Vídeo mostra médica suspeita de negar socorro a bebê rasgando papéis na ambulância antes de ir embora
Polícia investigará se houve omissão de socorro. Menino Breno, de 1 ano e meio, morreu à espera de uma segunda ambulância, após a primeira ir embora.
08/06/2017 14h16
Imagens da câmera de segurança de um condomínio podem ajudar a polícia
do Rio a investigar uma denúncia de omissão de socorro, que pode ter
causado a morte de um bebê.
No banco do carona, a médica que, segundo a família, se recusou a levar
para o hospital o menino Breno Rodrigues Duarte da Silva, de 1 ano e
meio, aparece rasgando alguns papéis. Ela gesticula e depois vai embora,
sem sequer falar com os pais.
Breno sofria de uma doença neurológica. O corpo dele foi velado nesta quinta-feira.
Na quarta (7), o bebê começou a ter fortes dores abdominais. Os pais
ligaram correndo pro plano de saúde, a Unimed. Segundo a mãe, a
ambulância chegou em meia hora, mas o atendimento não foi feito.
Médica rasga papéis na ambulância antes de ir embora (Foto: Reprodução/Globo)
"Nós não sabemos por que a médica da ambulância, plantonista que foi
para levar o meu filho para a internação, não atendeu", diz a empresária
Rhuana Lopes Rodrigues, mãe de Breno.
A médica trabalha para a empresa Cuidar, que faz as remoções para a
Unimed. A Cuidar não retornou as nossas ligações para explicar o que
aconteceu, nem para informar o nome da médica.
Desde julho, Breno dependia de cuidados especiais, em casa, e só
poderia ser levado para o hospital de ambulância, acompanhado por uma
equipe médica. Como o primeira foi embora, a mãe solicitou uma nova
ambulância, mas a criança morreu antes da chegada do segundo socorro. Os
pais do bebê prestaram queixa na delegacia.
"Eu teria chegado no hospital, ele teria sido socorrido, ele teria feito os procedimentos que deveriam ser feitos e provavelmente estaria vivo agora", lamenta a mãe.
Rhuana espera o segundo filho. A família está dilacerada.
"A gente lutou muito pelo nosso filho, que é especial. E a gente vê o
descaso de uma profissional que deveria ter atendido na hora e a gente
perdeu nosso filho. Então, o sentimento de muita tristeza", declarou
Felipe Antônio Duarte da Silva, também empresário e pai do Breno.
Rhuana Lopes Rodrigues durante velório do filho (Foto: Alba Mendonça/G1)
Despedida
No velório do filho, Rhuana chorava muito e recebeu os cumprimentos de
parentes que exibiram camisetas com a foto de Breno com a frase: "Para
sempre nosso campeão".
"Meu filho poderia ter sido salvo. Mas a médica nem desceu da
ambulância. Ela sequer desceu do carro.
Ela chegou às 9h10 e meu filho
morreu às 10h26. Nesse tempo ela teria chegado ao Centro Pediátrico da
Lagoa ou ao Quinta D'Or", contou a empresária Rhuana Rodrigues. A
segunda ambulância só chegou às 11h, mais de meia hora após a morte do
bebê.
Rhuana contou que Breno sofria de eplepsia de difícil controle. A
criança passou os sete primeiros meses de vida internada com convulções,
até ser diagnosticado e ter o quadro estabilizado. Ele estava em
internação domiciliar e precisava de respirador nasal para dormir.
"Parei toda a minha vida para me dedicar ao meu filho. Ele era especial
e precisava de cuidados constantes.
Sempre fui prontamente atendida
pelos médicos e pela Unimed sempre que precisamos. Mas desta vez não
sabemos o que aconteceu" , disse a mãe de Breno, que está grávida de
três meses.
Ela explicou que, por estar em internação domiciliar, o menino só
poderia ser transportado de ambulância.
Caso decidissem socorrer o bebê
por meios próprios, os pais poderiam ser responsabilizados
judicialmente.
"Ele estava com uma gastroenterite que foi se agravando. Ele recebia
atendimento médico semanalmente.
Ligamos para a pediatra dele que disse
para interná-lo num hospital. Ligamos pra Unimed e pedimos a ambulância.
Se a médica tivesse socorrido o Breno ele ainda poderia estar vivo.
Agora, vou morrer com essa dúvida: se eu tivesse levado ele para o
hospital meu filho ainda estaria vivo?", indagou.
Os pais de Breno registraram o caso na 16ª DP (Barra da Tijuca) , na
noite de quarta-feira. O advogado da família pretende entrar com três
processos na justiça. Um criminal contra a médica por homicídio culposo
com o agravante de ela ser médica e ter omitido socorro à vítima, um
cível por danos morais e um no Conselho Regional de Medicina para que a
médica seja penalizada pela conduta antiprofissional.
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