terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Saúde

Nos consultórios médicos, cresce preocupação de gestantes sobre microcefalia e zika

Associação entre infecção transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e má-formação foi confirmada em novembro de 2015 pelo Ministério da Saúde

Por: Paula Minozzo
04/01/2016 - 03h07min
Nos consultórios médicos, cresce preocupação de gestantes sobre microcefalia e zika Mateus Bruxel/Agencia RBS
Nos consultórios médicos, a crescente preocupação de gestantes e mulheres que planejam uma gravidez é notável. 
A relação dos casos de microcefalia com a infecção pelo zika vírus se tornou tópico essencial e rotineiro nas con-
sultas obstétricas e ginecológicas. Nos exames de ecografia, perguntas sobre as medidas do perímetro cefálico do 
bebê também se tornaram mais comuns. As medidas de prevenção contra a picada e as formas de eliminação dos 
focos do mosquito Aedes aegypti entraram para a lista de cuidados durante a gravidez e são reforçadas pe-
los médicos.

Junto ao protetor solar, o repelente virou um item obrigatório neste verão,
quando o uso de roupas curtas e leves se torna mais comum. A ginecolo-
gista e obstetra Ivete Canti, coordenadora da unidade de alto risco da ma-
ternidade do Hospital Conceição, se diz mobilizada na luta contra o mos-
quito e avalia que todo cuidado é pouco. Ela vem desaconselhando as pa-
cientes a viajar para regiões onde há maior risco de infecção, como o Nor-
deste.
– Por mim, grávida não viaja para lugares onde há grande circulação do
mosquito. Ainda se sabe muito pouco sobre o vírus e, no caso de uma má-
formação fetal, não há maneiras de reverter a situação. Quando vejo que
a preocupação das mulheres é saber mais sobre a microcefalia, alerto pri-
meiro sobre a necessidade de prevenção. Já internalizamos a importância
do uso do protetor solar. Agora, é fazer o mesmo com o repelente – diz.
Ivete aconselha, em qualquer idade gestacional, o uso do produto contra
insetos e recomenda que as grávidas vistam roupas que cubram as extremi-
dades. Se o tecido escolhido for leve, como meias de náilon, o repelente
deve ser passado inclusive por cima, lembra a especialista.
Não há comprovação de que o zika circule no Estado, mas, para a diretora
do Centro de Vigilância em Saúde, Marilina Bercini, todos os 172 municí-
pios do Estado que estão infestados pelo Aedes estão sob maior risco. Nes-
ta época do ano, o maior fluxo de pessoas viajando para outras regiões com
casos confirmados da doença é motivo de alerta para as autoridades.
– Seja em Santa Catarina (onde há oito casos confirmados de zika) ou Nor-
deste, estamos sob risco, já que é o período de férias. Não esperamos um
grande surto no Estado, mas estamos trabalhando sistematicamente com a
eliminação dos criadouros. Onde há casos suspeitos é feita a nebulização
com inseticida – explica Marilina.
A principal medida e o foco de atuação para combater a doença no Rio
Grande do Sul, segundo ela, é a eliminação do vetor, já que o inseto passa
a transmitir o vírus quando pica uma pessoa infectada. O tempo de perma-
nência do zika no sangue pode durar até uma semana. Até o último boletim
epidemiológico, havia 23 casos suspeitos no Rio Grande do Sul, mas a Se-
cretaria Estadual de Saúde não divulga as cidades onde moram os pacientes
em investigação.  
No RS, o primeiro caso de microcefalia causado pelo zika foi divulgado em
dezembro. Uma mulher de Esteio teria contraído o vírus em uma viagem a
Pernambuco no primeiro trimestre de gravidez. A confirmação se deu depois
que diversos exames deram negativo para outras problemas que podem cau-
sar a má-formação, como rubéola, toxoplasmose ou alterações genéticas. Se-
gundo o secretário de Saúde do Rio Grande do Sul, João Gabbardo dos Reis,
até o momento, não houve aumento nos casos de microcefalia no Estado.
De acordo com os dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos
do RS, até outubro de 2015, nove bebês nasceram com a má-formação. Em,
2014, foram sete, e em 2013, houve 13 registros. Esse número é maior do
que o informado nos boletins do Ministério da Saúde, que apontou nenhum
caso notificado em 2014 e apenas três em 2013.

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