Segunda-feira, 16/01/2017, às 08:45,
por Dra. Ana Escobar
A febre amarela é largamente conhecida por todos nós, brasileiros.
Sabemos que é causada por um vírus, inoculado em nosso corpo pela picada
de um mosquito. Sabemos que tem uma vacina bastante eficaz e sabemos
também que pode ser uma doença mortal. Sabemos bastante.
Mas só
isso não é suficiente saber. Por que? Porque de tempos em tempos a febre
amarela volta a nos assombrar com notícias de reincidência e mortes. É o
que está acontecendo agora em algumas regiões do Brasil, principalmente
na região de Minas Gerais, onde até o final da última semana havia 133 casos suspeitos e 38 óbitos. Precisamos saber um pouco mais. Vamos às principais dúvidas:
Fala-se em febre amarela urbana e silvestre: é a mesma doença ou
são vírus diferentes? Por que diz-se que o surto atual é de febre
amarela silvestre?
O vírus que causa a febre amarela urbana
ou a silvestre é exatamente o mesmo. Isso significa que os sinais,
sintomas e evolução da doença são exatamente os mesmos. Tudo igual. Qual
é a diferença, então? A diferença está “apenas” nos mosquitos
transmissores e na forma de contagio. A febre amarela silvestre é
transmitida por mosquitos (Haemagogus e o Sabethes)
que vivem nas matas e na beira dos rios. Estes mosquitos picaram macacos
contaminados e depois picaram pessoas que adoeceram. Por isso há relato
de mortes de macacos nas regiões acometidas. A febre amarela urbana não
existe no Brasil desde 1942 e é transmitida quando um mosquito urbano,
o Aedes aegypti, pica uma pessoa doente e depois pica outra
pessoa susceptível, transmitindo a doença. Exatamente como acontece com a
dengue, zika e chikungunya.
O Aedes aegypti é transmissor da febre amarela?
SIM.
Por isso é que devemos evitar que o vírus se espalhe, vacinando todas
as pessoas das regiões acometidas. Se uma pessoa que frequentou a região
de matas for contaminada, vier para região urbana e for picada pelo Aedes,
pode reiniciar o ciclo urbano da febre amarela. Por isso é importante
conter o surto.
Felizmente temos uma vacina bastante eficaz para isso.
Quem pode tomar a vacina?
A
vacina da febre amarela está indicada para crianças com mais de 9 meses
e adultos com menos de 60 anos. Bebês de 9 meses podem tomar a primeira
dose e um reforço aos 4 anos de idade. Para os adultos, 2 doses, com
intervalo de 10 anos, são suficientes para imunizar. Não é necessário
repetir a vacina a cada 10 anos. As pessoas com mais de 60 anos podem
receber a vacina, desde que indicada pelo médico.
Gestantes podem ser vacinadas? E os bebês com menos de 9 meses?
A
vacina não é rotineiramente indicada para as gestantes. No entanto,
cada futura mamãe merece uma avaliação individual e o médico pode
avaliar o risco e o benefício para cada situação. Em bebês com menos de 6
meses a vacina é contraindicada. Para os que têm de 6 a 9 meses, a
vacina pode ser dada desde que indicada pelo médico. Em épocas de
surtos, em geral recomenda-se vacinar os bebês acima de 6 meses.
E quem não sabe ou não lembra se tomou a vacina? Pode tomar de novo?
Pode sim, desde que esteja no grupo recomendado e desde que não tenha nenhuma contraindicação para esta vacina.
Quais são as contraindicações para a vacina? Quem não deve ou não pode tomá-la?
As
contraindicações mais importantes são alergia à proteína do ovo, bebês
com menos de 6 meses ou pacientes portadores de doenças que cursam com
imunodepressão ou que façam tratamentos que levem à imunossupressão.
Nestas duas últimas situações, pode haver algumas exceções definidas e
orientadas pelo médico que assiste cada paciente.
Por que esta febre se chama “amarela”?
Porque
um dos sinais de gravidade da doença é a icterícia, que deixa os olhos
e a pele das pessoas com um tom mais amarelado. Os sintomas iniciais
são como os de uma gripe mais forte, com febre, dores pelo corpo, dor de
cabeça, mal estar, enjoo e vômitos. Depois de uns 2, 3 dias as pessoas
podem melhorar ou evoluir para as formas mais graves, com acometimento
do fígado e dos rins. Aí aparece a icterícia e sinais de hemorragia como
sangramentos de mucosas. Felizmente as formas mais graves são mais
raras e a maioria dos pacientes evolui para a cura. Quem teve a doença
fica imune para o resto da vida.
Existe tratamento específico para a febre amarela?
Não. O tratamento é o de suporte, isto é, alívio dos sintomas.
Os
mosquitos podem nos tirar o sono não apenas com o zumbido noturno que
fazem nos nossos ouvidos.
Faça sua parte e não deixe locais que possam
servir de criadouros perto de você. É como abrir a porta para o inimigo
entrar.
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