segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Sem tinta: cabelos grisalhos de pacientes com câncer voltam a escurecer após novo tratamento

Estudo foi publicado pela revista JAMA. Pesquisadores estão investigando casos para entender mecanismo e investir em novo medicamento. 

Por Associated Press
 
Cabelos grisalhos de paciente com câncer ficam escuros após tratamento com câncer (Foto: JAMA via AP) 
Cabelos grisalhos de paciente com câncer ficam escuros após tratamento com câncer (Foto: JAMA via AP) 
 
Os cabelos grisalhos de pacientes com câncer inesperadamente voltaram a escurecer enquanto tomavam novos medicamentos contra a doença, de acordo com estudo espanhol. 

A quimioterapia é conhecida por fazer o cabelo cair. Quatorze pacientes, no entanto, receberam novos medicamentos de imunoterapia -- Keytruda, Opdivo e Tecentriq --, tratamento que funciona de forma diferente e tem outros efeitos colaterais. A pesquisa sugere que, além de tratar o câncer, as drogas podem ajudar na recuperação do pigmento dos fios. 

"Pensamos que poderia ser um caso isolado do primeiro paciente", disse Noelia Rivera, dermatologista da Universidade Autônoma de Barcelona. Ela disse que a equipe de pesquisa se surpreendeu ao comparar as fotos do "antes e depois" de participantes do tratamento. 

Há uma questão: foram 52 pessoas que receberam as drogas, mas apenas 14 tiveram o cabelo "tingido". 

Enquanto a maioria não apresentou alteração de cor, os 14 casos sugerem que não é um achado isolado. 

Em 13 pacientes, o cabelo ficou castanho escuro ou preto. Um único indíviduo ficou com os fios pretos com manchas. Outro fator estranho é que os mesmos remédios usados já haviam sido associados a uma perda de cor do cabelo em pacientes com outro tipo de câncer, o melanoma (pele). 

Todos, exceto um dos 14 pacientes do estudo espanhol, apresentaram uma melhora na doença e melhores resultados que os outros. Os autores sugerem que a volta da cor aos cabelos pode ser um sinal de que o tratamento está funcionando. 
Quatorze de 52 pacientes tiveram uma mudança na cor dos fios (Foto: JAMA via AP) 
Quatorze de 52 pacientes tiveram uma mudança na cor dos fios (Foto: JAMA via AP) 
 
Rivera diz que o estudo deve seguir para melhores confirmações. 

"É um relato fascinante. É uma dessas coisas que surgem do nada", disse June Robinson, professora e pesquisadora em dermatologia da Universidade Northwestern. Robinson também é editora da revista científica JAMA, que publicou o artigo. 

Ela disse que os resultados merecem um olhar mais apurado e que é muito cedo para dizer que isso pode ser uma nova solução para os cabelos brancos. 

Já Rivera diz que os remédios usados no estudo têm graves efeitos colaterais e que são inseguros para pessoas saudáveis. Ela diz, no entanto, que no caso de confirmação de eficiência para mudar a cor do cabelo, uma nova droga pode ser produzida com base no mecanismo. 

sábado, 29 de julho de 2017

Como britânica que carrega bolsa pós-colostomia recuperou vida sexual e ajudou outras mulheres

Aos 20 anos, Jasmine Stacey teve intestino grosso retirado em cirurgia para salvar sua vida e se viu obrigada a portar bolsa para armazenar as fezes; aos poucos, foi lidando com realidade, até ter ideia de criar linha de lingerie especial.

Por BBC
 
Jasmine Stacey passou por cirurgia que a obrigou a carregar permanentemente uma bolsa com suas fezes  (Foto: Jasmine Stacey/BBC) 
Jasmine Stacey passou por cirurgia que a obrigou a carregar permanentemente uma bolsa com suas fezes (Foto: Jasmine Stacey/BBC) 
 
Há cinco anos, a jovem Jasmine Stacey, hoje com 25, passou por uma cirurgia que a obrigou a carregar consigo, permanentemente, uma bolsa com suas fezes. E, por isso, chegou a pensar que jamais teria uma relação sexual outra vez. 

Jasmine tinha 10 anos quando começou a sofrer da doença de Crohn, que lhe causava uma dor crônica e a levava ao banheiro em média 25 vezes por dia, além de ter constante diarreia com sangue e muco. Ela lembra que ir ao colégio ou à universidade era um pesadelo e que era internada em média quatro vezes por ano. 

Seus médicos lhe deram uma opção para salvar sua vida: passar por uma ileostomia, cirurgia que conecta o intestino delgado a uma pequena abertura no abdômen - um "ânus artificial" -, permitindo que as fezes caiam diretamente para uma pequena bolsa - procedimento parecido com a colostomia, quando a abertura é ligada ao intestino grosso. 

Em depoimento à BBC, Jasmine contou que, após 11 horas e meia na sala de operação, ficou com o que chamou de "bumbum de Barbie", ou seja, sem ânus. Seu intestino grosso e reto estavam tão debilitados que os médicos tiveram que removê-los totalmente. 
Aos 20 anos, Jasmine passou pela ileostomia   (Foto: Jasmine Stacey/BBC) 
Aos 20 anos, Jasmine passou pela ileostomia (Foto: Jasmine Stacey/BBC) 

Estigma

A cirurgia salvou sua vida, mas a deixou diante de uma nova realidade. Lidar com o estigma de levar consigo, permanentemente, uma bolsa com suas fezes, condição sobre a qual ninguém quer falar pelos vários pontos delicados em que toca.

"Como falar disso quando se trata de sexo? Qual é o momento certo para tratar do tema? Logo no primeiro encontro ou é melhor esperar que as luzes se apaguem? Vão achar isto repulsivo, já que eu mesma pensava assim? Fará barulho? A bolsa pode cair?", explica. 

Depois da operação, Jasmine passou um ano sem considerar a possibilidade de sair com um jovem outra vez. Ela se sentia solitária e sua autoestima foi ao chão. 

"Pensava: por que aconteceu comigo, que tenho apenas 20 anos? Pensei que nunca mais voltaria a ter relações sexuais. A ideia de me sentir sexy era quase tão difícil como ter que contar a alguém que levava uma bolsa de cocô presa a meu corpo." 
Lydia também passou pela cirurgia e foi modelo no ensaio fotográfico da linha de lingerie criada por Jasmine (Foto: Jasmine Stacey/BBC) 
Lydia também passou pela cirurgia e foi modelo no ensaio fotográfico da linha de lingerie criada por Jasmine (Foto: Jasmine Stacey/BBC)

O desafio de se aceitar

Mas chegou um momento em que ela se deu conta de algo: se o homem não quisesse sair com ela por conta da bolsa, então ela também preferia não sair com alguém como ele. 

Desde então, portanto, já se envolveu em casos de uma noite, romances curtos e até um relacionamento de dois anos. Mas também houve casos de homens que disseram não conseguir lidar com sua condição. 

Por conta de complicações da cirurgia, algumas posições sexuais são incômodas para Jasmine. Além disso, há alguns cuidados, como evitar que a bolsa caia, embora seja robusta, e ter que ignorar ruídos da bolsa durante o sexo. Mas, em geral, ela é fisicamente apta a ter relações sexuais. Sua principal barreira é a mental.
 
Jasmine foi aos poucos assumindo o controle da situação, e hoje ela adota algumas medidas para o momento da relação: troca a bolsa antes do contato com o parceiro, põe algumas gotas de perfume ou toma um comprimido para retardar a evacuação. 
Lingerie se adapta ao corpo da mulher com ileostomia ou colostomia  (Foto: Jasmine Stacey/BBC ) 
Lingerie se adapta ao corpo da mulher com ileostomia ou colostomia (Foto: Jasmine Stacey/BBC )

Ponto de virada

O ponto de virada em sua vida ocorreu quando teve a ideia de bolar uma linha de lingerie que se adaptasse melhor à sua condição. 

"Eu queria colocar algo feminino e sexy, que me devolvesse a confiança, mas não havia nada acessível para mulheres com uma bolsa como a minha", lembra-se. "Se terei ou não relações sexuais, quero me ver bonita. 

Faço os desenhos para empoderar as mulheres". 

Jasmine deu um grande passo em 2015, quando deixou seu emprego como enfermeira para abrir uma empresa de lingerie, à qual, hoje, se dedica integralmente. "Agora estou solteira, mas a lição mais importante que aprendi foi como me amar e me aceitar de novo, com ou sem esse problema", afirma. 

Ela também ajudou outras pessoas, como Lydia, uma jovem que passou pela mesma cirurgia, a lidar com a condição. Por conta do destino em comum, as duas se tornaram amigas e Lydia é modelo da linha de lingerie de Jasmine.
 
"[A cirurgia] foi meu último recurso, meu pior pesadelo, mas se quisesse salvar minha vida, precisaria passar por isto", contou Lydia durante um ensaio fotográfico. 
 
"Quando saí do hospital, precisava de algo que me fizesse sentir normal de novo. E isto é o que a roupa íntima criada pela Jasmine faz", afirma a jovem. "Todas as opções são médicas e não pessoais, então encontrar uma roupa íntima que me faz sentir como uma mulher de novo, teve um enorme impacto em mim". 

A impressionante foto que mostra o impacto do Tour de France nas pernas de um ciclista

Imagem postada por competidor polonês no Instagram após 16ª etapa da mais tradicional prova do esporte provoca debate sobre sacrifícios de atletas de alto nível.

Por BBC
 
Inchadas e com queimaduras de sol, as pernas de Poljanski não são uma propaganda saudável do ciclismo (Foto: Instagram/Pawel Poljanski) 
Inchadas e com queimaduras de sol, as pernas de Poljanski não são uma propaganda saudável do ciclismo (Foto: Instagram/Pawel Poljanski) 
 
Uma espiadela na foto acima faz questionar se fazer exercício é algo que realmente só faz bem. 

Mas é preciso dizer que as pernas do ciclista polonês Pawel Poljanski tinham pedalado 2.829 km em apenas 18 dias quando ele postou a foto delas no Instagram, pouco após completar a 16ª etapa do Tour de France, a mais tradicional prova do ciclismo, que ainda está em curso. 

"Depois de 16 etapas, minhas pernas estão cansadas", disse ele na postagem, em um comentário que beirou o sarcasmo. 

Seus seguidores, porém, estavam mais preocupados com sua saúde. 

"Por favor, vá ao médico", pediu um deles. 

Mas o que aconteceu com o polonês para que ele se parecesse, nas palavras de um seguidor, com uma "folha humana"? 
De férias, as pernas de Poljanski pareciam menos assustadoras (Foto: Instagram/Pawel Poljanski)
De férias, as pernas de Poljanski pareciam menos assustadoras (Foto: Instagram/Pawel Poljanski)

'Normal'

O ex-ciclista britânico Rob Hayles, ex-campeão mundial, conta que o aspecto das pernas do polonês não é tão anormal assim. 

"Já vi ciclistas parecendo daquele jeito até no inverno, mesmo sem treinar." 

Hayles explica que, para esses atletas, a relação entre força e peso é crucial em uma competição marcada por provas de velocidade e resistência, com grandes aclives. 

"Um ciclista de velocidade tem mais força, mas geralmente seu peso é maior, e por isso ele não acompanha o ritmo na subida. Daí, você precisa de equilíbrio entre força e peso", diz. 

"A foto (de Poljanski) mostra que menor gordura corporal dá a um ciclista melhores chances de desempenho - apesar de não ser saudável." 

O mais chocante é ver uma foto do estado normal as pernas do polonês, tirada durante as férias, há alguns meses. Praticamente não havia veias à mostra ou queimaduras de sol. 

7 mitos e verdades sobre as alergias a alimentos

Alergia é frescura? É possível deixar de ser alérgico? Entenda o que é verdadeiro e o que é falso sobre condição que afeta 8% das crianças e 5% dos adultos no Brasil.

Por BBC
 
160 tipos de alimentos podem causar problemas, mas 90% das reações são causadas por gurpos pequenos deles (Foto: BBC) 
160 tipos de alimentos podem causar problemas, mas 90% das reações são causadas por grupos pequenos deles (Foto: BBC) 
 
É verdade que algum dia eu vou deixar de ser alérgico? Esse é um dos vários mitos que circulam sobre a alergia a alimentos. 

Embora 160 tipos diferentes de alimentos possam provocar o problema, 90% das reações são causadas por um grupo pequeno deles: leite, ovos, peixe, crustáceos, amendoim, soja, trigo e frutos secos.
No Brasil, problema atinge cerca de 8% das crianças e 5% dos adultos (Foto: BBC) 
No Brasil, problema atinge cerca de 8% das crianças e 5% dos adultos (Foto: BBC) 
 
Segundo a Organização Mundial de Alergias, entre 220 e 520 milhões de pessoas no mundo são alérgicas a alguma comida. 

No Brasil, o problema atinge cerca de 8% das crianças e 5% dos adultos, de acordo com a Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia). 

Confira, no vídeo, alguns mitos e verdade sobre o problema. 
Número de alérgicos no mundo fica entre 220 e 520 milhões de pessoas (Foto: BBC) 
Número de alérgicos no mundo fica entre 220 e 520 milhões de pessoas (Foto: BBC)  

Fala sobre 'fingir que trabalham' não era para todos os médicos, diz ministro

Ricardo Barros disse para profissionais não se sentirem ofendidos. Na semana passada, ele afirmou que o governo iria parar de fingir que paga, e os médicos 'vão parar de fingir que trabalham'.

Por Alessandra Modzeleski, G1, Brasília
 

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse em discurso nesta quinta-feira (20) que a fala dele na semana passada, quando afirmou que médicos do SUS fingem que trabalham, não era dirigida a todos os profissionais da área. Barros pediu para que os médicos não se sintam ofendidos e afirmou que já esclareceu para a categoria o teor da fala. 

"Tivemos nos conselhos regionais e esclarecemos a nossa fala, tirada de contexto. Nós estávamos falando que pagávamos pouco e eles também não cumpriam a carga horária. O salário não era adequado. A todos os médicos do Brasil, não se sintam ofendidos, porque não foram a eles dirigidas as nossas palavras", disse Barros. 

“Minha fala foi generalizada. Me referi exclusivamente a esses profissionais da atenção básica que não cumprem o horário”, explicou. 

Na semana passada, também em evento no Palácio do Planalto, o ministro defendia um aumento nos salários do SUS para estimular profissionais a trabalhar na saúde pública quando disse: "Vamos parar de fingir que pagamos médicos e os médicos vão parar de fingir que trabalham”. 

Nesta quinta, ao se justificar, Barros disse ainda que ninguém mais que ele dialoga tanto com os médicos e nenhum outro ministro ouve tanto os pleitos da categoria. 

"Sabemos que vamos avançar com a cooperação de todos. Ninguém mais do que eu faz tanto diálogo com a categoria médica. Nenhum outro ministro é tão sensível à categoria como eu. Faço questão de dialogar, para aprender quais são os problemas", afirmou.

Verba para a saúde bucal

Barros participou, ao lado do presidente Michel Temer, de um anúncio de R$ 344,3 milhões em programas para a área de saúde bucal do SUS. 

Uma das destinações do dinheiro vai ser o custeio de 2.229 equipes de Saúde Bucal e credenciamento de 34 Unidades Odontológicas Móveis (UOMs). Também serão compradas 10 mil cadeiras para consultórios odontológicos. 

De sedentarismo a ensino médio incompleto: nove fatores sociais que aumentam risco de demência, segundo estudo

Pesquisa britânica diz que um em cada três casos de demência poderiam ser evitados se as pessoas cuidassem da saúde do cérebro.

Por BBC
 

Um em cada três casos de demência poderia ser evitado se mais pessoas cuidassem da saúde do cérebro ao longo da vida, segundo um estudo internacional publicado no periódico científico "Lancet". 

A pesquisa, apresentada na Conferência da Associação Internacional de Alzheimer, que termina nesta quarta em Londres, lista nove importantes fatores de risco para a condição, incluindo perda de audição, isolamento social, fumo e sedentarismo. 

Estima-se que 47 milhões de pessoas sofram da doença no mundo; a expectativa é de que os casos cheguem a 131 milhões em 2050. 

"Embora a demência seja diagnosticada mais tarde na vida, as mudanças no cérebro geralmente começam a se desenvolver anos antes", disse o autor principal do estudo, Gill Livingston, da University College London. 

"Agir agora irá melhorar bastante a vida de pessoas com demência e de seus familiares e, ao se fazer isso, irá transformar o futuro da sociedade", acrescentou. 

O estudo, que combina o trabalho de 24 especialistas internacionais, diz que o estilo de vida tem um papel importante sobre o risco de demência. 

O quanto certos fatores contribuem para o risco de demência, segundo a Comissão do Lancet em prevenção, intervenção e cuidados de demência:
•perda de audição na meia-idade - 9%
•não conclusão do ensino médio - 8%
•fumo - 5%
•depressão - 4%
•sedentarismo - 3%
•isolamento social - 2%
•pressão alta - 2%
•obesidade - 1%
•diabetes tipo 2 - 1% 

Esses são entendidos como fatores de risco evitáveis e representam 35% do total. Os outros 65% dos riscos de demência vem de fatores que não podem ser controlados pelo indivíduo. 

O estudo examina os benefícios de se construir uma "reserva cognitiva", ou seja, fortalecer a rede neural no cérebro para que ela continue a funcionar bem na terceira idade. 

O aprendizado contínuo, por exemplo, estimula o desenvolvimento dessas redes, e é por isso que especialistas identificaram a desistência de completar o ensino médio como um dos maiores fatores de risco.

Outro fator de risco é a perda de audição na meia idade. Os pesquisadores dizem que isto impede indivíduos de fazer parte de um ambiente cognitivamente rico, levando ao isolamento social e à depressão. 

Uma das principais mensagens do documento é que o que faz bem para o coração também faz para o cérebro. Não fumar, fazer exercício, manter o peso saudável, cuidar da pressão arterial e do diabetes podem reduzir o risco de demência da mesma forma como reduz o de doenças cardiovasculares e câncer. 

Os pesquisadores não tinham dados suficientes para incluir fatores de alimentação ou consumo de álcool nos cálculos, mas eles acreditam que ambos também sejam importantes. 

"Embora não seja inevitável, a demência pode se tornar a principal causa de morte do século 21. 

Precisamos estar conscientes dos riscos e começar a fazer mudanças positivas no estilo de vida", comentou Doug Brown, diretor de pesquisa na Sociedade de Alzheimer.

OMS alerta para alta nos casos de resistência do vírus HIV

Relatório chama a atenção para as mutações do vírus. De acordo com médico especialista, tomar os remédios de forma errada é a maneira mais comum de criar uma versão resistente às drogas. 

Por Carolina Dantas, G1
 
Célula infectada por partículas do vírus HIV, anexas à superfície  (Foto: National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID)) 
Célula infectada por partículas do vírus HIV, anexas à superfície (Foto: National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID))
 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para uma tendência crescente de resistência do vírus HIV às drogas disponíveis. O órgão divulgou nesta quinta-feira (20) um novo relatório com base em estudos. O texto destaca que em seis dos 11 países pesquisados na África, Ásia e América Latina mais de 10% das pessoas que começaram o tratamento antirretroviral tinham uma cepa do vírus resistente a medicamentos do mercado -- veja quais são os países no gráfico abaixo. 

O Brasil está na lista dos países com registro de resistência do vírus em novos pacientes, mas com índice menor que 10% -- por enquanto, foram reportados 1.391 casos. A organização diz que o crescimento dessas taxas, mesmo que ainda lento, poderia minar o progresso internacional no tratamento e prevenção da doença.
 (Foto: Arte/G1) 
(Foto: Arte/G1)  

A resistência do HIV é causada por uma mutação em sua estrutura genética, o que impede o bloqueio da replicação do vírus pelo remédio e o tratamento se torna ineficaz. Todos os medicamentos existentes contra vírus hoje correm o risco de se tornar parcialmente ou totalmente insuficientes contra a doença. 

O médico especialista e pesquisador da Faculdade de Medicina da USP, Esper Kallas, diz que ter uma versão resistente do vírus é um alerta, mas não é motivo para pânico: o HIV pode se tornar resistente a um tipo de remédio, mas resta uma cartela grande disponível. Segundo ele, são mais de 20 tipos de pílulas contra a doença. 

A Organização Mundial da Saúde classificou os tipos de resistência:
  • Resistência adquirida quando mutações ocorrem em indivíduos que já recebem as drogas;
  • Em pessoas que não tem histórico de ingestão de medicamentos do HIV e são infectadas por versões mais resistentes;
  • Em pacientes com exposição prévia aos remédios, iniciando ou reiniciando o tratamento: mulheres expostas aos medicamentos para prevenção da transmissão do HIV de mãe para filho; pessoas que receberam Profilaxia Pré-Exposição, ou pessoas que reiniciaram o tratamento após interrupção.
Mas o que torna um tratamento ineficaz ou faz um vírus criar uma mutação contra alguns remédios? De acordo com a OMS e com Kallas, a resistência ao HIV se desenvolve quando as pessoas não seguem o tratamento prescrito – esquecem de tomar no dia e horário certo e/ou pulam etapas, como também acontece com o combate às bactérias. A organização diz que esses pacientes podem transmitir os vírus resistentes para outras pessoas. 
 
“Quem é que passa um vírus resistente para outra pessoa? É uma pessoa que não está se tratando direito”, diz Kallas.
Das 36,7 milhões de pessoas que convivem com o HIV em todo o mundo, 19,5 milhões têm acesso a algum tipo de terapia antirretroviral. Uma tendência crescente de resistência às drogas da doença pode levar a mais infecções e mortes. Um modelo matemático da OMS prevê um adicional de 135 mil óbitos e 105 mil novas infecções nos próximos cinco anos, caso novas medidas não sejam tomadas. O custo adicional pode chegar a US$ 650 milhões.

Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/oms-alerta-para-alta-nos-casos-de-resistencia-do-hiv.ghtml