Divórcio conflituoso de pais prejudica saúde de filhos por décadas, diz estudo
Para o estudo, adultos saudáveis foram expostos a vírus que causa resfriado. Aqueles cujos pais passaram por separação traumática tinham 3 vezes mais risco de adoecer.
Filhos cujos pais passaram por divórcios traumáticos ficam mais
vulneráveis a doenças, segundo estudo (Foto: CDC/ Amanda Mills)
Quando as crianças vivenciam um divórcio ou separação conflituosa de
seus pais, a situação parece prejudicar sua saúde por décadas, até a
idade adulta, disseram pesquisadores nesta segunda-feira (5).
O estudo, publicado na revista científica americana "Proceedings of the
National Academy of Sciences" (Pnas), foi feito com 201 adultos
saudáveis que concordaram em ser colocados em quarentena, expostos a um
vírus que causa o resfriado comum e monitorados por cinco dias.
Aqueles cujos pais se separaram e não se falaram durante anos eram três
vezes mais propensos a adoecer, em comparação com aqueles cujos pais se
separaram mas permaneceram em contato durante o crescimento das
crianças.
Pesquisas anteriores mostraram que os adultos cujos pais se separaram
durante sua infância têm um risco aumentado de ter a saúde mais fraca.
O último estudo mostrou que este risco maior de contrair doenças se
deve, ao menos em parte, a uma inflamação aumentada em resposta a uma
infecção viral, segundo o artigo.
"As experiências estressantes no início da vida fazem algo com a nossa
fisiologia e processos inflamatórios que aumenta o risco de uma saúde
mais fraca e doenças crônicas", disse Michael Murphy, associado de
pesquisa de pós-doutorado em psicologia na Universidade Carnegie Mellon.
"Este trabalho é um avanço na nossa compreensão de como o estresse
familiar durante a infância pode influenciar a susceptibilidade de uma
criança a doenças 20-40 anos depois", acrescentou.
O estudo também mostrou que os filhos adultos de pais que se separaram
mas ficaram em contato não eram mais propensos a ficar doentes do que os
filhos adultos de famílias intactas.
"Nossos resultados visam o sistema imunológico como um importante
portador do impacto negativo a longo prazo do conflito familiar", disse
Sheldon Cohen, coautor e professor de psicologia.
"Eles também sugerem que os divórcios não são todos iguais, e que a
comunicação contínua entre os pais amortece os efeitos deletérios da
separação nas trajetórias de saúde das crianças", completou.
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