver
câncer de pele humana, a equipe descobriu que a proteína desempenha um
papel importante na promoção, ou inibição, da metástase - quando o
câncer se espalha de uma área (ou órgão) para outra.
Chamada de Midkine, a proteína é secretada por melanomas, o tipo mais
grave de câncer de pele, antes de se transportar para uma parte
diferente do corpo do rato e iniciar ali a formação do tumor, disseram
os pesquisadores.
Em observações subsequentes em humanos, níveis elevados de Midkine nos
linfonodos de pacientes com câncer de pele eram preditivos de resultados
"significativamente piores", informou a equipe na revista científica
"Nature".
Isso aconteceu mesmo quando não havia células tumorais nos linfonodos.
Estratégia para desenvolver medicamento
"Na Midkine encontramos uma possível estratégia que merece ser
considerada para o desenvolvimento de medicamentos", disse Marisol
Soengas, do Centro Nacional de Pesquisa do Câncer em Madri, coautora do
estudo.
A detecção precoce é importante no melanoma. Depois que ele começa a se
espalhar, o prognóstico do paciente geralmente é desfavorável.
Os cientistas acreditaram por muito tempo que o melanoma preparava os
órgãos que pretendia colonizar ativando o crescimento dos vasos
linfáticos transportadores de fluidos - primeiro no tumor primário,
depois nos linfonodos ao redor, e assim por diante.
No entanto, remover os linfonodos próximos a um melanoma não evita
metástases, o que significa que está "faltando algo" na compreensão do
mecanismo de disseminação, disseram os pesquisadores.
Mudança de paradigma
O novo estudo oferece uma possível resposta.
"Quando esses tumores são agressivos, eles agem à distância muito antes
do que se pensava", disseram os autores. A Midkine se transportou
diretamente para o novo local do câncer independentemente da formação de
vasos linfáticos em torno do tumor original.
Quando a Midkine foi inibida em tumores de ratos, a metástase também
foi bloqueada, disse a equipe. "Estes resultados indicam uma mudança de
paradigma no estudo da metástase do melanoma", de acordo com Soengas.
Os cientistas não sabem, no entanto, se a Midkine é transportada através do sangue, da linfa ou de ambos.
Em um comentário também publicado na Nature, Ayuko Hoshino e David
Lyden, da universidade Weill Cornell Medicine, em Nova York, disseram
que o estudo forneceu "percepções muito necessárias" para a predição do
risco metastático.
O trabalho, eles concluíram, "pode abrir uma porta para estratégias de
diagnóstico e terapêuticas que visam lidar com metástases antes delas
terem a chance de surgir".
Com foco na prevenção, projeto quer dar qualidade de vida a albinos
Programa
Pró-Albino atende, gratuita e periodicamente, 200 pessoas com
albinismo, na Santa Casa de São Paulo. É o primeiro e único projeto
deste tipo no país.
Por Erick Gimenes, G1 PR
Aparecida de Souza, uma das pacientes do Pró-Albino, aguarda por consulta (Foto: Fabio Tito/G1)
O Programa Pró-Albino, da Santa Casa de São Paulo, atende gratuitamente
mais de 200 brasileiros portadores de albinismo, hoje em dia. São
pessoas nascidas em diversos cantos do país, que buscam atendimento
especializado e acolhimento social.
O projeto, ainda experimental, foi criado pelo oncodermatologista
Marcus Maia, em 2010. A ideia é interligar especialidades médicas -
oncologia, dermatologia, oftalmologia e psicologia, por exemplo - para
oferecer acompanhamento completo e periódico a albinos. É o único
programa médico inteiramente dedicado a essas pessoas no Brasil.
"Pacientes albinos chegavam aqui com câncer de pele muito avançado. A
falta de proteção ao sol e uma pele muito clara, como é o caso dos
albinos, é o fator desencadeante. Eles chegavam muitas vezes com risco
de vida. Então, nós pensamos, naquela oportunidade: não é este,
exatamente, o paciente que eu quero.
Eu quero conhecer o albino antes do
câncer, para que a gente possa orientá-lo, para evitar que ele chegue
nessas condições", explica o médico.
É justamente a prevenção do câncer de pele, frequentíssimo entre os
albinos, a maior preocupação dos médicos do programa, conta a
coordenadora do Pró-Albino, Carolina Marçon. Quanto mais cedo e assíduo o
cuidado para evitar a doença, melhor a condição de vida dos albinos.
"Se eles cuidarem, se eles usarem protetor adequadamente, tomarem todos
os cuidados, eles chegam na idade adulta com a pele perfeita. Assim,
conseguem ter uma vida normal, como qualquer um", comenta a
dermatologista.
Marcus Maia, Carolina Marçon e Ronaldo Sano, médicos responsáveis pelo Pró-Albino (Foto: Fabio Tito/G1)
Nas cadeiras de espera do quinto andar de um dos prédios da Santa Casa,
onde funciona o Pró-Albino, mistura-se todo o tipo de gente com
albinismo: jovens universitários, senhoras, bebês, famílias quase
inteiras.
Todos eles passam por uma bateria de exames nas salinhas do
hospital, geralmente de dois em dois meses, e, caso necessário, recebem
tratamento imediato, ali mesmo.
Uma das técnicas mais comuns é a crioterapia, na qual se usa nitrogênio
líquido, em temperatura abaixo de zero, para matar as células
cancerígenas e reverter lesões de pele. Outro método corriqueiro é a
reposição de vitamina D, substância fundamental na prevenção de doenças
como osteoporose, raquistismo, diabetes e problemas vasculares, cuja
principal fonte é o sol.
Paciente passa pelo tratamento de crioterapia (Foto: Fabio Tito/G1)
Para os olhos, a grande jogada é o diagnóstico precoce, afirma o
coordenador de oftalmologia do Pró-Albino, Ronaldo Sano. "O
desenvolvimento visual das crianças ocorre principalmente nos sete
primeiros anos de vida. E, mais importante, nos três primeiros anos de
vida. O diagnóstico precoce desses pacientes, dando melhores condições e
estimulação visual desde cedo, faz com que eles tenham um
desenvolvimento mais rápido nessa primeira infância e resulte em melhor
visão".
A estimulação visual passa pelo uso adequado de óculos, exercícios
visuais com objetos coloridos e com a procura de objetos e exames
periódicos. "Se você fala que um albino vai melhorar em torno de 10% a
sua visão, para a gente que enxerga 100%, 10% é muito pouco. Mas nesses
pacientes, que enxergam 10%, 10% a mais é dobrar essa visão. Temos que
fazer o máximo que conseguimos por eles", diz o médico.
O músico João Paulo Santos, paciente do Pró-Albino, conta que o
atendimento especializado e as orientações oferecidas no programa
renderam melhor qualidade de vida a ele. Na infância e adolescência,
vividas sob o sol forte do interior de Minas Gerais, ele teve problemas
sérios de saúde por não conhecer sua condição.
"Quando criança, eu nem sabia que era albino. Meus pais não tinham
nenhum conhecimento também. Como eu vim de família humilde, eu tinha que
ajudar em casa. Um dos meus primeiros trabalhos foi de vender sorvete
na rua. Ficava exposto ao sol e sem proteção alguma. Também jogava bola,
ia para as represas, para os rios. À noite, vinha a consequência:
queimaduras, febre muito alta. Já cheguei a passar uma boa temporada no
hospital".
Santos conta que, aos 15 anos, teve queimaduras de terceiro grau,
causadas pela radiação solar, que renderam uma internação de 25 dias. Na
época, ele trabalhava capinando quintais. "Com uns 15, 16 anos, eu
trabalhava nessa parte de limpar quintais, exposto, ou recolhendo lixo.
Era uma forma que eu tinha de ganhar dinheiro e ajudar minha família.
Infelizmente, por não conhecer as consequências, eu não pensava nelas".
João Paulo Santos já trabalhou como sorveteiro e capinador de quintais, totalmente exposto ao sol (Foto: Fabio Tito/G1)
A dona de casa Aparecida de Souza, de 43 anos, conta que, ao chegar ao
Pró-Albino e se deparar com dezenas de outras pessoas iguais a ela,
sentiu-se acolhida. Ela é filha de agricultores e teve pouca informação
sobre o albinismo até conhecer o programa.
"Eu tinha preconceito de mim mesma. Eu mesma não me aceitava albina,
achava que a minha família era a única albina. Quando eu comecei a fazer
o tratamento, que eu comecei a ver, eu comecei a me aceitar melhor,
porque eu via que não era só agente que era diferente".
A desinformação custou cara para Aparecida. Ela diz ter perdido as
contas de quantos tumores de pele já teve - só na região da cabeça,
foram cinco -, todos curados com a ajuda dos médicos da Santa Casa.
"Graças a Deus, encontrei uma equipe médica muito boa, que cuidou de
mim com muito carinho. Cheguei perto de morrer, mas, dali para cá, não
parei mais de fazer o tratamento. Agora dá para levar a vida tranquila,
na boa", comemora.
Aparecida passa por consulta oftalmológica (Foto: Fabio Tito/G1)
Além de médico, o Pró-Albino tornou-se um programa, fundamentalmente,
social. "Nós percebemos que o programa era muito mais do que pele, muito
mais do que oftalmologia. Você está agrupando um grupo que não tinha
proteção, que não tem onde se orientar, onde se conhecer. Esse foi o
aspecto gregário que aconteceu. O grande problema do albino, além de
proteger a pele, a proteção dos olhos, é a inclusão social", diz Marcus
Maia.
Marcus Maia afirma que a grande meta do Pró-Albino é incentivar a
criação de outros programas parecidos por todo o Brasil. O médico lista
quatro grandes pontos a serem observados para que o tratamento aos
albinos seja apropriado:
Programas pedagógicos adequados
Proteção solar
Orientação profissional com atenção às limitações oftalmológicas
Erradicação do preconceito
"Pretendemos levar esse projeto para o Brasil inteiro, nos outros
serviços de dermatologia, de oftalmologia, e com isso garantir a
assistência médica e, consequentemente, outros tipos de assistência,
como a inclusão social do paciente", planeja.
Cientistas do Canadá lançaram o que promete ser maior estudo já feito no mundo sobre o impacto das noites mal dormidas.
Por BBC
Cientistas do Canadá lançaram o que promete ser o maior estudo do mundo sobre os efeitos da falta de sono no cérebro.
Eles esperam que pessoas de todo o mundo se registrem pela internet para fazer testes cognitivos e participar do experimento.
Jogos de computador testarão habilidades como raciocínio, compreensão da linguagem e tomada de decisões.
O estudo é coordenado pelo neurocientista Adrian Owen, do
Instituto de Cérebro e Mente da Universidade Western, no Canadá.
"Sabemos como nos sentimos após uma noite mal dormida, mas conhecemos
muito pouco sobre os efeitos da falta de sono no cérebro. Queremos ver
como isso afeta a cognição, a memória e a habilidade de concentração",
diz ele.
A equipe irá analisar o desempenho dos participantes nos testes
cognitivos e avaliar os diferentes resultados a partir das horas
dormidas.
A necessidade diária de sono varia de pessoa para pessoa, mas se o
estudo conseguir reunir um número significativo de voluntários,
permitirá aos cientistas determinar um número médio de horas necessárias
para a otimização da função cerebral.
O repórter da BBC Fergus Walsh e mais quatro voluntários passaram a
noite na Universidade Western, onde testaram os jogos e puderam
verificar como a falta de sono afeta o desempenho cognitivo.
Voluntários
Voluntários (no sentido horário): Hooman Ganjavi, Sylvie Salewski, Evan Agnew e Cecilia Kramar (Foto: Fergus Walsh )
Hooman Ganjavi, 42 anos,
psiquiatra, acostumado a fazer plantões noturnos: "Durmo apenas de
quatro a cinco horas por noite. Sei que a falta de sono aumenta o risco
de doenças cardíacas e de derrame, mas, como muitos médicos, não aplico
essas regras ao meu dia a dia".
Sylvie Salewski, 31 anos,
mãe de duas meninas pequenas: "Para mim uma boa noite de sono é quando
elas me acordam duas ou três vezes; não consigo me lembrar do que é
dormir uma noite toda sem ser incomodada; normalmente me sinto meio
desnorteada no dia seguinte".
Evan Agnew, 75 anos, vigia
aposentado: "Nunca dormi mais de oito horas de sono por noite, e na
minha idade não acho que preciso de mais de quatro horas. Acabo
complementando meu sono durante o dia com um ou dois cochilos".
Cecilia Kramar, 31 anos,
neurocientista que faz pesquisas cognitivas com camundongos noturnos, o
que significa passar noites em claro no laboratório: "Quando não durmo
muito, não consigo fazer nada complicado no dia seguinte, como ler uma
revista científica, porque meu cérebro não funciona bem".
Participantes fizeram testes cognitivos (Foto: Owen Lab, Western )
Testes foram refeitos depois de noite mal dormida (Foto: Owen Lab, Western )
Testes
Os testes podem ser jogados em qualquer computador, tablet ou smartphone.
Double Trouble:
Você deve clicar na palavra debaixo que corresponde à cor na qual a
palavra acima está escrita. Exemplo: se a palavra na linha superior é
"azul", mas está em vermelho, você deve clicar na palavra da linha
inferior que também está em vermelho, mesmo se estiver escrito "azul".
Odd One Out: Começa simples, mas vai se tornando cada vez mais complexo. Você tem de achar o objeto que não pertence ao grupo.
Grammatical reasoning: A afirmação sobre o diagrama é verdadeira ou falsa? Parece fácil, até você começar a lidar com negações.
Spatial planning:
O jogo testa a habilidade de planejar com antecedência - como todos os
jogos, mede as competências cognitivas que usamos repetidamente durante
todo o dia.
Desempenho
"Depois de ficarmos acordados até as 4h, podemos dormir por 4h. Quando
refizemos os testes cognitivos durante a manhã, Evan, Cecilia e eu
tivemos um desempenho muito pior do que na noite anterior", conta o
repórter da BBC.
Hooman - que está acostumado a ficar de plantão - não registrou uma
variação negativa em sua pontuação, enquanto que a de Sylvie chegou,
inclusive, a melhorar.
"Embora fique um pouco desnorteada durante a manhã, talvez tenha me
acostumado a funcionar com pouco sono. Tenho de estar funcionando assim
que meus filhos acordam, então é normal para mim", disse Sylvie.
Sempre soube que não funciono direito quando não durmo bem, então para
mim não foi surpresa que minha pontuação tenha caído dramaticamente
durante a manhã.
No caso de Walsh, da BBC, para descobrir o que estava acontecendo com
seu cérebro, ele repetiu os testes cognitivos dentro de uma máquina de
tomografia computadorizada.
"Meu cérebro foi examinado duas vezes - depois de uma noite de sono
normal e logo depois de uma noite mal dormida. A tomografia é capaz de
detectar o fluxo de sangue no meu cérebro - as áreas que estão
trabalhando mais intensamente são identificadas pelas manchas laranjas",
explica.
Imagem à esquerda
mostra atividade do cérebro do repórter durante testes cognitivos depois
de uma noite de sono normal, enquanto a da direita, do seu cérebro
privado de sono (Foto: Owen Lab, Western )
A comparação entre as duas imagens não deixou dúvidas: por causa da
falta de sono, o cérebro do jornalista apresentou um nível de atividade
bem baixa.
"Há muito menos atividade nos lobos frontal e parietais - áreas que
sabemos serem cruciais para a tomada de decisões, a solução de problemas
e a memória", explica Owen, o coordenador do estudo.
Todos nós sabemos que é perigoso dirigir quando estamos cansados,
porque nosso tempo de reação diminui e podemos dormir ao volante.
Mas os efeitos da falta de sono no nosso cotidiano são bem menos compreendidos.
"Pode ser que a falta de sono esteja tendo efeitos muito profundos na
tomada de decisão e talvez a gente devesse evitar tomar decisões
importantes como comprar uma casa ou mesmo se casar depois de uma noite
mal dormida", avalia Owen.
Estudo é encabeçado por neurocientista britânico Adrian Owen (Foto: Fergus Walsh )
Resultado
Passamos praticamente um terço das nossas vidas dormindo. Ou seja, o
sono é tão vital para a nossa saúde quanto os alimentos que ingerimos e o
ar que respiramos.
Mas nossa cultura de estarmos ligados durante 24 horas por dia está reduzindo nossas horas de sono.
No mês passado, um estudo na revista científica Nature Reviews
Neuroscience apontou que havia "uma compreensão notavelmente pequena"
das consequências da falta de sono crônica para o cérebro.
A pesquisa dizia que mais estudos são necessários face ao que chamou de
"declínio considerável da duração de sono em todas as nações
industrializadas".
Norte-irlandesas poderão abortar gratuitamente em hospitais públicos ingleses
Na
Irlanda do Norte, o aborto é proibido, exceto em casos extremos. Até
agora, mulheres tinham que pagar para passar por procedimento no Reino
Unido.
Por Agencia EFE
As mulheres da Irlanda do Norte, onde o aborto é proibido, exceto em
casos extremos, poderão fazer abortos de forma gratuita no sistema de
saúde público do Reino Unido, em vez de pagar pelo tratamento, como até
agora, informou o ministro de Economia britânico, Philip Hammond, nesta
quinta-feira (29).
Hammond indicou que a secretária de Estado para Mulheres e Igualdade,
Justine Greening, detalhará através de carta aos deputados da Câmara dos
Comuns os passos que serão dados "para financiar abortos na Inglaterra
para mulheres que cheguem da Irlanda do Norte".
A interrupção voluntária da gestação só é liberada no território
norte-irlandês em casos de risco extremo para a mãe. Por conta disso,
muitas mulheres vão ao Reino Unido fazer o procedimento, já que a lei é
mais flexível.
Por se tratar de sistemas de saúde diferentes e pelas regiões terem
legislações próprias sobre o tema, estas mulheres não tinham até agora
direito a tratamento gratuito na Inglaterra.
O anúncio de Hammond, que aborda um problema histórico de discriminação
denunciada por organizações de direitos humanos como Anistia
Internacional, foi feito antes que a Câmara dos Comuns vote nesta tarde
uma emenda trabalhista com a mesma finalidade. A deputada Stella Creasy
propôs emendar o programa legislativo do governo conservador da
primeira-ministra britânica, Theresa May, que também será votado hoje no
seu conjunto, para conceder o aborto gratuito na Inglaterra às mulheres
da Irlanda do Norte.
O governo, que perdeu a maioria absoluta nas eleições gerais de 8 de
junho e depende do apoio dos deputados do Partido Democrático Unionista
(DUP) da Irlanda do Norte, decidiu aceitar o princípio desta emenda
antes da votação.
O Executivo de May, que na segunda-feira assinou um pacto de
governabilidade com o DUP, um partido muito conservador em temas
sociais, assegurou que esta aliança, bastante criticada pela oposição e
pelos líderes da Escócia e do País de Gales, não terá impacto negativo
nos direitos civis.
Além do texto sobre o aborto, os deputados se pronunciarão sobre outra
emenda trabalhista que propõe o fim dos cortes ao setor público e um
Brexit suave - com um acordo com Bruxelas que permita o acesso ao
mercado único e à união aduaneira -. No final, os Comuns votarão o
programa legislativo do governo, lido no dia 21 de junho por Elizabeth
II no Discurso da Rainha, que inclui muitas questões relativas ao
Brexit.
Ministério da Saúde apresenta plano nacional para o fim da tuberculose
Meta
é chegar a menos de 10 casos por 100 mil habitantes até 2035, seguindo
compromisso com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Por G1
Imagem
de microscopia eletrônica mostra a bactéria Mycobacterium tuberculosis,
que provocam tuberculose (Foto: National Institute of Allergy and
Infectious Diseases (NIAID))
O Ministério da Saúde divulgou nesta quinta-feira (29) o plano nacional
pelo fim da tuberculose. O documento, que teve edição preliminar
publicada em fevereiro, está pronto e será enviado aos municípios.
Com uma classificação diferente de acordo com as condições de cada
cidade -- dois grupos e oito subgrupos --, o ministério propões ajustes
nas políticas de saúde contra a doença nas unidades de saúde, de acordo
com a realidade e as dificuldades de cada município. Não deverá ocorrer
nenhuma ação nacional em específico, no entanto.
Com isso, o governo pretende atingir a meta de menos de 10 casos por
100 mil habitantes, e menos de 1 óbito por 100 mil habitantes, até o ano
de 2035. O plano deve seguir o compromisso de reduzir a incidência da
doença na população mundial, proposta da Organização Mundial da Saúde
(OMS).
Em 2016, o Brasil registrou 69,5 mil casos novos de tuberculose. Os
estados mais afetados pela doença são o Amazonas e o Rio de Janeiro, com
68,2 e 63,8 casos por 100 mil habitantes.
Risco de zika diminuiu, mas grávidas precisam manter atenção contra a doença
Mesmo
com queda no número de casos, vírus que causou epidemia em 2016 ainda
não desapareceu totalmente das regiões onde há risco.
Por Associated Press
Vírus da zika causa microcefalia em bebês, entre outras malformações (Foto: AP Photo/Felipe Dana)
O vírus da zika pode não parecer uma ameaça tão grande quanto no último
verão, mas não se pode baixar a guarda -- principalmente para quem está
grávida ou tentando ter um bebê.
Enquanto os registros do vírus que causa malformações congênitas caíram
fortemente em relação ao pico da doença no ano passado em partes da
América Latina e do Caribe, o zika não desapareceu totalmente da região e
continua uma ameaça em potencial.
É difícil prever qual é o risco que as pessoas enfrentam em locais com a
infecção latente, ou se os casos podem voltar a aumentar novamente. Por
enquanto, as mulheres grávidas ainda estão sendo aconselhadas a não
viajar para países ou áreas com casos relatados de zika, porque as consequências podem ser desastrosas para o cérebro do bebê.
"Faz parte da nova realidade", disse o doutor Martin Cetron, dos
Centros de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, em
inglês).
Aquelas que querem engravidar, junto com seus parceiros, são
aconselhadas a verificar com um médico sobre o tempo necessário antes de
visitar um local com infecção ativa do zika.
Há perguntas que ainda persistem sobre o risco do vírus além da
gravidez, o suficiente para pesquisadores dos Estados Unidos começarem a
estudar bebês para entender se a infecção após o nascimento também pode
prejudicar o cérebro.
Incerteza de uma nova temporada
No último mês, Brasil e Porto Rico, países atingidos com força no ano
passado, declararam que suas epidemias acabaram. No entanto, um número
menor de infecções continua ocorrendo nessas regiões, de acordo com os
CDC e a Organização Pan-americana da Saúde.
"O zika ainda não foi embora", disse a médica Anne Schuchat, dos CDC. "Não podemos nos dar ao luxo de relaxar".
O registro de zika em mulheres grávidas nos Estados Unidos soma 1.963
casos que tiveram testes de laboratório confirmados para a infecção,
desde que as autoridades começaram a contar em 2016. Outros 4.107 casos
ocorreram em territórios do país.
Desde o início de junho, 271 grávidas foram adicionadas aos registros
de zika, 80 delas nos Estados Unidos e o restante dos territórios,
embora não seja confirmada a região da infecção.
E o restante das pessoas que não estão em gestação? Os CDC contaram 140
casos de zika em estados dos Estados Unidos, todos apresentaram os
sintomas da doença. A grande maioria, no entanto, não percebe os
sintomas, mas ainda são potenciais "espalhadores" do vírus, caso sejam
picados por um dos mosquitos transmissores.
Não há tratamento para o zika.
Efeitos ainda não são 100% conhecidos
Os bebês nascidos de mães infectadas podem
sofrer graves malformações relacionadas ao cérebro, mesmo que não
ocorram os sintomas. As cabeças ficam anormalmente pequenas, o que é a
chamada microcefalia, o defeito mais preocupante. As crianças também
podem ter perda de visão ou audição, convulsões, problemas para engolir
ou movimentar alguns dos membros. A infecção também pode levar ao aborto
espontâneo ou morte do feto.
Qual é o risco? Cerca de 1 em cada 20 mulheres que contraem o zika tem
bebês com malformações congênitas, de acordo com os dados coletados até
agora. O risco maior ocorre no primeiro trimestre de gravidez, mas
também há registro de malformações no terceiro trimestre.
Outro problema assustador: alguns bebês aparecem bem no nascimento, mas
desenvolvem problemas de saúde mais tarde. E se o zika pode prejudicar o
cérebro em desenvolvimento de um recém nascido? Afinal, uma forma de
zika causar dano é atacando o desenvolvimento de células cerebrais que
existem mesmo após o nascimento.
Para tentar descobrir isso, os Institutos Nacionais de Saúde dos
Estados Unidos (NIH, em inglês) financiam um estudo na Guatemala, onde o
zika está se espalhando, e estão rastreando 500 recém-nascidos e 700
crianças de 1 a 5 anos.
"Nossa preocupação é que o cérebro em desenvolvimento e no início da
vida possa ser impactado de forma significativa", disse Flor Munoz, da
Faculdade de Medicina Baylor, que está entre os líderes do estudo. "É
uma questão importante abordar não apenas em crianças de áreas de
epidemia, mas também para as crianças que viajam para estes locais".