Mesmo o consumo moderado de álcool pode prejudicar o cérebro, indica estudo
Nível moderado - equivalente a quatro pints de cerveja forte ou cinco taças de vinho por semana - elevou risco de danos cerebrais.
Os autores afirmaram que se trata de um estudo observacional, por isso
não podem ser tiradas conclusões definitivas sobre causa e efeito, ainda
que tenham apontado que o que foi notado pode ter "importantes
implicações potenciais" sobre a saúde de um grande setor da população.
Estudo sugere que mesmo níveis considerados moderados de consumo de
álcool são associados a um maior risco de danos cerebrais. (Foto:
CDC/Debora Cartagena)
O consumo de álcool, inclusive em níveis moderados, é associado com um
aumento do risco de danos cerebrais e de deterioração cognitiva, segundo
um estudo publicado nesta terça-feira (6) na revista médica "The
British Medical Journal".
Os autores, um grupo de pesquisadores britânicos das universidades de
Oxford e College London, acrescentam que o trabalho respalda a recente
redução da orientação do álcool no Reino Unido e questiona os limites
atuais recomendados nos Estados Unidos.
Diversos estudos analisaram as consequências nocivas para o cérebro de
uma ingestão excessiva de álcool, mas muito poucos o fizeram sobre um
consumo moderado, alegaram os autores.
Por isso, eles decidiram se lançar a examinar se uma ingestão comedida
de bebidas alcoólicas tem consequências positivas, negativas ou nulas na
estrutura e na função do cérebro.
Participaram do estudo 550 homens e mulheres saudáveis, e foram
analisados os seus dados sobre ingestão semanal de álcool e seu
rendimento cognitivo médio durante 30 anos (1985 a 2015).
Os exames de função cerebral aconteceram em intervalos regulares, e ao
final do estudo (2012 a 2015) os participantes se submeteram a um exame
de ressonância magnética no cérebro.
Foram levados em conta vários fatores que poderiam ter incluenciado nos
resultados, como idade, sexo, educação, classe social, atividade física
e social, tabagismo, risco de acidente vascular cerebral e antecedentes
médicos.
Após ajustar estes fatores, os pesquisadores descobriram que um maior
consumo de álcool durante o periodo de estudo de 30 anos foi associado
com um maior risco de atrofia do hipocampo - uma forma de dano cerebral
que afeta a memória e a navegação espacial.
Enquanto aqueles que consumiam mais de 30 unidades por semana estavam
no grupo de risco mais alto em comparação com os abstêmios, mesmo
aqueles que bebiam moderadamente (14 a 21 unidades por semana) tinham
três vezes mais probabilidades de ter atrofia do hipocampo em comparação
com os que não consumiam nada.
O estudo considera que uma unidade de álcool equivale a 10 mililitros.
As 14 unidades que foram consideradas um consumo moderado correspondem a
quatro 'pints' (de pouco mais de meio litro cada) de cerveja forte ou
cinco taças de vinho (175 ml) de 14 graus.
O maior consumo também foi associado com uma menor integridade da
substância branca (crítica para o funcionamento cognitivo eficiente) e
uma queda mais rápida da fluidez da linguagem (quantas palavras que
começam com uma letra específica podem ser ditas em um minuto).
Os autores afirmaram que se trata de um estudo observacional, por isso
não podem ser tiradas conclusões definitivas sobre causa e efeito, ainda
que tenham apontado que o que foi notado pode ter "importantes
implicações potenciais" sobre a saúde de um grande setor da população.
EFE
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