terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Novas possibilidades, hábitos e informações estimulam a criatividade cerebral

Fazer algo que nunca fez, aprender algo diferente, buscar novas áreas, assuntos, se interessar por novos temas, isso tudo ativa a criatividade. Conversar com gente diferente, absorver novos conteúdos e conviver é fundamental.

A primeira segunda-feira de 2017 chega com milhões de desejos de mudanças, de atitudes, de maneiras diferentes de encarar a vida. Mudar o ponto de vista pode ser o primeiro passo. 

Ver as coisas por um outro lado, se colocar em um lugar onde você normalmente não está, que tal? O primeiro Bem Estar do ano te faz esse convite. Tente enxergar as coisas de uma maneira diferente, se colocando no lugar do outro, por exemplo. 

Quando a gente se abre para novas experiências, a gente fica mais criativo. Isso muda o nosso cérebro. 

Tudo ganha cores. É assim que a gente espera que seja 2017, sem promessa que não possa ser cumprida! 

A nutricionista Lara Natacci já ajudou muita gente a ter foco, força e fé e explica como isso é possível através da alimentação. O neurologista Tarso Adoni conta como a gente pode vencer a preguiça e estimular a criatividade. 

Saiba mais
Segundo Doutor Tarso Adoni, algumas pessoas são mais criativas que outras, mas de modo geral, dá pra estimular a criatividade em cada um e fazer um ano novo diferente. 

A criatividade aumenta quando a gente abre o leque de possibilidades, busca coisas novas, novos hábitos, novas informações. O cérebro criativo é aquele que está sempre recebendo novas informações. A curiosidade é alavanca que impulsiona o cérebro para trabalhar melhor. O indivíduo que é curioso, interessado em aprender, naturalmente se torna uma pessoa mais criativa. 

Fazer algo que nunca fez, aprender algo diferente, buscar novas áreas, assuntos, se interessar por temas que desconhece, tudo isso ativa a criatividade. Conversar com gente diferente do seu círculo de amizades, absorver novos conteúdos e conviver é fundamental. Tornar-se um adulto com conteúdo mais elaborado significa voltar um pouco a ser criança e se permitir mais. 

A nutricionista Lara Natacci explica a importância de buscar também comidas diferentes, novas maneiras de preparar os mesmos alimentos. Desafiar os sentidos também ajuda no processo criativo. Novos sabores, odores, sons, texturas e cores criam conexões e são positivos para a saúde mental. 

'Respingo de água fria já deixou minha pele irritada': como é viver com alergia ao frio

Espanhola conta como enfrenta situações comuns do dia a dia; médicos explicam que problema é raro e não tem cura.

"Eu não podia me sentar na privada nem encostar na parede do banheiro porque sabia que estaria fria. 

Também não podia comer fora no verão, porque quase sempre os restaurantes ligam o ar condicionado. 

Tomar sorvete ou bebidas geladas então, nem pensar". 

Estas são algumas das limitações com as quais teve que se acostumar a espanhola Beatriz Sánchez, de 30 anos, que sofre de alergia ao frio ou urticária ao frio. 

O problema é uma condição dermatológica rara, que atinge menos de 3% das pessoas e pode ocorrer em qualquer idade - sendo mais comum em adultos jovens. 

As pessoas que sofrem do transtorno apresentam vergões vermelhos ou erupção na pele quando em contato com algo frio. As lesões coçam e pode ser acompanhadas de outros sintomas, como febre, dor de cabeça e mal-estar. 

Tanto a água como o ar frio podem desencadear a reação. 

"Em casos extremos, a reação é acompanhada de queda da pressão arterial, choque, náuseas e pode levar à perda da consciência", explicou Javier Subiza, especialista em Alergologia e Imunologia da Clínica Subiza, de Madrid, na Espanha. 

Segundo a página na internet da conceituada Clínica Mayo, dos Estados Unidos, não se sabe exatamente o que causa a urticária ao frio, mas parece que algumas pessoas têm as células da pele muito sensíveis por razões de ordem hereditária, vírus ou doença. 

Nas pessoas que sofrem dessa alergia, o frio provoca a liberação de histamina e outras substâncias químicas no sangue. É isso que provoca o aparecimento das manchas na pele.

Piora no verão

Mas ao contrário do que se pode imaginar, para que se produza este tipo de urticária não é preciso que seja inverno nem que a pele enfrente temperaturas extremas. 

"Uma queda da temperatura ambiente de 26 para 24 graus centígrados pode provocá-la também", diz Subiza. 

Para Beatriz, por exemplo, o verão se transformou em um pesadelo. 

"Pensei que seria melhor, mas foi o oposto. Na praia, bastava caminhar na beira do mar e levar uns respingos para ficar com a pele empolada", lembrou. 

"Um dia, entrei na água por um minuto e, em seguida, tive uma reação em todo o corpo que levou três horas para desaparecer". 

"Não é só isso. Às vezes, quando eu saía do chuveiro, se demorasse um pouquinho para me secar, a água esfriava na minha pele e acontecia a mesma coisa", disse à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

Isso também acontece com Beatriz nos dias de calor: quando o suor esfria, sua pele reage apresentando urticária. 

"O normal é que a pele demore cinco minutos a reagir", conta Beatriz, "mas no meu caso, a reação era imediata".

Tratamento

A alergia ao frio geralmente aparece em adultos jovens. O grau de gravidade do problema varia, "mas na maioria dos casos não passa de uma coceira", diz Subiza. 

Essa condição não tem cura, mas é tratável. E, felizmente, não é uma doença que dure a vida toda: já foram registrados casos de remissões espontâneas após cinco anos. 

"Primeiro é preciso fazer um diagnóstico e depois determinar a temperatura a partir da qual a urticária aparece", disse Subiza. 

Nos pacientes que apresentam sintomas com temperaturas relativamente altas, por exemplo, a partir de 20 graus centígrados, o tratamento preventivo é à base de anti-histamínicos, em doses duas ou três vezes maiores que as habituais. 

O tratamento ajuda a tolerar temperaturas mais frias, mas não impede as crises. 

Obviamente, quem tem essa alergia deve evitar o frio e as mudanças bruscas de temperatura. 

Desde que começou a tomar os anti-histamínicos, Beatriz Sánchez admite que está muito melhor. Mas mesmo assim tem que tomar cuidado. 

"Sempre tenho que tomar uma injeção, porque você pode vomitar e ter as vias respiratórias fechadas com a liberação de tanta histamina. Isso pode causar asfixia", explica. 

Meninos já podem se vacinar contra HPV no SUS; veja mudanças na vacinação

Vacina protege contra câncer de pênis, garganta, ânus e verrugas genitais nos homens, além de contribuir para redução do câncer de colo de útero entre as mulheres. 

 
Meninos de 12 a 13 anos já podem receber a vacina contra o vírus HPV pelo SUS em postos de vacinação de todo o Brasil, anunciou o Ministério da Saúde nesta terça-feira (3). A inclusão desse grupo tinha sido anunciada em outubro de 2016, mas só entrou em vigor agora, em janeiro de 2017. 

Estudos feitos em outros países que já adotaram a vacinação de meninos mostram que a inclusão dos meninos contribui para a diminuição do câncer de colo do útero e vulva das mulheres, já que isso possibilita a diminuição da circulação do vírus na população, o que beneficia o público feminino. 

Além disso, os próprios meninos serão beneficiados, já que a vacina protege contra câncer de pênis, garganta, ânus e verrugas genitais, problemas também relacionados ao vírus.

Brasil é sétimo país a incluir meninos

A vacinação contra HPV para meninos também é usada nos Estados Unidos, Austrália, Áustria, Israel, Porto Rico e Panamá. A inclusão dos meninos na vacinação contra HPV segue a recomendação de sociedades médicas brasileiras como a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a Sociedade Brasileira de Pediatria. 

A faixa etária dos meninos que podem receber a vacina será ampliada gradualmente até 2020, quando ela estará disponível para meninos de 9 a 13 anos. 

Outra mudança é que, a partir de 2017, meninas que chegaram aos 14 anos sem a vacina também poderão se vacinar. A vacinação também será estendida a homens que vivem com HIV entre 9 e 26 anos. Antes, só as mulheres com HIV desta faixa etária podiam se vacinar gratuitamente. No caso desse público, o esquema vacinal é de três doses. 

Também entra em vigor agora a inclusão da vacina contra meningite C para meninos e meninas de 12 a 13 anos. Até 2020, a vacina deverá estar disponível a crianças de 9 a 13 anos. Hoje, essa imunização é oferecida apenas para crianças aos 3, 5 e 12 meses de idade. A meningite C é o subtipo mais frequente da doença, que é considerada grave e de rápida evolução.

Confira as mudanças da vacinação em 2017

HPV: como era antes?
-2 doses com intervalo de 6 meses para meninas de 9 a 13 anos
-3 doses com intervalo de dois e seis meses para mulheres com HIV entre 9 e 26 anos
HPV: como é agora?
-2 doses com intervalo de 6 meses para meninas de 9 a 14 anos
-3 doses com intervalo de dois e seis meses para mulheres com HIV entre 9 e 26 anos
-2 doses com intervalo de 6 meses para meninos de 12 a 13 anos
-3 doses com intervalo de dois e seis meses para homens com HIV entre 9 e 26 anos
Meningite C: como era antes?
-3 doses para meninos e meninas aos 3, 5 e 12 meses de idade
Meningite C: como é agora?
-3 doses para meninos e meninas aos 3, 5 e 12 meses de idade
-Reforço para meninos e meninas de 12 a 13 anos
Confira o calendário vacinal completo para crianças, adolescentes, adultos e idosos no site da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Entenda a vacina do HPV

O HPV é um vírus que pode causar câncer do colo do útero e verrugas genitais. Ele é altamente contagioso, e a sua transmissão acontece principalmente pelo contato sexual. 

A vacina distribuída no SUS é quadrivalente, ou seja, protege contra quatro tipos de HPV: o 6, o 11, o 16 e o 18. Dois deles (o 6 e o 11), estão relacionados com o aparecimento de 90% das verrugas genitais. Os outros dois (o 16 e o 18) estão relacionados com 70% dos casos de câncer do colo do útero. 

Além da vacina, a prevenção contra esse tipo de câncer também continua envolvendo o exame Papanicolau, que identifica possíveis lesões precursoras do câncer que, tratadas precocemente, evitam o desenvolvimento da doença.
 

Pesquisadores descobrem mecanismos que causam versão ‘turbinada’ da TPM

O Transtorno Disfórico Pré-menstrual afeta de 2% a 5% das mulheres em idade reprodutiva e é mais forte que a Tensão Pré-menstrual, reação muito mais comum. 

 
Pesquisadores dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) descobriram os mecanismos moleculares que podem causar o Transtorno Disfórico Pré-menstrual, uma versão "turbinada" da Tensão Pré-menstrual (TPM). 

Tal transtorno afeta de 2% a 5% das mulheres em idade reprodutiva nos dias que antecedem a menstruação. Ele causa irritabilidade, tristeza e ansiedade, assim como a TPM, mas de forma mais intensa. 

“Nós encontramos um gene suspeito de ter uma expressão desregulada. Isso aumenta a evidência de que o Transtorno Disfórico Pré-menstrual é um distúrbio e uma resposta da célula ao estrogênio e progesterona”, disse Peter Schmidt, do NIH. “Aprender mais sobre esse complexo genético mantém a esperança de melhorar o tratamento de tais distúrbios do humor”, completou. 

Schmidt e seus colegas publicaram os resultados dos estudos nesta terça-feira (3), na revista “Molecular Psychiatry”. 

“Este é um grande momento para as mulheres, porque demonstra que aquelas afetadas pelo Transtorno Disfórico Pré-menstrual têm uma diferença intrínseca no seu aparelho molecular em resposta aos hormônios sexuais”, disse David Goldman, outro autor da pesquisa. 

Terça-feira, 03/01/2017, às 06:00,

Caderneta de vacinação tem que estar em dia, mesmo depois dos 50 

Vacina não é só para bebês e crianças: adultos e idosos também devem manter a caderneta de vacinação em dia 

Vacina não é coisa de criança. Fora a imunização contra a gripe, que já é conhecida, os adultos não se preocupam em ter uma caderneta de vacinação e acabam desprotegidos. O alerta é da médica Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações e membro da Sociedade Latino-Americana de Infectologia Pediátrica.  O site da SBIm disponibiliza o calendário de vacinação para todas as faixas etárias.

Quais as vantagens da vacinação em adultos e idosos?
Isabella Ballalai – Na realidade, o adulto não sabe que as doenças da infância também podem acometê-lo. Em alguns casos, como a hepatite B, por exemplo, o risco é maior para os adultos. Como política pública, é mais fácil e eficiente vacinar na infância do que mais tarde. Sarampo, caxumba e rubéola são doenças prevalentes em crianças, mas ninguém está 100% livre delas ao ficar mais velho. Inclusive, o fato de ter tido uma doença dessas quando pequeno não é garantia de que ela nunca mais atacará o indivíduo. Já atendi paciente com coqueluche na terceira idade, que teve que ser internado. A vacina contra difteria e tétano tem que ser tomada a cada dez anos. As pessoas se esquecem e se arriscam. Saem de férias, às vezes se cortam ou sofrem algum outro tipo de ferimento e pensam que, ao procurar o pronto-socorro, estão protegidas, mas a aplicação feita lá leva dez dias para fazer efeito, ou seja, o processo infeccioso pode não ser detido a tempo.

Além da vacina contra a gripe, que já é bem conhecida, que outras devem ser aplicadas depois dos 60 anos?
Isabella Ballalai – A partir da terceira idade, surgem outros riscos. Uma pneumonia pode ser fatal. O herpes zóster normalmente não traz complicações para os mais jovens, mas, com o envelhecimento, uma das consequências pode ser a neuralgia pós-herpética, um quadro de dor crônica que se prolonga por até um ano. Acima dos 85 anos, as chances de enfrentar esse problema são de 50%.

Que vacinas para adultos e idosos estão disponíveis na rede pública de saúde?
Isabella Ballalai – A rede pública oferece quase todas as vacinas para pacientes com doenças crônicas, como o diabetes, o problema é que as pessoas nem sabem disso. Pessoas com hipertensão, câncer, ou que estejam com o sistema de defesa imunodeprimido, apresentam comorbidades (ocorrência de mais de um problema ao mesmo tempo) e necessitam de vacinas para estarem mais protegidas.

Qual é o custo médio das vacinas encontradas somente em clínicas particulares?
Isabella BallalaiOs calendários de vacinação das sociedades médicas recomendam, além das vacinas incluídas nos programas públicos, aquelas consideradas benéficas para a saúde do indivíduo, de acordo com análises técnico-científicas. Infelizmente a grande maioria das operadoras de seguro saúde ainda não prevê reembolso para vacinas, a não ser em planos que estão na faixa premium. Na rede privada, o custo varia entre R$ 100 e R$ 300, mas é importante saber que o tratamento para herpes zóster, por exemplo, sai muito mais caro que a vacina que previne a doença.

Mais conversa, menos exames e remédios: o que propõe o movimento por "Medicina sem Pressa"

Recém-chegada ao Brasil, filosofia recebe críticas de médicos ao condenar campanhas de conscientização do câncer de mama e próstata, que classificada de ação "de marketing" que leva a procedimentos invasivos desnecessários.

Uma medicina mais lenta e atenta às necessidades individuais de cada paciente, que priorize o diagnóstico clínico - e não os exames - e a prevenção em vez da medicação. 

Esses são alguns dos pontos defendidos pelo movimento Slow Medicine ("medicina sem pressa", em tradução livre), que desembarcou há pouco no Brasil. 

Trata-se da versão medicinal de uma filosofia que teve origem na gastronomia em 1986, na Itália, e ganhou em 2004 sua bíblia, o livro Devagar - Como um Movimento Mundial está Desafiando o Culto da Velocidade (Record), do jornalista britânico radicado no Canadá Carl Honoré. 

Ao destrinchar um movimento que pede calma numa sociedade estressada pela pressa, o autor agradou leitores de todo o mundo e acabou na estante dos mais vendidos. E a moda "Slow" ganhou adeptos ao redor do planeta - e em diversas áreas. 

Na medicina, o termo foi usado pela primeira vez pelo cardiologista italiano Alberto Dolara, num artigo publicado em 2002. Para ele, o movimento Slow seria uma contrapartida ao "constante impulso de aceleração na sociedade moderna". 

Consultas mais demoradas são um dos pilares da filosofia - a ideia é que o paciente seja visto como uma pessoa completa, não como um conjunto de enfermidades -, mas há outros aspectos envolvidos. 

Entre eles estão o compartilhamento das decisões, a ênfase na saúde e não na doença e a prevenção como terapia. 

As propostas, no entanto, recebem críticas de outros especialistas, que defendem haver outras prioridades na medicina. 

"Até louvo as entidades que queiram ter uma medicina mais personalizada", disse o ex-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia Aguinaldo Nardi. 

"É o que nós devíamos ter mesmo. Mas estamos muito longe disso." 

Para o médico, porém, o primeiro passo seria ter um bom sistema de saúde global. "Nós ainda estamos longe de ter uma saúde de qualidade para todos", afirmou.

Menos remédios e exames

Já os entusiastas da Slow Medicine afirmam que suas propostas poderiam baratear o sistema de saúde ao propor, por exemplo, um menor uso de medicamentos e exames. 

"Acho nossos remédios uma maravilha", afirmou o clínico-geral, geriatra e cofundador da Slow Medicine no Brasil José Carlos Aquino de Campos Velho. 

"Hoje temos a possibilidade de curar ou controlar doenças que até 20 anos atrás matavam. Mas a questão é o uso abusivo e excessivo de medicamentos". 

Segundo ele, é preciso questionar, por exemplo, certos casos em que drogas são utilizadas como instrumento de prevenção. 

"Um paciente com colesterol alto, mas que nunca teve nenhum episódio cardíaco mais grave, não fuma, não tem histórico familiar de doença do coração e se exercita, talvez não deva tomar remédio", disse. 

Isso porque, avalia, é necessário medicar uma população enorme para se evitar um único infarto - o que aumenta os custos de planos particulares e do Sistema Único de Saúde (SUS). 

Por outro lado, afirma, cria-se uma ampla gama de pacientes sujeitos aos efeitos colaterais dos medicamentos, como mialgia, miopatia, diabetes e problemas cognitivos. 

Outro aspecto da medicina atual que é criticado pelos adeptos da Slow Medicine é o excesso de pedidos de exames. 

Para Campos Velho, o fenômeno traz uma série de problemas, que vão dos custos elevados, ao estresse, muitas vezes desnecessário, de um paciente que tem de aguardar uma semana para saber, por exemplo, que aquela manchinha de nascença não se transformou em um câncer fatal. 

"Não é que a gente seja contra os exames", disse. "Mas a gente defende que isso deve ser individualizado. Que a decisão deve ser tomada de maneira consciente pelo paciente, depois de ele ser informado sobre os riscos e benefícios que pode ter." 

Campos Velho usou como exemplo uma dor nas costas. 

"Se não tiver nenhum indicador que possa sinalizar um problema mais sério como um câncer, por exemplo, não se deve nem fazer um exame de imagem". 

"Porque ao fazer uma ressonância ou um raio-X, é provável que se encontre alterações que talvez nem tenham relação com a dor, mas que possam ser passíveis de procedimentos." 

A solução para casos como esse? Tempo, responde o médico. Se necessário medicar com analgésico e anti-inflamatório e esperar para ver como os sintomas se comportam, afirma. 

O caso hipotético do paciente com dor nas costas ilustra o oitavo dos 10 princípios da Slow Medicine: colocar a segurança do paciente em primeiro lugar. E se completa com a ideia de que, na dúvida, para evitar um mal maior, o médico deve abster-se de intervir.

Contra o azul e o rosa

O movimento Slow Medicine ganha uma boa dose de polêmica por se colocar contra campanhas como o Outubro Rosa, voltado à prevenção do câncer de mama, e o Novembro Azul, que incentiva o diagnóstico precoce de câncer de próstata. 

"Virou uma campanha de marketing que gera um grande número de solicitação de exames", opina Campos Velho. 

"Muitos desses exames acabam gerando procedimentos e muitos desses procedimentos são invasivos e levam a cirurgias que podem causar impotência e incontinência urinária", afirmou o geriatra, referindo-se ao Novembro Azul e aos exames para identificar câncer de próstata. 

Segundo ele, além dos falsos positivos, há um grande número de pacientes que vai, sim, desenvolver o câncer, mas que, por estar em idade avançada ou sofrendo de males diversos, acabará morrendo por outros motivos. 

A opinião de Campos Velho ecoa um artigo do urologista Marcio D'Imperio, publicado no site da Slow Medicine Brasil. 

O texto cita dados de um estudo publicado em 2012 pelo semanário científico americano New England Journal of Medicine, que acompanhou 180 mil homens entre 50 e 74 anos. 

Os resultados indicaram que, ainda que tenham sido diagnosticados mais tumores, a mortalidade geral dos pacientes que fizeram rastreamento por meio do exame PSA e dos que não fizeram foi praticamente a mesma: de aproximadamente 18%. 

Além disso, apontaram que, ao se fazer exames numa população ampla, sem triagem prévia, evita-se apenas uma morte para cada 1.055 homens examinados.

Campanhas como incentivo

O urologista Aguinaldo Nardi, do comitê científico do Instituto Lado a Lado pela Vida (organização que criou a campanha Novembro Azul), questionou os dados do estudo citado por D'Imperio. 

Entre outras críticas, Nardi afirmou que uma parte dos pacientes, que não tiveram os níveis de PSA monitorados durante a pesquisa, havia feito outros exames para identificar o câncer de próstata. 

Ele também rebateu críticas da Slow Medicine ao excesso de exames e às campanhas de conscientização. 
"Como médicos, nosso dever é informar a população", disse. 

Segundo Nardi, campanhas como o Novembro Azul e o Outubro Rosa muitas vezes servem como incentivo para que a população tenha contato com um médico, o que pode levar à identificação de outros problemas de saúde. 

Ainda de acordo com o urologista, no caso do câncer de próstata o maior problema não está na realização ou não de exames, mas no que está sendo feito com os pacientes que apresentam a doença. 

Nardi afirmou que dos 69 mil casos de câncer de próstata detectados em 2015, 36 mil deveriam ser tratados em cirurgias feitas pelo SUS. 

Mas apenas seis mil foram operados. Ou seja, segundo o urologista existem 30 mil pacientes "perdidos no limbo do sistema público de saúde".

Paciente Slow

Polêmicas à parte, as ideias da Slow Medicine vêm conquistando adeptos. 

O bancário aposentado Moacir Mariscal, por exemplo, passou 20 de seus 65 anos monitorando um órgão cuja existência sequer notaria, não fosse a medicina moderna: a próstata. 

A despeito do sobrepeso, fator de risco genérico que aumenta também as chances de desenvolver vários tipos de câncer, os níveis de PSA de Mariscal sempre estiveram dentro da normalidade. 

Os exames periódicos, contudo, continuaram até que, em março, numa consulta com o geriatra Campos Velho e após confabularem sobre o assunto, médico e paciente, decidiram deixar a próstata em paz. 

"Ele me disse que, com todos esses anos de resultados normais, não precisávamos mais fazer exame. E eu confiei na decisão dele", disse Mariscal. 

O aposentado, que vê com bons olhos o movimento Slow e a Medicina sem Pressa, anda irritado com a boa e velha "medicina apressada". 

Diante da dificuldade em marcar uma consulta com a dermatologista para checar uma mancha dolorida na perna - só havia horário para o fim de janeiro -, Mariscal resolveu buscar uma clínica particular de múltiplas especialidades, dessas que se apresentam como alternativa aos planos de saúde. 

A consulta durou cinco minutos, com uma médica que mal o olhou nos olhos, lembrou Mariscal.
O resultado? Um pedido de exame. 

A droga amazônica ayahuasca seduz celebridades e psiquiatras nos EUA

Cerimônias clandestinas com uso de ayahuasca acontecem em Nova York, Los Angeles e São Francisco, segundo pesquisador.

Dominique era viciada em cocaína e fumava dois maços de cigarro por dia até o dia em que descobriu a ayahuasca, uma poção alucinógena que afirma ter mudado sua vida. 

"Larguei tudo de um dia para o outro sem esforço", conta. 

A franco-americana, que mora em Los Angeles e preferiu não ser identificada pelo nome de batismo, é uma entre os milhares de adeptos que se renderam nos Estados Unidos à mistura psicodélica de ervas proveniente da Amazônia, apontada como responsável por auxiliar na superação da dependência química, da depressão ou de algum trauma psicológico. 

A poção, preparada e consumida como parte de um ritual xamânico, está fazendo sucesso em Hollywood e no Vale do Silício. 

Milhares de pessoas se reúnem para experimentar esse elixir e testemunhar suas propriedades terapêuticas, ainda que a comunidade científica e usuários alertem para o uso da ayahuasca como algo com perigo em potencial, especialmente se misturada com outras drogas. 

Dentre as celebridades usuárias da ayahuasca estão Sting, Paul Simon, Tori Amos e Lindsay Lohan, que afirmam que a planta proporciona uma experiência espiritual única. Muitos relatam também terem superado com ela traumas que nunca haviam vencido com qualquer outro tratamento terapêutico convencional. 

"Acredita-se equivocadamente que são os hippies com penas nos cabelos que a utilizam. É exatamente o contrário. Há estilistas, atores, empresários, advogados....", afirma Jeff, que organiza cerimônias com uso de ayahuasca em Los Angeles, Califórnia, e preferiu que seu nome real não fosse utilizado. 

"Em tempos em que o consumismo e entretenimento dominam, há pessoas que querem ter experiências mais profundas, consideradas experiências espirituais, algo sagrado", resume.

Cem cerimônias por noite em NY

Aproximadamente 100 cerimônias clandestinas com uso de ayahuasca acontecem toda noite em Nova York e outras cidades como Los Angeles e São Francisco, segundo Dennis McKenna, professor do Centro para a Espiritualidade e Cura da Universidade de Minnesota, no norte dos EUA. 

McKenna relata ser difícil ter um número exato da quantidade de reuniões com uso da erva que vem acontecendo no país, uma vez que a substância contida na poção é ilegal em território americano. A dimetiltriptamina (DMT) pertence à mesma categoria do ecstasy e da heroína. 

Duas igrejas brasileiras situadas no oeste americano têm autorização de uso por utilizarem a ayahuasca em rituais. 

Seguidores dos ensinamentos da ayahuasca contam que ingerem o chá de gosto desagradável apenas em intervalos de muitos meses e devem manter uma dieta restrita antes de fazerem uso da erva.

'Andorinhas violetas'

As cerimônias geralmente ocorrem em locais abertos e incluem meditação e canções espirituais, denominados "ícaros". 

Usuários de ayahuasca declaram passar por experiências fora do corpo que lhes permitem confrontar alguns de seus piores medos. 

"Eu vi andorinhas rosas e violetas, e formas geométricas verdes", conta Leonard. 

Essas visões, no entanto, são acompanhadas de algumas mais assustadoras que são descritas como aterrorizantes. Quem participa do ritual também vomita muito, algo descrito como purificador. 

"O aspecto purificador é bastante catártico", diz Jeff. "Na mata, eles consideram isso antiparasitário". Alguns relatam sair da experiência sem nenhum momento de revelação pessoal, enquanto outros descrevem uma transformação radical. "Eu parei de fumar, comecei a meditar e me reconectei com a natureza", conta Leonardo. "E me resolvi com meus pais". 

Os efeitos da erva despertam cada vez mais o interesse de cientistas e pesquisadores. Jessica Nielson, da Universidade da Califórnia, em San Francisco, estuda ayahuasca no campo da neurociência. 

Nielson quis saber mais a respeito da poção após experimentá-la em uma viagem que fez ao Peru. 

"Duas pessoas que estavam comigo no Peru que tinham Transtorno Pós-Traumático pareceram estar totalmente curadas após usarem o chá", relata. 

Charles Grob, psiquiatra do hospital universitário Harbor-UCLA, estudou o uso da ayahuasca em uma igreja brasileira, e afirma perceber uma mudança de atitude em relação a erva e uma aceitação crescente que justifica que ela seja estudada. 

"A medicina e a psiquiatria ocidental usualmente falham no tratamento de vícios em drogas e álcool", diz Grob. 

"Por isso é notoriamente interessante investigá-la", acrescenta. 

Enquanto cientistas americanos enfrentam obstáculos legais para conseguirem autorização para estudar a erva, Brasil e Espanha conduzem pesquisas notáveis a respeito, já que nesses países seu uso é permitido. 

Grob cita um estudo pioneiro feito no Brasil envolvendo pessoas que sofriam de depressão crônica e que não obtinham bons resultados com antidepressivos. 

"Os resultados preliminares são satisfatórios", relata. 

Ainda assim, cientistas alertam que a erva pode ser perigosa, principalmente se usada juntamente com outras substâncias, e deve ser evitada por quem sofre de asma, epilepsia, bipolaridade ou esquizofrenia, já que a poção pode desencadear episódios psicóticos. 

"Deve-se examinar cada indivíduo para se ter certeza de que está mentalmente bem para participar da experiência", avisa Jeff. 

"O pior exemplo que tenho é o de um homem que ficou gritando por algumas horas", acrescentou. "Mas ele estava bem no outro dia e voltou".