Pacientes seguem em corredores de hospital da Zona Leste de São Paulo
Doria garantiu que problema tinha sido resolvido, mas equipe do SPTV voltou ao Hospital Ermelino Matarazzo e encontrou mais macas nos corredores.
Pacientes do Hospital Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo,
seguiam em macas nos corredores do centro médico neste sábado (6). O G1 visitou o local na sexta-feira (5) e encontrou mais de 30 pessoas aguardando vaga em um dos quartos de internação.
Neste sábado, a equipe do SPTV foi lá e encontrou outros pacientes nas
macas espalhadas pelos corredores do pronto-socorro. Nos banheiros não
havia papel higiênico.
A situação contrastava com o que o prefeito João Doria (PSDB) havia
dito mais cedo, em agenda pública no Parque do Carmo. “O [secretário
municipal da Saúde] Wilson Polara me garantiu que naquele dia o assunto
estaria resolvido. Ao final do dia eu já recebi o report dele que não
havia mais nenhuma pessoa em macas nos corredores, todos tinham sido
internados e o atendimento, equalizado”, disse.
A produção do SPTV conversou com o secretário municipal da Saúde,
Wilson Polara. Ele disse que as pessoas que estavam nas macas na sexta
foram levadas para os quartos, e que esses pacientes que aparecem nas
imagens feitas à tarde são pessoas que buscaram atendimento neste
sábado.
O secretário disse ainda que elas aguardavam consulta com o médico e
não estavam na fila para internação. A Prefeitura disse ainda que
ninguém ficou desassistido ou foi atendido no corredor.
Paciente aguarda atendimento no corredor do Hospital Ermelino Matarazzo (Foto: Reprodução/TV Globo)
Reclamações
O Ermelino Matarazzo é uma das unidades de saúde referência da Zona
Leste, segundo a Prefeitura. Alice Silva, que é prima de um paciente,
discorda. Ela reclama da falta de higiene e do mau cheiro. “Eu tenho a
impressão que é dos pacientes mesmo, que eles devem fazer as
necessidades tudo na cama e fica com esse cheiro.”
A situação não é de hoje. O pai de Rafael Santos de Oliveira está
internado há dois meses. Quando chegou, também ficou nos corredores.
“Impotente. É assim que eu me sinto. Isso me dói”, disse. “Se eu tivesse
dinheiro, eu tirava ele daqui. Mas, infelizmente, eu não tenho eu luto
para isso, mas infelizmente eu não posso tirar ele daqui.”
Na sexta, o secretário Wilson Pollara, em conversa por telefone com o G1,
disse que a pasta não sabia dos problemas no hospital antes de o caso
ser divulgado pela imprensa, mas reforçou a fala de Doria, informando
que os casos já tinham sido solucionados.
Segundo Pollara, os problemas na unidade se devem a uma "utilização
inadequada dos leitos", pois pacientes que tem cirurgia marcada para
daqui a uma semana já estariam internados. Além disso, outros que já
deveriam ter recebido alta permaneciam internados, segundo o secretário.
"Fomos com uma equipe lá no hospital hoje [sexta]. Pacientes foram
realocados para outros dois hospitais da região. Os que podiam ter alta
tiveram alta, e os que estavam no corredor já não estão mais", disse.
Segundo o secretário, a pasta espera a liberação de R$ 70 milhões da
Caixa Econômica Federal, que deverão ser usados em reformas de quatro
hospitais municipais, incluindo o Ermelino Matarazzo.
Por meio de nota, a Autarquia Hospitalar Municipal (AHM) informou que "não deu alta a nenhum paciente sem necessidade".
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