Médico denunciado por violência durante parto já responde a processo por morte de bebê em MT
Denúncia contra obstetra por morte de bebê em hospital de Cáceres foi aceita pela Justiça em janeiro deste ano. Criança foi retirada por enfermeira por meio de manobra que pressiona o fundo do útero, segundo o MP.
Dois partos, um em 2010 e outro na semana passada, foram realizados no
Hospital São Luís (Foto: Ronivon Barros/ Ascom - Prefeitura de
Cáceres-MT)
O médico Jarbes Balieiro Damasceno, que foi denunciado por suposta violência obstétrica
durante um parto realizado no último dia 29, no Hospital São Luís, em
Cáceres, a 220 km de Cuiabá, já responde judicialmente a um processo
criminal pela morte de um bebê nessa mesma unidade de saúde. A denúncia
oferecida pelo Ministério Público Estadual (MPE) contra o obstetra foi
aceita pela Primeira Vara Criminal daquele município em janeiro deste
ano.
O G1
não conseguiu localizar a defesa do acusado até a publicação desta
reportagem. A direção do hospital informou que o médico está afastado
das funções desde a semana passada.
O processo sobre o caso ocorrido em setembro de 2010 tramita desde
2011. O crime foi investigado pela polícia e o MP o denunciou, com base
no resultado da investigação policial, por homicídio culposo (quando não
há intenção de matar).
O bebê morreu após uma longa espera para o nascimento. Segundo a
denúncia do MPE, houve negligência por parte do médico, que não deu a
devida atenção à paciente que chegou à unidade já em trabalho de parto.
A mulher chegou ao hospital às 11h daquele dia para fazer o parte. Ela
foi atendida pelo médico, que a encaminhou para a sala de espera. Às
16h20, a paciente foi encaminhada ao centro cirúrgico para o parto. Ao
chegar no local, a enfermeira conferiu os batimentos cardíacos do bebê e
identificou que a criança estava bem.
No entanto, o obstetra só chegou na sala de cirurgia às 17h30, quando
já não era mais possível ouvir os batimentos cardíacos do bebê, que foi
retirado por uma enfermeira, que é auxiliar do médico, por meio da
manobra de pressão do fundo do útero para adiantar a saída da criança. O
procedimento obstétrico é contraindicado pelo Ministério da Saúde.
Após o parto, as enfermeiras ainda tentaram reanimar o bebê até a chegada do pediatra, mas ele já tinha morrido.
Sob investigação
A Delegacia da Mulher de Cáceres já abriu inquérito para apurar a
denúncia recente registrada pelo pai de um bebê que morreu cinco dias
após o nascimento, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), do Hospital
São Luís. O homem alega que a mulher dele, a dona de casa Rosa Maria
Martins Pires, de 27 anos, foi vítima de violência durante o parto. A
paciente e outros membros da família já foram ouvidos pela polícia nesta
terça-feira (6).
A polícia também solicitou exames de necropsia no bebê e de corpo de
delito na mãe. O médico e outros funcionários do hospital ainda devem
ser intimados a depor sobre o caso.
Consta no boletim de ocorrência que a paciente chegou ao hospital por
volta de 9h do dia 29 de maio e só foi atendida às 21h. "Nesse horário, a
cabeça do bebê já podia ser vista, mas o médico empurrou o bebê de
volta para o ventre materno, pois uma enfermeira gritou que não era para
sujar o local de sangue", diz trecho do documento.
Cerca de duas horas depois, a vítima foi encaminhada ao centro cirúrgico. A cunhada dela disse ao G1 que Rosa Maria teve uma hemorragia interna, pois as enfermeiras começaram a pressionar a barriga para forçar o parto normal.
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