4/3/2016 às 00h30
Mulher que já sofreu 300 fraturas por causa de doença desabafa: "Me olham como se eu fosse alienígena"
Ossos de Dhanya não têm proteína que os deixa resistentes; ela supera drama com otimismo
Dhanya Ravi já se acostumou. Aos 27 anos, sempre que quebra um osso de seu corpo, ela evita dar gritos. Cerra os punhos, se senta e espera a dor passar, para não assustar sua mãe. As informações são do Daily Mail.

A moça, natural de Bangalore, Índia, tem uma doença genética, incurável, denominada Osteogenesis Imperfecta. Em geral, ela fratura um osso por mês. Em sua vida, sofreu um total de 300 fraturas.
Dhanya tinha apenas dois meses de idade quando, chorando constantemente, seus pais a levaram de volta para o hospital e os médicos descobriram uma fratura na coxa.

Tendo crescido em cadeira de rodas, ela afirma que foi difícil ver outras crianças correndo e brincando enquanto ela ficava sentada em casa, olhando o mundo pela janela.

Apenas o movimento de levantar da cama pode ser capaz de causar uma fratura em um de seus membros. A doença também afeta o crescimento.
— É difícil, porque eu me sinto sozinho às vezes. As pessoas olham para mim como se eu fosse um alienígena.
Hoje o seu maior sofrimento é em relação à angústia de sua mãe sempre que há uma fratura.
— É um sentimento terrível ver a minha mãe também chorando comigo, ela sofre por causa da minha condição também.

Agora, as coisas boas. O amor da família (os pais se chamam Ravi e Nirmala) é um antídoto invencível. Ela também se esforça e consegue manter o ânimo em várias ocasiões. O surgimento do WhatsApp ajudou.
— Agora eu sei como lidar com a minha solidão. Eu uso muito o WhatsApp e adoro sair de férias com meus amigos e família, nós nos divertimos juntos.

E mesmo quando criança, a doença nunca a impediu de sentir a maior das liberdades: a de sonhar. De vivenciar um sonho real, que nascia em seu interior, alimentando um sentimento de esperança na vida e uma fé na pureza da infância.
— Durante a fase de amadurecimento, eu não podia jogar como as outras crianças e por isso era solitária. Não podia correr, subir em árvores, esse tipo de coisa, então eu passava horas jogando no meu PlayStation com o meu irmão e eu amava a Barbie, ela era a minha heroína.

Melodias e acordes também entusiasmavam a menina, agora moça, que não se cansa de lutar, a cada dia, fazendo de sua superação um exemplo.

— Eu amo música, eu penso nisso como se ela fosse um dos meus médicos porque me cura e me faz sentir melhor.
A pura lamentação nunca foi o seu forte. Quando as escolas se recusaram a aceitá-la, ela foi educada em casa por uma mulher de seu bairro.
— Ela (a professora) valia por 10 professores. Ela veio à minha casa e me ensinou todos os dias durante nove anos sem tomar um único centavo dos meus pais. Ela me ensinou que devemos sempre ajudar os outros quando isso está ao nosso alcance.

Dhanya também teve sorte de ter sido diagnosticada sem demora. A maioria dos 70 milhões de pessoas na Índia (um em cada 20 habitantes), que têm doenças raras e incuráveis, enfrenta uma espera de sete anos antes de ser diagnosticada.

Pacientes com Osteogenesis Imperfecta não têm ou não produzem colágeno Tipo 1, fundamental para compor as estruturas dos ossos e mantê-los resistentes.

Dhanya tem muita espiritualidade e coloca em seu Facebook palavras de paz e amor, buscando sempre ver o lado bom das pessoas.

Ela terminou os estudos com esforço e se mostra muito grata aos seus médicos que, segundo ela, sempre a trataram como uma princesa.

Aos 19 anos se comoveu ao ler uma notícia sobre um homem que sofria da mesma doença e precisava de uma operação em sua perna. Resultado: Dhanya entrou em ação e levantou os fundos necessários para a cirurgia.
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